Cursos profissionais: uma opção rumo ao sucesso laboral

O agrupamento de escolas de Benavente dispõe de um total de sete cursos profissionais – Técnico de Informática-Sistemas, Técnico de Eletrotecnia, Técnico de Instalações Elétricas, Técnico de Desporto, Técnico Auxiliar de Saúde, Técnico de Informação e Animação Turística, Técnico de Ação Educativa – com muita procura por parte dos alunos. O diretor deste agrupamento escolar, Mário Santos, caracterizou estes cursos do ensino profissional e salientou a importância dos mesmos para os alunos, a escola e a comunidade.

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Mário Santos, diretor

Quais os pilares que sustentam este agrupamento escolar e que o caracterizam?

Há quatro pilares que tentamos desenvolver e que fazem parte dos nossos objetivos de crescimento educativo. São eles a Democracia, a Saúde, o Ambiente e o Digital. A Democracia envolve a participação cívica dos alunos e a noção de cidadania, enquanto a Saúde, além de ser um assunto na ordem do dia, diz respeito às áreas de Saúde física e mental, bem como ao aspeto relacional que desenvolvemos nas escolas. O Ambiente e a transição digital são temas presentes em todos os momentos da vida académica. Existe, da parte das escolas, a procura pelo reconhecimento de que o nosso trabalho está a ser bem desenvolvido, daí a importância da distinção “Escola Saudável” ou do selo EQAVET, que certifica a qualidade do ensino profissional aqui ministrado.

Qual a importância dos cursos de ensino profissional para este agrupamento?

O ensino profissional é importante para nós e para a comunidade. Somos a única escola do concelho que tem ensino profissional, por isso existe a preocupação de desenvolver a qualidade e diversidade deste ensino, tendo em consideração as necessidades da comunidade. A existência de ensino profissional é importante para os alunos, pois permite-lhes terem acesso a outro tipo de saídas profissionais, além do ensino científico-humanístico. Há uns anos, havia a ideia instalada de que o ensino profissional se destinava aos alunos que não pretendiam ingressar no ensino superior, o que não é verdade. Já existem muitos alunos que optam pelo ensino profissional e que pretendem, da mesma forma, seguir para a universidade. Apenas preferem beneficiar de um ensino secundário mais prático, antes de seguir para o ensino superior. Antes de termos ensino profissional nesta escola, muitos dos alunos que perdiam o interesse em fazer o secundário pela via do ensino científico-humanístico iam para outra escola, onde existisse ensino profissional – o que implicava sair do concelho. Desde que disponibilizamos este tipo de ensino, tornámo-nos atrativos para alunos que frequentam este agrupamento escolar, bem como para outros que vêm de outras escolas do concelho. Além disso, o ensino profissional permitiu-nos aproximar da comunidade e do tecido socioeconómico do concelho e pudemos, assim, dar resposta a algumas necessidades de mão de obra da comunidade.

O paradigma sobre o ensino profissional já se alterou, ao longo dos anos, ou ainda existe a ideia de que só os alunos que não querem estudar ou que estão desinteressados da escola é que optam por este ensino?

Creio que o ensino profissional mudou muito. A perspetiva que tínhamos sobre o ensino profissional mudou muito. O que nós sentimos é que, até há pouco tempo, o ensino profissional era visto como uma solução para os alunos que tinham insucesso escolar. Assim, quem tinha insucesso escolar e tinha de estar na escola até aos 18 anos – por obrigação – recorria aos cursos profissionais, não por vocação ou escolha, mas por falta de alternativa. Todavia, muitos destes alunos começavam os cursos profissionais já com 18 anos, o que fazia com que a meio do curso desistissem, pois tiravam a carta de condução, começavam a trabalhar para ganhar algum dinheiro e abandonavam a escola. Agora começamos a ter cada vez mais alunos que veem estes cursos como primeira escolha. Saem do nono ano, com 15 anos e sem nunca ter reprovado e ingressam nos cursos profissionais – com 18 anos têm o curso terminado e muito recebem propostas de trabalho muito interessantes. A taxa de conclusão dos cursos profissionais subiu bastante, por causa disso. Culturalmente, também é diferente – os professores e os pais encaram estes cursos de outra forma. Já há muitos alunos que escolhem cursos profissionais pensando em ingressar no ensino superior, posteriormente. Além disso, quem faz um curso profissional sai do ensino secundário com uma qualificação de nível IV, mais alta do que os colegas que seguiram cursos científico-humanísticos. Os cursos das oficinas são os que mais saída profissional têm, mas são os que têm menos procura, pois ainda ninguém quer ser eletricista ou serralheiro, apesar de haver uma grande escassez destes profissionais. Já os cursos de Desporto, Saúde e Informática são cursos com grande procura.

Como funciona o programa ERASMUS+?

O programa ERASMUS+ é uma oportunidade fantástica de os nossos jovens poderem conhecer outras realidades e trazermos outras realidades à escola. Temos o ERASMUS+ a funcionar há alguns anos e já fizemos coisas muito interessantes com alunos quer de cursos científico-humanísticos, quer de cursos profissionais. Em relação aos cursos profissionais, temos um projeto que permite aos alunos fazerem a sua formação em contexto de trabalho noutros países, onde este programa também funciona, como Espanha e Polónia. O contrário também acontece e recebemos na nossa escola alunos de outras nacionalidades, o que é ótimo, pois os formadores também conhecem outras realidades.

Que impacto teve o ensino à distância neste tipo de ensino?

Tem algum impacto, porque temos muitos jovens que gostam de meter “mãos à obra” e estes cursos são muito práticos, mas à distância isso não é possível. Neste momento, estes alunos estão apenas a ter aulas à distância e a sua prática em contexto de trabalho é uma “prática simulada”, ou seja, via computador, atualmente. Uma prática simulada nada tem a ver com algo que seja efetivamente real. No entanto, sentimos os jovens motivados e os professores têm conseguido encontrar alternativas para continuar a ensinar. Apostámos particularmente em conteúdos teóricos, para deixarmos os ensinamentos práticos para quando nos pudermos voltar a reunir.

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