Acreditar para construir uma marca com propósito

Patrícia Machado transformou a BÃO num projeto movido pela paixão, autenticidade e persistência. Nesta entrevista, a CEO partilha como a coragem de acreditar deu origem a uma marca que hoje inspira e reforça a autoestima de milhares de mulheres.

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Houve algum momento em que sentiu que o futuro da BÃO dependia exclusivamente da sua capacidade de acreditar quando ainda nin guém acreditava? Como viveu esse período?
Sem dúvida. Houve momentos em que fui a única pessoa a acreditar que a BÃO podia tornar-se uma marca de referência. Comecei praticamente do zero, enfrentei imensas dificuldades, incertezas e muitos desafios. Mas nunca deixei que o medo fosse maior do que este meu sonho. Continuei a trabalhar, a aprender e a acreditar. Hoje olho para trás e percebo que a persistência e a paixão foram sempre a minha maior força.

Que princípios ou valores pessoais se recusou a abdicar para fazer crescer a BÃO e de que forma esses mesmos valores se refletem hoje na identidade da marca?
Nunca abdiquei da autenticidade, da proximidade e da qualidade. A BÃO nasceu para vestir mulheres reais, valorizando a feminilidade, o conforto e os pequenos detalhes que fazem a diferença. Costumo dizer que a BÃO é amor em forma de se vestir. Amo o que faço bem como amo fazer pessoas felizes. Acredito que uma peça de roupa pode transformar a forma como uma mulher se sente e se vê. Cada coleção é criada com muito carinho para que quem veste BÃO se sinta especial, bonita e confiante.

Enquanto mulher empreendedora, considera que ainda existe a necessidade de provar constantemente a competência e a legitimidade para liderar um negócio?
Acredito que ainda existe esse desafio. Muitas mulheres sentem que precisam trabalhar mais para ver o seu mérito reconhecido. Ao longo do meu percurso aprendi que a melhor resposta é manter a consistência, a honestidade e a dedicação. Com trabalho, respeito pelas clientes e paixão pelo que fazemos, conquistamos a credibilidade e a confiança.

Qual foi o momento em que percebeu que a BÃO tinha passado de um projeto empresarial para uma marca com verdadeiro impacto na vida dos seus clientes e na comunidade?
Percebi isso quando comecei a receber mensagens de mulheres a dizer que as nossas peças lhes devolviam autoestima, confiança e felicidade. Esse é o maior reconhecimento que posso receber. Mas sei também que nada disto seria possível sozinha. A minha equipa, as costureiras, os fornecedores, os parceiros, a família e todos os que acreditam na BÃO são um pilar essencial. Eu sozinha não sou nada. Cada conquista é construída por algumas mãos e por pessoas que respiram este meu sonho. É essa união que faz da BÃO muito mais do que uma marca, uma família.

Se pudesse deixar uma mensagem às mulheres que têm uma ideia de negócio, que aprendizagem retirada da sua própria história gos taria de lhes transmitir?
Diria para não esperarem pelo momento perfeito, porque raramente ele existe. O mais importante é acreditar em si próprias, começar e não desistir perante os obstáculos. O caminho faz-se com coragem, dedicação e muita resiliência.

Este ano celebramos dez anos de BÃO e esse marco prova que os sonhos podem tornar se realidade quando são construídos com trabalho, amor e persistência. O maior orgulho não é apenas olhar o caminho percorrido, mas perceber que milhares de mulheres escolheram fazer parte desta história. Se puder inspirar outra mulher a dar o primeiro passo então tudo valeu a pena. Nunca deixem de acreditar no vosso valor. Nunca deixem que o medo seja maior do que a vontade de tentar.