Vanessa Leal: uma líder focada nas pessoas

Vanessa Leal não se imaginava empreendedora. No entanto, as circunstâncias profissionais levaram a uma necessidade de começar a empreender, e acabou por se revelar uma líder com uma noção do que quer fazer e da forma como quer levar a cabo o seu trabalho. Hoje, é responsável pela gestão do Grupo JO YA, com a mãe e já tem bastante claro o estilo de liderança que quer seguir.

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O Grupo JOYA nasceu em 2014, com o objetivo de criar espaços de alojamento de estudantes com qualidade e diferentes do que se via no mercado. O que a levou a avançar para a criação deste projeto?
O Grupo JOYA nasceu de uma necessidade real que vivi enquanto estudante. Quando fui para Coimbra estudar Engenharia Química, a minha mãe Helena (CEO do Grupo) e eu deparámo-nos com uma enorme lacuna no mercado: os espaços disponíveis eram escuros, antigos, desconfortáveis e sem qualquer preocupação com o bem-estar. Foi então que surgiu a ideia de comprar um apartamento, mas acabámos por adquirir três, que dividimos em 15 quartos, pensados ao detalhe, totalmente equipados, e com salas amplas para poderem conviver, porque da minha experiência, foi precisamente essa partilha que mais me fez crescer na universidade: conviver com pessoas e culturas diferentes ensina-nos a comunicar e a gerir conflitos. Isto prepara-nos para o mundo do trabalho.

Empreender sempre fez parte dos seus desejos profissionais?
Curiosamente, não. Ambos os meus pais são empresários, mas via-os trabalhar 12 a 15 horas por dia. Isso não era o que eu queria para a minha vida. Empreender acabou por ser um feliz acaso. Percebi que não me sentia realizada na minha área de formação e também não me identificava com as lideranças que tinha experienciado até ali. Na altura estava a sair de uma
empresa onde era diretora de qualidade e decidi, com a minha mãe, investir num pequeno apartamento na Nazaré para ser uma fonte de rendimento extra. O imóvel tinha problemas estruturais graves que nos obrigaram a uma obra dispendiosa e morosa. Mas foi esse processo, com todos os seus erros e aprendizagens, que nos levou a criar um negócio focado em investimentos imobiliários de qualidade e a ajudar pessoas que querem investir mas não têm o tempo, conhecimento ou experiência necessários.

Como se descreve como profissional e empreendedora?
Sou prática, determinada e focada em fazer acontecer. Enquanto empreendedora, vejo-me como alguém que aproveita os desafios para criar oportunidades, se adapta às mudanças, especialmente num mercado que muda tão rápido como é o imobiliário, e acima de tudo que coloca sempre as pessoas como prioridade.


Quais os maiores desafios que enfrentou, ao longo dos anos em que atua na área do empreendedorismo? Ser mulher foi, por si só, um obstáculo?
Ser uma jovem mulher em setores dominados por homens, como a construção civil, significa lutar diariamente pela nossa autoridade. Muitas vezes sinto que não me levam a sério, que tenho de provar o meu valor duas vezes: pela idade e pelo género. Comecei por trabalhar na empresa dos meus pais, onde tive de mostrar que já não era “a menina que ajudava nas
férias e brincava pelos corredores”, mas uma adulta com ideias próprias.
Aos 23 anos, fui diretora de qualidade numa empresa onde era a mais nova, rodeada de homens, onde muitas vezes não me levavam a sério. Depois vieram os investimentos, as obras, onde a mulher ainda é vista como frágil. Ainda hoje, com alguns clientes, enquanto jovem e mulher, vejo por vezes o meu valor posto em causa. Mas ser mulher não é apenas um obstáculo, é uma motivação. A cada olhar de desconfiança, a cada comentário paternalista, reforça-se a minha vontade de mostrar que competência não tem género, nem idade.