“As pessoas valorizam pouco a saúde oral”

A Clínica Médica e Dentária Rajada de Sorrisos abriu portas em março de 2020 e, uma semana depois da inauguração, precisou de fechar portas, devido ao confinamento geral decretado pelo Governo. Apesar disso, o diretor clínico, Francisco Teixeira, está confiante no projeto e assegura que o início foi prometedor.

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Francisco Teixeira, médico dentista e diretor clínico

A Clínica Médica e Dentária Rajada de Sorrisos iniciou atividade em março deste ano. Como avalia este percurso, tendo em conta a pandemia?

Na verdade, a clínica abriu há oito meses, precisamente uma semana antes de fechar devido à pandemia, tendo agora somente seis meses de atividade. No entanto, tem sido um início de percurso prometedor e muito gratificante, principalmente tendo em conta as circunstâncias em que vivemos. Aliás, decidimos dar o passo de abrir a Rajada de Sorrisos porque tínhamos máxima confiança no projeto, devido à nossa qualidade como profissionais e também à nossa natureza humana, regida por valores essenciais na área da Medicina, como a honestidade, seriedade e uma paixão imensa pelo que fazemos, aliadas à simpatia e boa disposição que nos caracterizam e que fazem toda a diferença no consultório dentário. Acima de tudo, tratamos pessoas, caso a caso, com o objetivo de lhes trazer felicidade individual e de as pôr a sorrir, que tanta falta faz no mundo atual.

Quais as especialidades presentes na clínica?

Contamos com todas as subespecialidades associadas à Medicina Dentária, com uma equipa multidisciplinar de médicos dentistas especialistas, dedicados a cada uma das áreas, nomeadamente a Implantologia e Cirurgia Oral, Ortodontia, prótese fixa e removível, Estética Dentária, Endodontia, Periodontologia e Odontopediatria. Estamos em constante atualização e formação, pois a Medicina Dentária não pára de evoluir e, tal como na Medicina, é imperativo acompanharmos a Ciência. Deste modo, sentimo-nos capazes de tratar todo e qualquer caso com que nos deparamos diariamente, da simples “limpeza” à complexa reabilitação total estética e funcional. Acreditamos que um correto diagnóstico e planeamento são chaves para o sucesso e, consoante o interesse, a necessidade clínica e a disponibilidade económica de cada um, há várias possibilidades de tratamento tendo em vista sempre uma melhor saúde oral. Acima de tudo, adoramos ajudar a mudar vidas! Para além da Medicina Dentária, temos uma profissional na área da Terapia da Fala e contamos, brevemente, ter Nutrição e Medicina Geral e Familiar. Futuramente, iremos ter Medicina Estética, uma área cada vez mais procurada e que anda de mãos dadas com a Medicina Dentária Estética, que já praticamos na clínica.

Qual a periodicidade ajustada a um correto acompanhamento da saúde oral?

Cada caso é um caso, mas o ideal é as consultas serem semestrais. Alguns casos podem ser anuais, outros trimestrais, mas o mais comum é mesmo de seis em seis meses.

Que consequências pode acarretar para a saúde geral o negligenciar da saúde oral?

Problemas de natureza cardiovascular, devido às infeções dentárias, problemas gástricos, devidos a falta de dentes para uma correta mastigação, problemas psicológicos, pela falta de autoestima e, inclusive, em casos mais dramáticos, problemas oncológicos.

Os seguros dentários são uma ajuda para a população poder, efetivamente, visitar regularmente o dentista?

De alguma maneira sim, por outro lado não. É um “pau de dois bicos”, porque as seguradoras têm preços estipulados para tratamentos generalizados que muitas vezes são incomportáveis para se poder fazer um trabalho com qualidade. Na nossa clínica, trabalhamos com sistema de reembolso, que apesar de não ser tão vantajoso para os clientes como ter um acordo direto, permite-nos manter o padrão de qualidade em todos os tratamentos, sendo que a maior parte das seguradoras paga, à posteriori, parte do tratamento, através de apresentação de fatura do mesmo.

A Medicina Dentária ainda não faz parte do SNS. Que análise faz dessa questão?

É um facto, infelizmente. Se por um lado permitiria dar trabalho a muitos colegas, principalmente recém-licenciados, para poderem evoluir, por outro permitiria que a população que vive com mais dificuldades pudesse ter acesso mais fácil a cuidados de saúde oral. Por acaso a minha primeira experiência pós-graduação foi precisamente um estágio profissional no Hospital de Santo António, no serviço de Estomatologia, onde aprendi muito, mas também constatei que há muitíssima gente com uma saúde oral paupérrima, mesmo em tenra idade. De qualquer forma, a integração de forma séria e organizada da Medicina Dentária no SNS não é algo que preveja que vá ser fácil acontecer nos próximos anos, com muita pena minha.

Como se adaptaram ao trabalho pós-confinamento?

A nossa área sempre foi pautada pelo extremo e rigoroso protocolo de higiene e desinfeção, para evitar a infeção cruzada. No entanto, tivemos que adotar algumas novas regras e medidas preventivas para a Covid-19, principalmente a nível de EPI’s, redução do número de consultas e marcação das mesmas via telefone ou redes sociais, de modo a evitar o aglomerar de pessoas na sala de espera e permitir a desinfeção e o arejamento do consultório entre cada atendimento. É pacífico afirmar que trabalhamos num ambiente seguro e de risco mínimo (em nada existe o risco nulo) para as pessoas. Um conselho que posso deixar à população é que não deixe de ir ao dentista com medo do vírus, pois é dos locais mais seguros onde se pode estar.

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