O crescimento do mercado pet reflete uma cultura de responsabilidade ou apenas um aumento do consumo? E onde continua a existir um desfasamento entre aquilo que os tutores compram para os seus cães e aquilo de que eles realmente precisam?
O crescimento é refletido pela vontade de oferecer o melhor aos cães, o que tem mostrado uma evolução positiva, mas também por um aumento do consumo. Muitos tutores investem em alimentação, saúde, creche, hotel e atividades de bem-estar. Ainda assim, o mais importante não é comprar mais, mas escolher melhor. Um cão precisa, acima de tudo, de segurança, descanso, rotina, movimento, socialização adequada e pessoas capazes de compreender o seu comportamento.
Que comportamento dos tutores melhor representa a forma como hoje olhamos para os cães e o que é que essa atitude revela sobre a evolução ou os desafios da nossa relação com os animais de companhia?
A procura de soluções que façam o cão sentir-se acompanhado, estimulado e feliz mostra bem esta mudança. A escolha de uma creche ou hotel revela que muitos tutores já não querem apenas “deixar o cão num sítio”: procuram uma segunda casa, com atenção, carinho e acompanhamento. O desafio é garantir que cada experiência respeita o ritmo, a personalidade e as necessidades individuais de cada cão.
Até que ponto a crescente humanização dos cães se torna prejudicial ao seu equilíbrio emocional e comportamental, e que sinais deveriam levar os tutores a refletir sobre isso?
A forma carinhosa como hoje tratamos os cães é muito positiva, desde que não confundamos amor com ausência de limites nem esperemos que reajam como pessoas. Sinais como ansiedade quando ficam sozinhos, dificuldade em descansar, medo, reatividade ou dependência constante devem levar os tutores a refletir. Amar também significa ensinar, criar rotinas e proporcionar experiências equilibradas.
“A forma carinhosa como hoje tratamos os cães é muito positiva, desde que não confundamos amor com ausência de limites nem esperemos que reajam como pessoas”
Na sua opinião, qual seria o tutor ideal para o futuro do mercado pet? E que mudança de mentalidade considera essencial para que os cães deixem de ser vistos apenas como animais de companhia e passem a ser compreendidos como seres com necessidades específicas?
A procura de informação e de parceiros de confiança define o tutor ideal do futuro. É alguém atento, disponível para conhecer verdadeiramente o seu cão e que escolhe uma creche ou hotel não apenas pela aparência ou conveniência, mas pela qualidade da equipa, pela segurança, pela gestão dos grupos e pelo acompanhamento individual. A mudança essencial é passar de “dar tudo” para “dar aquilo de que o cão realmente precisa”.
Daqui a alguns anos, qual seria o maior indicador de sucesso para si: mais serviços especializados, mais tecnologia, maior investimento dos tutores ou uma mudança profunda na forma como os portugueses entendem o comportamento canino? Porquê?
Uma compreensão mais profunda do comportamento canino seria o maior indicador de sucesso. Mais serviços, tecnologia ou investimento só fazem sentido quando contribuem para o verdadeiro bem-estar dos cães. O progresso será vermos animais mais tranquilos, sociáveis e seguros, e tutores mais informados e confiantes. Uma boa creche ou hotel pode ter um papel importante, proporcionando experiências positivas e ajudando cada cão a sentir-se bem, mesmo longe da família.








