“A liderança é fundamental numa empresa”

Helga Silva iniciou o projeto da Ignite Business com 28 anos, numa época em que trabalhava como freelancer. Acredita que o crescimento da empresa – focada em Marketing e Publicidade – também a fez crescer, pessoal e profissionalmente, enquanto responsável deste negócio. Lidera pelo exemplo, e assume que nunca se sentiu prejudicada de nenhuma forma por ser mulher.

0
235

Já tem 11 anos de Ignite Business. Ao longo deste tempo, considera que mudou, enquanto pessoa e profissional? Em que aspetos?

Sem dúvida! É uma aprendizagem e adaptação constantes, o que nos molda como profissional e como pessoa, claro. O que mais identifico é a capacidade de lidar com as adversidades, que se torna algo natural, a necessidade de inovar, de mudar estratégias e reajustar planos. Torna-nos pessoas versáteis em tudo na vida. Eu comecei este projeto com 28 anos, como freelancer, e tenho hoje 41… Este processo sem dúvida que me definiu como pessoa.

Como se descreve, enquanto líder?

A minha principal característica é liderar pelo exemplo. A nossa equipa trabalha em open space, estamos todos ali para o mesmo fim. Nunca senti a necessidade de impor respeito, ou autoridade. Talvez também um pouco de
sorte nas pessoas com quem me tenho cruzado, mas acredito mesmo que o exemplo, a calma, a tranquilidade, e a transparência criam laços em equipa suficientes para que todo o resto funcione.

Qual o impacto que considera que uma boa liderança tem numa empresa? Como analisa a sua própria liderança?

A liderança é fundamental! E acima de tudo criar condições para que as pessoas se sintam integradas, parte de um objetivo comum. Existem muitas formas de “pagarmos” e compensarmos o trabalho desenvolvido pela equipa. A flexibilidade quando precisam de dias ou horas, o dia de aniversário de folga, sistema de trabalho híbrido havendo possibilidade de trabalharem de casa… gestos que acredito que são essenciais.

Durante o tempo em que já é empreendedora, quais foram os obstáculos que enfrentou? Acredita que alguns deles se deveram ao facto de ser mulher?

Os maiores obstáculos que enfrentei estiveram relacionados essencialmente com dois fatores: no início, o desconhecimento sobre o que é gerir uma empresa. Infelizmente não nos é ensinado como ser empreendedor na prática. E temos de ir aprendendo, muitas vezes à custa de erros. Depois, a questão da carga financeira, que
não posso deixar de mencionar. Para micro e pequenas empresas, é mesmo muito complicado gerir esta parte.
Sinceramente o facto de ser mulher nunca se colocou como um obstáculo. Tenho a sorte de, quer a nível de educação, quer a nível do meu grande sócio de vida, o meu marido, quer a nível das ligações que tenho feito a nível profissional, haver sempre um respeito e igualdade que só posso agradecer e reconhecer.

Que palavras-chave lhe parecem cruciais para uma boa liderança? Quem está a começar o seu projeto próprio, quais os aspetos a considerar, particularmente?

Acima de tudo perseverança e paixão. A perseverança ajuda a manter a paixão viva, e a paixão permite não perder a perseverança. Criar o nosso projeto deve ser acima de tudo um projeto de vida, com um propósito que nos faça sentido. Rodear-mo-nos de pessoas que nos levam para a frente, ter coragem de dizer não quando necessário. Quando o dia corre mal, há sempre o dia seguinte. Celebrar as pequenas vitórias. E continuar a acreditar. Há uma frase que ouvi num evento e que gostei muito: “Eu quero ver o que acontece se eu não desistir”.