“A sociedade atual mantém uma expectativa irrealista e redutora do papel das mulheres”

Teresa Pelarigo dos Santos é advogada há mais de 20 anos e fez dessa experiência um ponto chave para a sua vida profissional. Abriu o seu escritório, onde se dedica às áreas que mais a preenchem profissionalmente: Direito Imobiliário, gestão de investimento e aconselhamento jurídico para estrangeiros. Alerta, porém, para a necessidade de reformar a lei, de forma a proteger verdadeiramente as profissionais do Direito que querem desfrutar da maternidade.

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Após duas décadas na Ordem dos Advogados e experiência em empresas e sociedades de advogados, o que a motivou a fundar o seu próprio escritório?


A combinação de 20 anos de experiência, uma carteira de clientes sólida e o desejo de gerir o meu tempo foram determinantes para esta decisão. Isso permite-me dar continuidade ao trabalho que desenvolvi ao longo destas duas décadas, enquanto tenho a liberdade de imprimir o meu cunho pessoal à prática jurídica futura.


Como se descreve enquanto advogada e que características destaca?


Considero-me uma advogada dedicada, leal e ética, que não se identifica com o estereótipo tradicional do “advogado”. Prefiro uma abordagem mais flexível e informal no exercício da advocacia, valorizando uma comunicação clara e acessível em vez da complexa terminologia jurídica. Aconselho sempre a optar pela via extra-judicial e amigável, pois, em muitos casos, uma vitória pode não ter o impacto prático desejado. Contudo, existem situações em que é imprescindível recorrer à via judicial.
Nesses casos, sou determinada e combativa, com o objetivo sempre de “ganhar”.

A advocacia exige uma dedicação intensa e constante. Como conseguem as mulheres equilibrar a profissão com os outros papéis sociais que desempenham?


As mulheres, em geral, e particularmente na advocacia, enfrentam desafios significativos ao tentarem equilibrar a vida profissional com a vida familiar e pessoal, o que torna essa conciliação uma tarefa complexa. A sociedade atual mantém uma expectativa irrealista e redutora do papel das mulheres, exigindo que desempenhem múltiplas funções e assumam a responsabilidade pelas tarefas domésticas e familiares. É fundamental ajustar as expectateresa pelarigo dos santos advogada
tivas sociais em relação às mulheres e promover uma mentalidade baseada numa verdadeira
parceria equitativa.


Apesar de as mulheres serem a maioria entres novos advogados e estarem a conquistar espaço como magistradas e juízas, ainda existe desproteção legal para as que passam pelo processo de maternidade?


Ainda há uma falta de proteção legal efetiva em elação à maternidade. A legislação atual não oferece um suporte adequado, e o sistema de apoio existente é insuficiente, o que resulta em advogadas desprotegidas, com dificuldades financeiras e sem a possibilidade de usufruir de um período de maternidade.


Em que áreas gosta mais de trabalhar no seu escritório?


Atualmente, tenho liberdade para me dedicar às áreas que mais me aliciam, como o direito imobiliário, a gestão de investimentos e o aconselhamento jurídico para estrangeiros. Estas áreas permitem-me não só aplicar a minha experiência, como também ajudar os meus clientes a alcançar os seus objetivos e a ter um impacto positivo nas suas vidas.


O que julga importante dizer às futuras advogadas?

Às futuras colegas: mantenham a vontade de aprender, melhorem as vossas competências, lembrem-se que a verdadeira experiência vem da prática; a faculdade fornece apenas as bases, procurem estágios que vos desafiem e enriqueçam. Desenvolvam não apenas competências técnicas, mas também capacidade de comunicação e compreensão das necessidades dos outros. Promovam a empatia e o respeito nas relações com clientes e colegas. Tenham confiança no vosso trabalho, sejam determinadas e íntegras e acreditem que vão ter um impacto positivo na vida dos vossos clientes. Boa sorte nesta nova etapa!