“Distinguimo-nos pela qualidade”

Ricardo Ribeiro é o diretor de operações em Moçambique do Grupo Ferpinta, especialistas na produção e comercialização de produtos feitos a partir de bobines de aço. Em Moçambique, onde o Grupo se instalou há mais de 20 anos, os desafios ainda passam pela formação dos recursos humanos e pela aposta na qualidade dos produtos.

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Ricardo Ribeiro, diretor de Operações em Moçambique

Quando se instalou o Grupo Ferpinta em Moçambique e como se desenvolveu essa presença no território?

Estamos em Moçambique há cerca de 22 anos. A empresa instalou-se inicialmente na Beira, por ser um ponto central do país, além de ter uma forte ligação a Portugal. É uma região servida de um porto menos congestionado e um excelente ponto de exportação para o Zimbabué, Zâmbia, África do Sul e Malawi. Atualmente, temos uma fábrica e um armazém na Beira, um armazém em Maputo, onde existe um polo industrial e um outro armazém em Nacala, também já com uma máquina. Temos projeto de expansão e terrenos em Pemba e Tete. A nossa presença em Moçambique representa uma operação de 30 milhões de euros, ainda longe dos 500 milhões que representam a operação do Grupo.

A vossa presença em vários pontos do território moçambicano faz parte do vosso plano de expansão?

Sim, em Moçambique replicámos a forma de expansão da empresa em Portugal. Criámos uma fábrica com uma dimensão considerável, para produzir essencialmente chapa, calha e tubos – materiais que advêm das bobines do aço – e abrimos armazéns em pontos estratégicos do país. Começámos na Beira, fomos para Maputo e, passados dois anos, chegámos a Nacala. Além de vendermos os produtos que produzimos, também somos revendedores de materiais ligados à nossa área. Isso permite-nos ter competitividade, já que as encomendas do Grupo são feitas em conjunto, o que assegura – pela economia de escala – que conseguimos fornecer produtos de qualidade a um preço equilibrado.

Quais os setores de atividade em que o Grupo Ferpinta está envolvido, em Moçambique?

Em Moçambique, estamos presentes no setor do aço e somos o distribuidor exclusivo de alfaias agrícolas da marca Herculano, que pertence ao Grupo, em Portugal. Temos ainda outro negócio, só em Moçambique, que é a Naturinga, em Maputo.

No setor do aço, como consegue a Ferpinta impor-se num mercado tão competitivo como o africano?

A Ferpinta sempre pautou a sua produção pela qualidade. Somos o player qualitativo em Moçambique. Existem outras empresas a produzir aço em Moçambique, mas a Ferpinta trabalha com as maiores empresas de construção civil, que prezam a qualidade dos produtos e não se regem pelo preço. Além disso, os nossos produtos são certificados. Importa também salientar que a nossa competitividade diz essencialmente respeito à nossa economia de escala e à qualidade dos nossos produtos e não está relacionada com os recursos humanos, pois muita gente pensa que a mão de obra moçambicana pode ser mais barata, o que nos traz vantagens competitivas. Tal não é verdade, por várias razões: a primeira é o facto de termos muitos quadros que são expatriados, o que implica um acréscimo financeiro. Depois, os colaboradores moçambicanos nem sempre têm a formação necessária, pelo que implica que a empresa aposte nessa mesma formação. Outro facto interessante é que, enquanto que em Portugal alguns processos já são automatizados, em Moçambique ainda há muitos processos que necessitam de trabalho humano, pelo que o número de colaboradores na fábrica moçambicana é maior.

Como caracteriza os mercados português e moçambicano?

Na área do aço, há alguma legislação que está implementada em Portugal que não está implementada em Moçambique, como a lei do antidumping. Em Portugal, somos taxados de forma diferente se comprarmos material à China. Isso cria maior competitividade entre players europeus. Em África, isso não acontece. Há muito mais entrada de players asiáticos – sobretudo China e Índia – que competem sobretudo pelo preço e que acabam por destruir a economia local. Cada mercado tem as suas particularidades e dificuldades – Portugal tem muitos players fortes na Europa – mas acredito que, desde que haja mercado e que nos saibamos guiar dentro dele, sabemos o que fazer para o conquistar. Por exemplo, em Moçambique produzimos produtos que não produzimos em Portugal, porque o mercado tem necessidades diferentes. O mesmo acontece em Portugal. É fundamental adaptar a produção.

Como antecipa 2021?

Acredito que o ano de 2021 seja uma réplica de 2020, onde conseguimos crescer. Neste momento, a nossa perspetiva mantém-se – não tencionamos parar de trabalhar e iremos continuar a ter cuidado. Todavia, Moçambique atravessa agora uma fase de aumento dos números relativos à Covid-19 e as pessoas estão um pouco assustadas.

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