Como se descreveria enquanto profissional? Acredita que o setor em que atua ajudou a moldar a sua forma de ser e de estar, tanto no trabalho como na vida?
Vejo-me como uma profissional inquieta, observadora e curiosa sobre o mundo, o futuro e o impacto das mudanças nas nossas vidas. Gosto de antecipar o que aí vem e de compreender como essas transformações afetam as pessoas. Talvez venha daí o meu propósito: sempre acreditei que todos têm um potencial enorme, o desafio está em descobri-lo. É aí que atuo — ajudo as pessoas a reconhecerem esse potencial e a aplicá-lo num mundo em constante mudança.
Como consultora de recursos humanos, as empresas estão hoje mais recetivas a apoiar e investir nas suas pessoas? Que tendências poderia apontar para a gestão de recursos humanos no futuro?
As empresas estão mais recetivas a investir nas pessoas, mas sinto que estamos apenas a meio do caminho — quando já deveríamos estar a iniciar um novo. O tempo que demoramos a maturar uma ideia é, muitas vezes,
maior do que o próprio ciclo de vida dessa evolução, e isso custa-nos tempo, dinheiro e qualidade de vida. Precisamos de aprender a antecipar, não apenas a reagir. No futuro, as pessoas terão de assumir maior
responsabilidade sobre o seu próprio desenvolvimento e bem-estar profissional. As empresas continuarão a ter um papel importante, mas mais como facilitadoras do que como responsáveis diretas. O que acontecerá quando as empresas reduzirem significativamente o número de colaboradores? Esta transformação é inevitável — e
estamos atrasados na forma como preparamos as novas gerações para ela.
No papel de coach e mentora, como coloca em prática os seus conhecimentos para impulsionar o crescimento das equipas e transformar a cultura organizacional?
No meu trabalho, não começo por propor soluções — começo por fazer perguntas. Só conseguimos transformar equipas quando compreendemos o seu contexto, as suas histórias e o que está por detrás dos comportamentos. A minha metodologia centra-se na consciência: ajudar as pessoas a reconhecer o seu papel, o seu impacto e o que podem fazer de forma diferente. Provoco reflexão, mas também ação, porque a mudança acontece quando deixamos de esperar que venha de fora. O meu papel é criar o espaço e o impulso para que cada pessoa e equipa sejam o seu próprio agente de transformação.
E no caso específico das mulheres — sente que existe um apoio efetivo à progressão na carreira e ao crescimento profissional? Que impacto considera que a paridade de género tem vindo a gerar nas empresas portuguesas?
Ainda há muito caminho a percorrer. Hoje vemos cada vez mais mulheres em cargos de liderança e como empreendedoras, o que mostra mudança, mas ainda existem barreiras subtis — culturais e estruturais — que precisam de ser quebradas. A paridade não se mede apenas por números, mas pela liberdade de cada mulher ocupar o seu espaço sem precisar de o justificar.
Quais considera serem as suas principais qualidades ou competências — aquelas que leva consigo todos os dias e que fazem a diferença na forma como trabalha e lidera?
Diria que sou movida pela inquietação e pela vontade de compreender o que está para além do que se vê. Tenho uma escuta muito atenta — às pessoas, aos contextos, às entrelinhas — e isso permite-me perceber onde
estão as verdadeiras oportunidades de mudança. Gosto de questionar, provocar reflexão e criar espaço para que outros se questionem.
Linkedin: @helena-anastácio-de-almeida









