“A robótica não acaba com postos de trabalho”

A Unusual Frequency desenvolve soluções de automação industrial adaptadas a qualquer necessidade. Em entrevista, o engenheiro Daniel Correia salientou as vantagens da aplicação da robótica e da tecnologia 4.0 no dia a dia das empresas e a sua importância para a rentabilidade das mesmas.

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Daniel Correia, engenheiro e gerente

A Unusual Frequency dedica-se à criação, desenvolvimento e produção de sistemas de automação industrial, como resposta aos mais diversos problemas. Tal significa que têm capacidade para criar equipamentos e produtos à medida das necessidades do cliente?

Um dos trabalhos que desenvolvemos e que faz parte do nosso core business está precisamente relacionado com a possibilidade de fornecer ao cliente uma solução personalizada. Estamos preparados para isso. Temos pessoas especializadas nas áreas da Mecânica, Eletrónica e Automação – além disso somos uma equipa jovem e dinâmica – e temos alta capacidade de adaptação. Tentamos adaptar-nos às necessidades do cliente e ir sempre melhorando ao longo do tempo, adquirindo mais e melhor conhecimento, para darmos a melhor resposta. A Engenharia é, aliás, feita para se adaptar.

Quando um cliente vem ter convosco, como se desenvolve o processo para criação de uma solução personalizada?

Existem dois tipos de clientes. O primeiro procura-nos sabendo apenas que precisa de aumentar a rentabilidade do negócio, mas não tem uma solução identificada para o seu problema. Nesse caso, servimo-nos do serviço de consultoria e tentamos identificar exatamente o problema, as características do espaço físico e da empresa em si – setor de atividade, produtividade… – para elaborarmos um relatório sobre as melhorias a serem realizadas para alcançar os objetivos pretendidos. Estamos aqui para guiar os clientes num processo de crescimento da empresa. Existe ainda um segundo tipo de clientes, que já sabe o que quer e que já traz, inclusivamente, imagens daquilo que pretende. Nesse caso, é feito um desenho 3D das peças, de forma a mostrar a sua viabilidade. Posteriormente, elaboramos um estudo de projeto e apresentamos uma proposta real ao cliente. De seguida, avançamos para a execução do projeto.

Além do serviço de consultoria, desenvolvem também a área de robótica logística. É uma área com margem para crescer, procurada pelas empresas?

Este é um ano atípico, devido à pandemia, com um crescimento das compras online e, assim, é fundamental a evolução da logística, isto porque a maior parte das empresas não está adaptada ao volume do comércio online. Estamos claramente num período de forte aposta na área logística e queremos ser os responsáveis por integrar sistemas de robótica nessa área, a partir deste ano.

A robótica é aplicável a empresas de qualquer dimensão?

A robótica exige um investimento elevado, por isso só a partir de uma certa dimensão é que já faz sentido aplicar-se a robótica e a gestão de processos, pois em processos repetitivos conseguimos substituir um colaborador por um robot – protegendo as pessoas de problemas de saúde como tendinites, por exemplo – e colocá-las em postos de trabalho diferentes, onde a capacidade humana possa ser mais útil. Este investimento, apesar de elevado, deve ser visto a médio prazo, pois o retorno pode acontecer em menos de dois anos.

Como avalia a modernização das empresas nacionais, no que diz respeito à automação e à aposta na tecnologia 4.0?

As pequenas empresas têm espaço de crescimento para a robótica. Há processos simples e repetitivos que, em muitas empresas, ainda são desempenhados por seres humanos e que podem perfeitamente ser feito por robots. Aliás, este tipo de trabalhos, repetitivos e mais pesados, poderão levar a gastos no futuro, dado os problemas de saúde que podem surgir nos operadores que desempenham essas funções. A robótica permite a recolocação dos colaboradores, não vem retirar postos de trabalho a ninguém. No que respeita à indústria 4.0, Portugal ainda está um pouco atrasado nesta questão, apesar de existir atualmente um grande investimento nesta tecnologia, sobretudo por parte das grandes empresas, para quem esta tecnologia é mais adequada.

Existem dois projetos – um de âmbito doméstico e outro de âmbito industrial – que são particularmente relevantes enquanto exemplos do trabalho que desempenham. Fale-me um pouco mais deles e das vantagens da tecnologia que implementaram.

No projeto de âmbito doméstico, aplicámos soluções industriais numa loja. Este projeto visa reduzir o tempo de espera do cliente final e evitar as constantes deslocações dos funcionários ao armazém, para ir buscar o produto pretendido pelo cliente. O que criámos foi em conjunto com o cliente uma plataforma de interação com o cliente final – onde o cliente escolhe o produto que quer, que é transportado para o centro da loja através de um tapete automático após o funcionário de armazém o despachar pelo tapete. Isto permitiu uma redução de stock na frente de loja e um aumento na variedade de produtos, tornando a frente de loja mais atrativa, intuitiva e eficiente. Esta solução reduziu o tempo de espera por parte do cliente. Com o tempo de espera reduzido e uma nova apresentação verificou-se um crescimento no volume de vendas, o que levou a um aumento do número de funcionários, comprovando que a automatização não só não elimina posto de trabalho como os cria. O segundo projeto em destaque é de âmbito industrial e passa pela gestão e controlo de linhas de produção. É um investimento em tecnologia 4.0, que permite verificar problemas existentes na produção, identificar avarias, organizar planos de manutenção, através de gráficos que mostram o funcionamento e a produtividade de cada produto, por referência. A própria máquina dá a informação de qualquer avaria que exista. Este sistema está diretamente ligado ao sistema de faturação, o que permite ao gestor receber a informação em tempo real, através de um dispositivo eletrónico.

Como antecipa o ano de 2021, no que respeita a projetos em curso e áreas em desenvolvimento?

Este primeiro trimestre está a correr muito bem. Esperamos um ano excelente, pois estamos com muitos projetos em carteira. Já estamos a alcançar objetivos no primeiro trimestre, por isso antecipamos um crescimento da empresa.

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