“É preciso simplificar o sistema fiscal português”

A Contabilidade evoluiu consideravelmente nas últimas décadas e a Soares Gomes Contabilidade acompanhou estas mudanças. António Soares Gomes, o diretor-geral da empresa, salienta a importância do contabilista enquanto parceiro das empresas e a necessidade urgente de simplificar, de forma efetiva, os processos do sistema fiscal português.

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António Soares Gomes, diretor, e equipa

A Soares Gomes Contabilidade existe há mais de 25 anos. Ao longo de todo este tempo, quais as principais alterações que lhe parecem importantes salientar?

Existiu a necessidade de adaptar profundamente os métodos de trabalho, por um lado para conseguir corresponder à evolução das necessidades e apoio à gestão evidenciados pelos nossos clientes, mas igualmente pelo aumento vertiginoso das obrigações fiscais – mais obrigações declarativas e prazos mais curtos. Os empresários, mesmo pelo aumento das exigências da própria Banca, tiveram que adotar novos modelos de gestão dos seus negócios,
avaliar com outra visão os investimentos a realizar, valorizar os recursos humanos e manter o foco na qualidade.


Quais os principais serviços que prestam?

Somos especializados em Fiscalidade, mas o objetivo a que nos propomos com os nossos clientes é o de apoiar o seu negócio a crescer de forma sustentada. Para isso oferecemos ao nosso cliente, um conjunto de serviços assente nos quatro pilares que consideramos fundamentais numa empresa, a Contabilidade, os Recursos Humanos, a Consultoria Fiscal e os Incentivos e Apoios. Conseguimos, assim, manter as contas certas e sem falhas, sempre
em sincronia com um acompanhamento personalizado, tratando dos processos fiscais relacionados com os seus recursos humanos, minimizando a carga fiscal, garantindo a legalidade e ajudando a empresa a crescer em todas as áreas, nomeadamente através do aconselhamento dos mais atuais incentivos fiscais e apoios financeiros.

Cada vez mais, os contabilistas posicionam-se como parceiros das empresas, que ajudam nos processos de tomada de decisão. Como se posiciona a Soares Gomes Contabilidade relativamente a esta questão?

O dimensionamento do mercado empresarial português é amplamente conhecido, mas muitas vezes ignorado pelas entidades públicas, seja na criação de regulamentação ou na correta adequação da Fiscalidade às mesmas. Em 2019 existiam 1.317.039 pequenas e médias empresas (PME), sendo 1.265.671 microempresas, 44.189 pequenas empresas e 7.179
médias empresas. Apenas 1.291 eram consideradas grandes empresas. As pequenas e médias empresas (PME) empregavam em 2019 3.344.792 pessoas e as grandes empresas 975.700. Face a esta realidade, sabemos que somos encarados pelos nossos clientes como “o” fator muitas vezes decisivo na sua tomada de decisões. Como referido anteriormente, o nosso posicionamento no mercado é de complementaridade com o nosso cliente. Somos apologistas de que um cliente com uma empresa com bases sólidas e ponderadas tem maior probabilidade de alcançar o sucesso. Pelos motivos expostos, não podemos manter o “velho” serviço de apurar impostos e enviar declarações fiscais, que infelizmente ainda se verifica em muitas empresas.

É possível simplificar o sistema fiscal português, de forma a assegurar mais tempo aos contabilistas para as funções de consultoria e às empresas uma maior facilidade no controlo das suas obrigações fiscais?

É necessário dividir esta questão em duas partes. A resposta à primeira parte é que não
apenas é possível, como é necessário! Em segundo lugar, é fundamental que exista essa
vontade…Certo é que é necessário mudar certos pensamentos enraizados na sociedade,
nomeadamente aquele que afirma que se as empresas já não pagam impostos, com modelos
simplificados será ainda pior, exigindo-se, como é óbvio, que o que for para se chamar
“simplificado” o seja de facto. Temos o exemplo recente do que ocorreu com o modelo
“simplificado” das normas de apoio às empresas e aos trabalhadores durante a pandemia, nos
últimos dois anos, seja no que diz respeito à forma que foram publicadas, ou principalmente,
à forma como foram executadas. Devíamos espelhar no nosso sistema fiscal grande parte
da realidade fiscal espanhola, seja pela proximidade dos mercados, mas acima de tudo
por considerar a mesma mais simples, clara e justa.

Tecnologicamente, a área da Contabilidade sofreu grandes alterações, que ainda não estão totalmente concretizadas. Este processo de transição digital vem simplificar o dia a dia contabilístico ou ainda não estamos nesse patamar?

Se não fosse a transição digital e a transformação tecnológica que existiu nos últimos 15 anos não seria possível executar o nosso trabalho. Não digo que simplifica, porque não está a ser implementado ao mesmo ritmo em todas as entidades envolvidas, sejam empresas, contabilistas ou Estado. Por exemplo, neste momento não é possível aceder a uma conta corrente na Segurança Social que de um lado tenha os pagamentos efetuados pela empresa e do outro o cálculo das contribuições apuradas. Neste momento, podemos dizer que existe uma troca de informação acelerada. Temos mais obrigações a serem cumpridas eletronicamente. Mas continua a ser o modelo de trabalho a ditar a simplificação da
Contabilidade.

Quais os desafios que a nova realidade laboral veio criar e como se prepara a Soares
Gomes Contabilidade para os enfrentar e continuar ao lado dos seus clientes?

No que diz respeito à questão do teletrabalho, penso que no nosso setor de atividade o mesmo não é exequível. Necessitamos ter no nosso trabalho um nível de concentração elevado. Aliás, é fundamental conseguir estar alheado do ruído periférico, para conseguirmos executar bem as nossas funções. Os nossos clientes terão sempre o nosso apoio na organização dos modelos de trabalho mais adequado à prossecução do seu negócio, não podendo deixar de considerar as mais recentes alterações ao código de trabalho, que chegam a ser ridículas em alguns aspetos. Mais um exemplo em que as normas são pensadas para
a Função Pública e para as grandes empresas, que são as únicas que têm meios e forma para
as concretizar, e não à realidade das empresas portuguesas.

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