“A sociedade está mais desperta para as finanças pessoais”

Hugo Pinheiro é o diretor-geral da Credível, uma empresa que centra os seus serviços na intermediação de crédito e mediação de seguros. Nesta entrevista, Hugo Pinheiro destaca a importância da poupança e da literacia financeira, bem como a importância dos serviços de um intermediário de crédito para a concretização de projetos pessoais com o melhor financiamento possível.

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Hugo Pinheiro, diretor-geral

A principal questão que levou à fundação da Credível foi o facto de existirem soluções no mercado do financiamento e dos seguros que não podia apresentar aos seus clientes, por não trabalhar com essas instituições que as disponibilizavam. Agora, diria que o principal objetivo da Credível é exatamente encontrar a solução que complementa na perfeição a necessidade de quem vos procura? Como descreveria o vosso posicionamento no mercado?

Exatamente! Ao longo de 12 anos trabalhei numa instituição bancária e, tal como todas as instituições bancárias, tínhamos o nosso segmento de clientes bem definido e as nossas condições. A certa altura, e com a enorme concorrência, sentia-me cada vez mais numa posição delicada com os clientes, onde por um lado tinha de defender a minha instituição e por outro queria aconselhar o melhor para o cliente.

Neste momento, a Credível analisa a situação do cliente e vamos à procura das melhores condições para aquele cliente em específico, pois cada caso é um caso, cada cliente tem a sua história e cada banco as suas condições. É por isto que temos vários parceiros e todos eles têm o seu próprio segmento de clientes. A nós resta-nos negociar da melhor forma e ter a certeza de que o nosso cliente fica com o melhor crédito, as melhores condições do mercado, adaptado às suas necessidades.

Relativamente ao nosso posicionamento, é uma questão bastante interessante, dado que quando falamos de intermediários de crédito, parece que apenas enviamos a proposta aos bancos e passamos o cliente ao banco…na Credível, acompanhamos o cliente desde o primeiro contacto até depois da escritura, queremos fazer parte de todo o processo e esclarecer o cliente em qualquer situação, temos várias plataformas de comunicação, mas não queremos nunca descurar o contacto direto e pessoal, quer seja num novo crédito ou seguro, quer seja numa negociação ou transferência.

Os créditos bancários estão, por norma, envoltos em linguagem técnica difícil de compreender para algumas pessoas. Além disso, o processo em si pode ser complicado, algo moroso e burocrático. Como pode a Credível ajudar?

Concordo e há muito que defendemos que os próprios bancos deveriam ajustar e descomplicar todo este processo, porque muito sinceramente é um processo simples e que tem de ser uma boa experiência para o cliente e não o contrário. Tendo em conta o que temos atualmente e toda a legislação envolvida num processo de crédito, fizemos um glossário que entregamos aos nossos clientes aquando da entrega das propostas, tentando com isto desmistificar e ajudar a compreender alguns termos que estão nas propostas. Filtramos toda a informação e somos muito claros e proativos, não havendo lugar a letras pequenas nas propostas.

Negociar um crédito ou mesmo optar pela consolidação de vários créditos existentes podem ser soluções fulcrais para garantir fluidez financeira, quer a clientes privados, quer a clientes empresariais. Essa importância de analisar a situação financeira e recorrer a estas soluções já é reconhecida socialmente?

Quem tem inúmeros créditos ao consumo pode ter sido mal aconselhado, pode ter estado numa situação bastante delicada e poderá sem dúvida consolidar todos os créditos num só, de forma a reduzir as suas prestações mensais. Com a consolidação de créditos, o cliente terá uma taxa de esforço maior e a sua situação de liquidez, ou seja, as suas disponibilidades mensais, serão claramente superiores.

Diria que, após a crise que afetou o país há cerca de 10 anos, a literacia financeira e a noção das pessoas da importância de gerir bem a sua vida financeira aumentaram? O que lhe parece que ainda falta fazer para dotar as pessoas de um maior conhecimento sobre finanças pessoais?

Ainda há um longo caminho a percorrer no que diz respeito à literacia financeira em Portugal, no entanto julgo que já estamos bem melhores do que há uns anos e a sociedade está cada vez mais desperta para as suas finanças pessoais. Tem sido feito um excelente trabalho, no entanto gostava que na escola falassem com os nossos filhos sobre dinheiro, que começassem desde cedo a saber lidar com dinheiro e que deixasse de ser um assunto tabu. Ainda se fala do dinheiro como se fosse algo mau, que só traz infelicidade e isso causa desconhecimento e medo.

Gostava que na escola falassem com os nossos filhos sobre dinheiro, que começassem desde cedo a saber lidar com dinheiro e que deixasse de ser um assunto tabu.

Relativamente ao recurso a intermediários de crédito, quais diria serem as maiores mais-valias, para o cliente, de recorrer a este serviço?

Ao recorrer a um intermediário de crédito está a poupar tempo, pois não terá de andar de banco em banco a procurar as melhores condições para si, irá poupar muito dinheiro, pois a capacidade negocial dos intermediários de crédito, por força dos vários clientes que têm e da ligação direta com os bancos, é bastante superior, tem um apoio em todas as fases do processo, negociamos os seguros, fazendo com que poupem milhares de euros com esta negociação e tudo isto é gratuito. Na Credível, em três passos analisamos o caso de cada um e conseguimos apresentar uma solução em 48 horas.

Qual a importância de recorrer a um especialista em seguros (em vez de o fazer, por exemplo, junto da Banca) quando necessita de um novo seguro?

É uma excelente questão, pois muitas vezes focamo-nos muito no spread e trocamos de Banco ou aceitamos uma proposta em detrimento de outra por causa do spread, quando devemos olhar para outros itens e os seguros são fulcrais nesta escolha. Destaco o seguro de vida, onde o cliente, se subscrever este seguro fora do Banco, pode poupar milhares de euros ao longo dos anos e ainda ter maiores coberturas, que garantam que a sua família fique salvaguardada, no caso de acontecer alguma fatalidade. É de extrema importância e é um assunto que abordamos logo na nossa primeira interação com o cliente.

Tendo em conta a situação de crise que o país atravessa e, sobretudo, a incerteza de muitas pessoas relativamente à possibilidade de continuarem a cumprir as suas obrigações financeiras, como avalia as suas reações? A Credível já sentiu um aumento de solicitações, por parte dos clientes?

Temos tido muitas solicitações, mas ainda não posso dizer que seja por esse motivo, pelo contrário, temos tido cada vez mais pedidos para aquisição de novas habitações e para créditos à construção. O mercado imobiliário ainda está muito ativo e, como tal, as grandes solicitações têm vindo por aí. No entanto, temos vindo a notar um crescente número de transferências de crédito, por forma a melhorar as condições, em resultado de um maior conhecimento do mercado e do nosso trabalho.

Como antevê o comportamento do mercado e das famílias nos próximos tempos, sobretudo considerando que as moratórias bancárias terminam em setembro?

Estamos bastante curiosos e na expectativa para o que aí vem e obviamente também preocupados, no entanto é importante que as famílias façam o seu planeamento financeiro e que comecem já a comportar-se como se no próximo mês já tivessem que pagar a prestação na íntegra, ou seja, colocar de parte o valor que seria para a prestação. É importante ter hábitos de poupança e cortar no que não nos faz falta para que se consiga uma transição tranquila.

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