Digitalização e monitorização remota: soluções para a Medicina do futuro

A Medtronic é líder mundial em tecnologias da saúde, nas mais variadas áreas da Medicina. Durante a pandemia, a necessidade de recorrer à tecnologia e à digitalização de processos e monitorização de doentes abriu caminho para a complementaridade entre o saber humano e a capacidade técnica da tecnologia, como salientou o diretor-geral da empresa, Luís Lopes Pereira.

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Luís Lopes Pereira, diretor-geral

O vosso tag – Let’s take Healthcare further, Together – transmite uma mensagem de futuro. 2020 desafiou todas as possibilidades e a união da comunidade médica e científica foi maior do que nunca. Como participou a Medtronic neste momento histórico?

O nosso tag Further, Together, está alinhado com a nossa Missão, muito enraizada na cultura e no dia a dia dos trabalhadores em todo o Mundo: aliviar a dor, restabelecer a saúde e prolongar a vida. Em 2020 mantivemos o nosso enfoque em três prioridades: garantir a segurança dos nossos colaboradores, a disponibilidade das nossas tecnologias e a ajuda necessária às autoridades de saúde nacionais, hospitais e profissionais de saúde no combate a esta pandemia, traduzidas através do donativo de materiais de proteção e do desenvolvimento e disponibilização de ferramentas que possibilitaram continuar a tratar os doentes não Covid-19.

São conhecidos pela inovação e criação de tecnologia inovadora. Durante este ano, em particular, quais as maiores apostas e quais os avanços que destacaria no I&D de tecnologia para a saúde?

O posicionamento da Medtronic enquanto líder mundial de tecnologias de saúde e motor de inovação nesta área manteve-se em 2020, com a introdução de diversas soluções disruptivas. Também acompanhámos a aceleração da viragem à era digital por parte do setor da saúde, onde demos preferência às soluções que conferem uma maior eficiência ao dia a dia clínico, aos dispositivos com capacidade de monitorização remota, que empoderam os doentes e possibilitam a continuidade dos seus tratamentos, diminuindo o afluxo aos hospitais e à medicina de precisão, num contexto de constante melhoria da eficácia terapêutica.

O futuro da Medicina passa por uma complementaridade entre tecnologia e saber humano?

Essa tendência é cada vez mais real e vai-se concretizando na inovação que é introduzida neste mercado. A digitalização, a medicina de precisão e a robótica vêm simplesmente tornar mais importante o conhecimento humano e reduzir a margem de erro clínica. Não se trata de substituir o médico por máquinas, mas sim complementar o seu papel e conhecimento clínico com equipamentos e dispositivos que auxiliam o seu trabalho, reduzindo etapas no tratamento dos doentes e conferindo um melhor e mais rápido resultado em saúde.

O Home Healthcare é visto como uma aposta, em determinadas situações, sobretudo para aliviar os hospitais e centros de cuidados de saúde da pressão de receber e manter doentes internados que poderiam ser monitorizados a partir de casa, inclusivamente com a participação ativa do doente nesse processo. A Medtronic revê-se nesta ideia?

Penso que a digitalização ea introdução de soluções remotas são já uma realidade que se vai generalizar num futuro muito próximo. Obviamente que a adoção destas soluções de monitorização remota foi acelerada por este contexto de pandemia, notando-se uma revalorização desse segmento por parte dos “late adopters”. A Medtronic é pioneira neste caminho, aliás a digitalização e monitorização remota já fazem parte das nossas soluções tecnológicas há muitos anos e irão cada vez estar mais presentes. Estas soluções são neste momento inevitáveis pois constituem uma forma de oferecer mais agilidade às equipas clínicas, de modo a diminuir as entradas evitáveis nas urgências e minimizar o crescimento das listas de espera para consultas de especialidade. Mas os grandes beneficiários destas soluções são os doentes que não podem esperar para serem tratados.

Que mudanças e adaptações foram necessárias efetuar ao longo do ano, em virtude da pandemia? Como se adaptou a Medtronic a essas novas necessidades?

Os colaboradores dos nossos escritórios, desde sempre devidamente equipados, puderam passar a trabalhar a partir de casa e os colegas que nunca deixaram de ir aos hospitais estavam munidos do material de proteção necessário para poderem continuar a sua função, altamente qualificada, ajudando os profissionais de saúde a tratar os seus doentes. Como empresa de tecnologia, apostámos desde sempre em soluções digitais que facilitavam o trabalho interno e externo. Internamente a comunicação fluiu normalmente e adaptámo-nos a novas regras e processos de via remota. No que respeita ao trabalho externo, temos sempre apostado em soluções digitais que facilitam a nossa interação com os profissionais de saúde, quer na informação tecnológica quer na formação médica, bem como em tecnologias que permitem a monitorização de doentes à distância.

Quais os desafios que o ano 2020 colocou que se transformaram em oportunidades e poderão transformar-se, a partir de agora, em situações definitivas, aceites e integradas, socialmente? Poderá o teletrabalho ser um desses exemplos?

Na nossa perspetiva as maiores oportunidades de negócio criadas prendem-se com o desenvolvimento de novas áreas capazes de apresentar soluções e projetos inovadores, passíveis de ajudar a manter a atividade médica/cirúrgica de doentes independentemente de estarem ou não infetados com Covid. A solução de teletrabalho depende da relação da contratação entre o empregador e o colaborador, permitida por tecnologia digital já disponível há muito tempo. É cedo para avaliarmos se a pandemia virá trazer no futuro uma alteração nas relações de trabalho existentes, mas creio que a telemedicina, sendo bem implementada e em associação com soluções de monitorização remota e interligação com smartphones, poderá vir a ser uma solução de futuro não apenas em contexto de pandemia, mas para reduzir as listas de espera já crónicas do SNS.

Que análise faz da evolução tecnológica, ligada à saúde, ao longo dos anos, mas sobretudo neste 2020, onde a necessidade obrigou à união de esforços por todo o mundo?

O ano de 2020 obrigou a uma aceleração na viragem à era do digital, à introdução da monitorização remota, ao incentivo ao empoderamento dos doentes no controlo e gestão da sua doença. E as soluções encontradas para fazer face ao contexto de pandemia podem claramente, num futuro próximo, servir para dar resposta a outros desafios que já referi, como a redução das listas de espera para consultas e cirurgias.

Como se posiciona a Medtronic para o ano de 2021? Existem projetos em desenvolvimento que possa desvendar? Como antevê o futuro do setor, a médio prazo?

Esta pandemia fez acelerar a necessidade de desenvolver ferramentas e projetos que sigam esta linha de orientação já mencionada de telemedicina e monitorização remota. A inovação e a tecnologia não podem ser avaliadas apenas pelo seu custo inicial, há aspetos a serem valorizados a jusante e a montante nos processos de diagnóstico e de terapia. Torna-se urgente haver capacidade de análise para avaliar se o investimento em inovação tem um turnover positivo. A forma de avaliar esse investimento tem de ter em conta o resultado clínico. No âmbito da pandemia por Covid-19, a Medtronic adaptou e disponibilizou gratuitamente aos hospitais, durante o estado de emergência e calamidade, uma solução para seguimento remoto de doentes em isolamento domiciliário, que incluía uma app para o doente e um dashboard para os profissionais de saúde. E o facto de ser considerada extremamente útil, é que esta solução está a ser analisada neste momento por alguns hospitais. Uma das áreas de aposta da Medtronic, através do departamento de IHS (Integrated Health Solutions), é a introdução no mercado nacional de soluções digitais de suporte à monitorização e acompanhamento remoto de doentes em diversas patologias, e que visam simultaneamente ajudar o Sistema Nacional de Saúde a ser mais eficiente, mais centrado no utente e com melhores resultados clínicos.

www.medtronic.pt

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