Que fatores podem tornar difícil o regresso à escola do ponto de vista emocional?
O regresso à escola traz muitas emoções e, por vezes, contraditórias: a alegria de reencontrar os amigos coexistem com receios ligados ao desempenho, relações, integração ou bullying.
As férias, normalmente, são momentos de proximidade familiar e segurança, pelo que o regresso pode trazer resistência, receio da separação ou desconforto. O novo ano traz responsabilidades, que contrastam com a despreocupação e a leveza das férias.
Até que ponto a qualidade das relações com colegas e professores influencia a saúde mental e a própria relação da criança com a escola?
A escola ensina e motiva para a aprendizagem, mas também contribui para o desenvolvimento de sentimentos, atitudes e valores. É um espaço onde os jovens devem sentir-se integrados e encorajados a aprender através da interação e do trabalho em grupo. O envolvimento social em tarefas de interesse que podem incentivar a amizade, colaboração e pertença, ajudando quem se sente isolado ou triste. Valorizar os talentos de cada criança também promove o respeito mútuo.
“A escola ensina e motiva para a aprendizagem, mas também contribui para o desenvolvimento de sentimentos, atitudes e valores. É um espaço onde os jovens devem sentir-se integrados e encorajados a aprender”
Que sinais devem fazer os pais suspeitar que uma mudança de comportamento esconde algo mais sério?
Os pais devem estar atentos a comportamentos fora do habitual, como indisposição, dores de cabeça, evitamento da escola, irritabilidade, retraimento, tristeza ou isolamento. O comportamento pode esconder medos, angústia, stress ou problemas familiares. É importante responder com compreensão e segurança e, se a criança deixar de conseguir ir à escola, procurar ajuda profissional.
Quando existem situações de bullying, rejeição ou outras experiências adversas, que impacto podem ter e qual deve ser a resposta dos adultos?
O bullying pode provocar retraimento social, sentimentos de inferioridade, insucesso escolar, sintomas físicos ou perturbações do sono. Dizer “ignora” ou “tens de ser mais forte” pode fazê-la sentir-se mais sozinha. os adultos devem perceber o que acontece e agir com a escola. Mas nem toda a zanga entre crianças é bullying.
O bullying envolve humilhação, intimidação ou violência repetidas, com intenção de subjugar ou diminuir o outro. Mesmo quando termina, importa perceber como ficou a criança ou o jovem.
Como devem os pais gerir o uso do telemóvel em casa, para que a restrição escolar não seja compensada por utilização excessiva?
A proibição do telemóvel na escola pode ajudar, mas não resolve se o adolescentepassar o resto do dia agarrado ao ecrã. O telemóvel também faz parte da sua vida social e o objetivo é ajudá-lo a gerir a utilização. Em casa, devem existir limites nas refeições, estudo e antes de dormir. O exemplo dos adultos também conta: não basta pedir ao adolescente para largar o telemóvel se os pais estão sempre no ecrã. Mais do que o tempo de uso, importa perceber se está a roubar sono ou a substituir outras atividades.










