“Moçambique é um mercado importante”

O Grupo ETE nasceu em 1936 e, desde então, desenvolveu vários serviços que, interligados, permitem fornecer ao cliente um serviço completo, no que respeita ao transporte marítimo e à logística associada. Presentes em Portugal e em Moçambique, é sobre esta relação, em particular, que fala o engenheiro Carlos Pinto, general manager da ETE Logística, empresa do Grupo ETE.

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Carlos Pinto, general manager ETE Logística

Como caracteriza a vossa posição no mercado – nacional e internacional – no que concerne ao setor de atividade em que estão inseridos e face aos vossos concorrentes?

A nossa experiência acumulada na economia do mar confere-nos uma capacidade de antecipação, inovação e adaptação à mudança. Também a nossa diversidade de áreas de negócio – transporte marítimo, operações portuárias, transporte fluvial, agentes de navegação, logística, engenharia e construção naval – é um fator-chave, na medida em que nos permite oferecer uma proposta de valor competitiva, holística e integrada, face aos demais players no mercado. Por último, os nossos principais fatores de sucesso são as pessoas. Apostamos e contamos com equipas “high skilled” nas várias geografias onde operamos – nos escritórios, nos terminais, nos navios ou nos armazéns – e contamos com uma alargada rede de agentes a nível internacional, que se articulam entre si, permitindo que consigamos responder atempadamente aos nossos clientes e fazer um acompanhamento de “A a Z”, permanentemente.

Atualmente, um tema em voga é a economia do mar. Que contributo dá diariamente o Grupo ETE para esta questão?

No Grupo ETE, estamos organizados em seis áreas de negócio, sendo todas elas importantes na cadeia de valor e de distribuição para a economia do mar. Na operação marítima-portuária temos um papel preponderante na economia portuguesa, designadamente no abastecimento regular das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. Por outro lado, a operação logística é cada vez mais o centro da nossa atividade, conferindo-nos uma posição de integrador logístico, na medida em que permite a criação de sinergias constantes, potenciando a penetração de negócio no setor e o seu desenvolvimento. A nossa presença nos próprios terminais portuários ou com grande proximidade aos mesmos, bem como em plataformas logísticas das diferentes regiões, deixa claras as vantagens competitivas da nossa atuação ao longo de toda a cadeia de distribuição. Asseguramos uma resposta “chave na mão” aos nossos clientes e isso permite-nos a todos desenvolver melhor os nossos negócios e contribuir positivamente para a economia.

Parece-lhe que Portugal pode rentabilizar melhor os seus portos e o mar?

Sim, totalmente. Portugal tem uma posição muitíssimo central e estratégica no que diz respeito à operação marítimo-portuária e logística. Contudo, tem de existir investimento público e privado, no sentido de estar continuamente a inovar e a melhorar as infraestruturas nos portos. Para o Grupo ETE, e pelo peso que temos na operação portuária – detemos concessões nos portos de Leixões, Aveiro, Lisboa, Setúbal e Sines – tem sido uma das grandes prioridades, criar condições de armazenagem (dentro ou com muita proximidade) nos portos, facilitando a cadeia de distribuição. Atualmente contamos já com mais de 50.000 m2 de armazenagem, entre Portugal Continental e Regiões Autónomas.

Quais os cuidados e medidas que o Grupo ETE tem em consideração para levar a cabo as suas variadas atividades com o mínimo de impacto ambiental?

Para o Grupo ETE, as várias questões que se impõem sobre a sustentabilidade ambiental são uma preocupação constante, até pelo que isso implica na nossa atividade diária. Como tal, podemos assegurar que, desde há vários anos, temos vindo a adotar medidas, na sua grande maioria – no transporte marítimo – alinhadas com recomendações e orientações da International Maritime Organization. Podemos destacar a adoção do tipo de combustível Very Low Sulphur Fuel Oil para os nossos navios, assim como o tipo de pintura que utilizamos – “Underwater Silicone Paint”.

A RELAÇÃO COM MOÇAMBIQUE

Como se processou a internacionalização do grupo e a sua chegada a Moçambique?

Este é um processo com mais de 30 anos, iniciado com Cabo Verde, nos anos 80, e em Moçambique, nos anos 90. Neste país, tratou-se da gestão e privatização, em 1996, da empresa estatal de navegação, Navique, onde o Grupo operou até 2010 dois navios porta-contentores ligando Durban (África do Sul) a todos os portos moçambicanos e fazendo a cabotagem nacional. A par da empresa de navegação, detínhamos a concessão do terminal de cabotagem de Maputo e uma empresa de gestão técnica e manutenção de navios e tripulações – S&C Moçambique –, que permitiu consolidar a nossa operação nesta geografia. Em 2011, o Grupo estendeu a sua atividade ao Uruguai e em 2012 iniciou operações na Colômbia. Em Cabo Verde, tem vindo a desenvolver a sua atividade significativamente, contando já com metade das suas áreas de negócio ativamente em operação (agentes de navegação, logística e transporte marítimo).

Quais os grandes desafios encontrados neste país, que o Grupo ETE se propôs resolver?

Um dos maiores desafios em Moçambique é a questão logística, particularmente o transporte marítimo ao longo da sua costa de dois mil quilómetros, incluindo a cabotagem nacional – de importância fundamental para o desenvolvimento económico do país – e as ligações regulares aos portos sul-africanos, e outros da região, aos portos mais pequenos e localizados nas zonas menos favorecidas do país.

Qual a importância de Moçambique, enquanto mercado, para o Grupo ETE? Falamos de um mercado logístico estratégico?

Do ponto de vista estratégico, Moçambique continua a ser um mercado importante, para além de que nos permite, enquanto Grupo, ter uma proposta de valor mais alargada no momento de apresentar uma solução aos nossos clientes. Por outro lado, temos já um histórico no país, um posicionamento enquanto grupo logístico com vários anos, o que nos permite ter – e é visto como vantagem competitiva – um conhecimento bastante alargado do mercado, algo que é determinante do ponto de vista comercial e relacional com os nossos clientes. À parte de tudo isto, Moçambique mantém uma estreita ligação com Portugal, sobretudo no que respeita a trocas comerciais (com peso importante), para além de que a sua localização geográfica permite o alargamento das operações logísticas para outros países da região. Na nossa visão enquanto Grupo, não existirão destinos não estratégicos, sobretudo aqueles que conhecemos bem e onde a nossa experiência e relacionamento são mais-valias importantes.

Que impacto teve a pandemia na vossa atividade?

A pandemia da Covid-19 trouxe algumas incertezas a todas as empresas. Todos tivemos de nos reorganizar e reinventar, pois verificaram-se mudanças profundas a nível do transporte – aéreo e marítimo – o que traz constrangimentos no desenho de soluções. Contudo, a nossa atividade é vital para a economia – o caso do abastecimento regular da Madeira, Açores e Cabo Verde – pelo que “parar” nunca foi uma opção, caso contrário traria consequências muito significativas para todos.

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