“A força motriz do progresso é a curiosidade”

A Merck é a empresa farmacêutica mais antiga do mundo – foi fundada em 1668 – e celebra este ano 353 anos de existência. Outra singularidade é o facto de o capital social deste Grupo empresarial ainda estar, maioritariamente, nas mãos de membros da família, há 13 gerações. A Merck está desenhada para abrir as portas ao futuro desde sempre, como comprova a entrevista ao diretor-geral em Portugal, Pedro Moura.

0
268
Pedro Moura, diretor-geral

Falamos de uma empresa farmacêutica e tecnológica, que trabalha nas áreas de Healthcare, Life Science e Electronics. Porquê a aposta nestas três áreas e como é que elas se complementam?

Em Healthcare, temos três pilares de atuação. O nosso propósito foca-se em ajudar a criar vidas – e aqui temos a nossa área de tratamento da infertilidade, onde somos líderes de mercado. Temos depois uma outra área, cujo objetivo é ajudar a prolongar a vida dos nossos doentes, com qualidade – Oncologia e Imuno-oncologia. Existe ainda um terceiro pilar, que se foca na melhoria da qualidade de vida dos doentes e onde várias áreas se inter-relacionam. Destacaria as áreas da Esclerose Múltipla, Insuficiência Cardíaca, Hipertensão, Diabetes, Disfunção da Tiroide e Hormona de Crescimento. No que respeita a Life Science, falamos de diagnósticos in vitro e de testes de diagnóstico. A Merck é responsável por produzir as matérias-primas, os equipamentos e os serviços necessários à realização e produção destes testes. Na área de Electronics, a Merck é a empresa por detrás das empresas da área digital. Temos quatro componentes na área da Electronics que são basilares: a primeira área trata de semicondutores – se nos focarmos nas áreas da Comunicação, Mobilidade e Saúde, nós desenvolvemos semicondutores (aparelhos, equipamentos) cada vez mais pequenos, mais rápidos e mais eficientes em termos energéticos. Esta componente da sustentabilidade energética é muito importante, pois o gasto de energia que acontece aquando da transmissão de dados é imenso. Numa outra área – a das soluções de displays – a Merck oferece a próxima geração de materiais, equipamentos, serviços e sistemas que revolucionam a área de Electronics. O que nós fazemos é conectar a inteligência contida dentro dos dispositivos com a experiência humana. Depois, temos a área das Surface Solutions, onde redefinimos o uso da cor no mundo moderno. Temos no nosso portefólio pigmentos e ingredientes ativos que continuam a ser peças-chave na indústria automóvel, na cosmética e na indústria, de uma forma geral. Ainda há a área de delivery sistems – sistemas de armazenamento e entrega de químicos e gases que precisam de ser acondicionados, transportados e entregues de uma forma segura.

Quais são os últimos projetos que estão a desenvolver em cada área?

A área de Electronics é absolutamente pujante, porque nós necessitámos, de repente, de aumentar a capacidade de transmitir dados de uma forma rápida, passível de ser incorporada dentro de dispositivos que são cada vez mais pequenos, mas sobretudo tendo em conta a sustentabilidade energética, que é vital. Qualquer redução de consumo de energia para a transmissão de dados significa, em termos de sustentabilidade do nosso planeta, um imenso avanço. Por esse motivo, a área dos semicondutores talvez seja a mais tangível e revolucionária, no momento. Por outro lado, com um maior uso dos dispositivos, temos cada vez mais acesso a dados, mas dados não são informação. Eles precisam de ser estruturados e tratados, para se transformarem em algo que ajude no processo de tomada de decisão. Essa é a tarefa da nossa área de soluções de display – a conexão entre a inteligência contida nos dispositivos e a inteligência humana, de forma a ajudar à tomada de decisão do médico. Os semicondutores e as soluções de display são as duas áreas que irão marcar de forma mais marcada o futuro da Humanidade. No que respeita à área de Life Science, encontrar forma de antecipar em dias, semanas ou meses o aparecimento de uma pandemia, através – por exemplo – da análise de microrganismos presentes nos esgotos será um extraordinário avanço. Na área de Healthcare, destacaria áreas como a Oncologia, associada à Imuno-oncologia, que é, cada vez mais, a resposta para o tratamento de uma série de patologias do foro oncológico. O objetivo é fazer com que o sistema imunológico descubra as células cancerígenas, as identifique e permita o tratamento, pelo conjunto do nosso sistema imunológico e das substâncias terapêuticas, levando a que, no futuro próximo, as doenças oncológicas sejam consideradas uma patologia crónica. Além disso, temos também em atenção a Esclerose Múltipla, onde atualmente já existe um conjunto muito alargado de soluções. Há ainda um objetivo transversal a todas as áreas que se traduz no desenvolvimento de uma Medicina Personalizada, ou seja, encontrar uma solução à medida para solucionar o problema de cada doente.

“Para nós é muito claro que a Ciência e a Tecnologia têm de estar de mãos dadas para combater os desafios na área da saúde no futuro”

A Merck valoriza a curiosidade como sendo uma das formas de desafiar o status quo e de estar constantemente a inovar. Este é realmente o vosso ADN?

Sem dúvida. Só a curiosidade permitiu que, geração após geração, continuemos na linha da frente de soluções, plataformas e serviços que vão sempre à procura da melhor combinação entre Ciência e Tecnologia, ao serviço do bem da Humanidade. Acreditamos que a força motriz do progresso é a curiosidade. A todo o momento, procuramos soluções clínicas e tecnológicas que permitam melhorar os resultados clínicos e continuar a melhorar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Como caracteriza a importância do mercado português e alemão um para o outro? Quão estratégico é o mercado nacional para a Merck?

A Merck trabalha em colaboração com entidades nacionais, através de parcerias com organismos e instituições que já cá estavam. Por exemplo, temos uma parceria importantíssima com o Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica – IBET – que se concretizou na constituição de um laboratório-satélite, dentro do IBET, que é basicamente uma extensão do R&D (Pesquisa e Desenvolvimento) da Merck alemã. Temos ainda parcerias com o Instituto Gulbenkian de Ciência e com o Instituto de Medicina Molecular.

Quais são os desafios de futuro, para a Merck?

Para nós é muito claro que a Ciência e a Tecnologia têm de estar de mãos dadas. É também evidente que existe um imenso manancial de dados, dispersos por muitas instituições da área da Saúde e da Tecnologia, que seria fundamental congregar numa única plataforma, acessível por todas as empresas da área científica. A Medicina Preventiva e a utilização da Inteligência Artificial na Saúde serão pontos-chave, também.

www.merckgroup.com

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here