Desafios dos contabilistas certificados para 2023

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As perspetivas para 2023 anunciam-se desanimadoras no plano económico, pelas razões que são de todos conhecidas. Em 2022, o quadro económico em Portugal não foi uniforme, com setores da economia não dependentes dos custos da energia a mostrarem um desempenho altamente positivo, até com os chamados lucros “excessivos”, ao passo que os setores dependentes de energia a elevados preços têm vindo a demonstrar dificuldades na gestão desses custos e na incorporação dos mesmos nas suas margens.

O espetro da inflação, da contração económica dos principais parceiros comerciais e as dificuldades de liquidez das famílias e empresas são apenas alguns dos problemas que se antecipam. Sendo problemas das empresas e dos empresários, afetarão também os contabilistas que lhes prestam serviços.

Mas estes são apenas alguns dos dilemas que não esgotam o leque de desafios que se colocam às empresas, cada vez sob maior pressão para reformular modelos de negócio, seja para endereçar mudanças estruturais, como a sustentabilidade e a gestão dos custos energéticos, seja para flexibilizar modelos de gestão para responder a novos circuitos e cadeias de produção, distribuição ou consumo.

Sabemos que continuamos num momento de transformação do ambiente de negócios, que já não é apenas digital ou ambiental. A transformação das cadeias de produção, distribuição ou consumo decorre de opções estratégicas de localização dessas mesmas funções.

A concorrência económica mundial não só está no seu auge como tem subjacente profundas divisões políticas.

Todo este contexto exige ao contabilista certificado que adquira mais flexibilidade na sua atuação profissional, porque conhecer, em profundidade, o negócio do seu cliente mostra-se essencial para que este possa continuar a cumprir as suas funções e a aconselhá-lo nestes tempos de alta volatilidade, incerteza e insegurança.

É importante notar que a alteração dos modelos de negócio tem tendência para replicar as melhores práticas de outros países, pelo que o contabilista certificado está, necessariamente, chamado a conhecer os normativos que emprega, mas também os padrões internacionais da sua aplicação, seja ao nível das normas de relato financeiro e não financeiro, seja ao nível da fiscalidade.

Hoje, exige-se ao contabilista certificado que seja um profissional com múltiplas aptidões em muitos domínios. No fundo, um conceito dinâmico de profissional, com uma enorme capacidade de adaptação, essencial para se manter na profissão.

A sociedade continua a reclamar destes profissionais mais competências, e por isso estamos certos de que quaisquer que sejam os desafios que 2023 venha a colocar, os contabilistas certificados terão de estar ao lado das empresas e dos empresários. Porque o sucesso do contabilista também depende do sucesso dos seus clientes.

Esta vastidão de competências e solicitações obrigará, por certo, a um movimento de concentração dos profissionais, pois, cada vez mais, os investimentos necessários e a multidisciplinaridade das solicitações exigem trabalho em equipa e uma capacidade de execução que só são compatíveis com uma estrutura empresarial por parte dos contabilistas.

Teremos, no futuro, estruturas profissionais maiores e mais especializadas, capazes de responder a desafios tecnológicos e económicos cada vez mais exigentes.

Há que enfrentar também, abertamente, um dos maiores desafios com que a profissão se debate, que é o da escassez de talento. Problema transversal a outras profissões liberais, tenderá a manter-se e até a agravar-se com a especialização e empresarialização da profissão, a menos que perspetivas económicas de forte estagnação económica no curto prazo gerem um excesso de oferta no mercado.

Antecipamos, por isso, um 2023 repleto de desafios, positivos e negativos, cuja resposta depende fortemente da evolução do cenário económico.

De qualquer forma, os desafios estruturais permanecem: escassez de talento; convergência tecnológica com o mercado, no sentido de tornar a profissão mais digital; reforço da multidisciplinaridade da prestação de serviços, alargando o leque da oferta às novas áreas do relato não financeiro e da sustentabilidade; e contínua necessidade de adaptação aos modelos de negócio dos clientes, para que o contabilista certificado possa tornar-se um parceiro útil no ecossistema económico e não um custo de contexto.

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