“É urgente rever a pertinência de alguma burocracia fiscal em Portugal”

A Prime Century tem quase 20 anos de atividade e os seus sócios são Carla Nicolau e Jorge Pinto. Enquanto economistas, ambos reconhecem a necessidade de uma simplificação das obrigações fiscais, cuja quantidade massiva acaba por dificultar o crescimento das empresas. No entanto, também assumem que, ao longo dos anos, a imagem e a importância do contabilista certificado tem vindo a mudar, juntos dos particulares e das empresas.

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Carla Nicolau e Jorge Pinto, Administradores

Ao longo destes anos no mercado, como lhe parece que a imagem e a importância dos contabilistas e consultores se alteraram?

A ideia que temos é a de que os contabilistas certificados sempre foram vistos como pessoas muito relacionadas com o tratamento de papéis e das contas, inclusivamente as fiscais, mas das quais poucos (incluindo os próprios gerentes e administradores…) queriam saber – era um “mal necessário” para a atividade deles. Nos últimos tempos essa ideia tem vindo a cair em desuso, embora, em nossa opinião, não no sentido mais correto: os contabilistas
certificados, ao invés de serem vistos como entidades que produzem informação valiosíssima para a gestão das atividades e das empresas, estão cada vez mais ocupados com o cumprimento de obrigações fiscais, que crescem a cada dia que passa, sobrando-lhes cada vez menos tempo para a função para a qual efetivamente foram criados. Gostaríamos que a
burocracia dos organismos diminuísse, ou fosse otimizada, através da comunicação dos diversos organismos públicos.

Quais os serviços que prestam, em particular?

A atividade de contabilidade (onde se inclui, evidentemente, o tratamento de todas as questões contabilísticas e fiscais) é o principal serviço que prestamos. Paralelamente, apoiamos as empresas na área administrativa (consoante as necessidades de cada cliente), damos apoio aos Recursos Humanos, fazemos a preparação de payroll, elaboração de candidaturas a apoios à contratação, etc. Prestamos ainda serviços de apoio ao expediente
geral de escritório, designadamente faturação, controlo bancário e de contas correntes, tratamentos relativos a apoios respeitantes à Covid-19, etc. Apoiamos os empreendedores desde o início da ideia de negócio, ao planeamento e execução do mesmo, bem como, todo o apoio necessário à criação da empresa, obviamente com o apoio de parceiros especializados
(notário, advogado, solicitador, etc).

Como definiria a vossa carteira de clientes? PME’s, na sua maioria?

Sim, a maioria serão PME’s, bem como alguns trabalhadores independentes, embora tenhamos algumas clientes de âmbito multinacional de dimensão significativa. Temos uma carteira de clientes vastíssima, em diferentes áreas de negócios, e de dimensões completamente distintas.

Quais os principais desafios que as empresas nacionais enfrentam, sobretudo no que respeita às questões fiscais, que podem dificultar o seu próprio crescimento?

Em nossa opinião, existem demasiadas obrigações fiscais, de controlo e de reporte, algumas delas algo redundantes, e que acabam por sobrecarregar administrativamente as empresas. E não falamos apenas da parte fiscal, mas também de toda a parte do controlo estatístico. Compreendemos, naturalmente, a importância da sua existência, mas urge rever a
pertinência de grande parte destas obrigações.

O investimento em Portugal está a atravessar um período positivo, com o país a gerar interesse, quer a investidores nacionais como internacionais. Como se posiciona a Prime Century na ajuda a esses clientes?

Embora a área de candidaturas a programas de investimento não seja o nosso core, e
disponhamos de parceiros que, esses sim, se dedicam em exclusivo a essa área, prestamos
apoio na ligação entre o nosso cliente e esses parceiros.

Quão importante é a posição do contabilista e consultor financeiro nas empresas, de forma a assegurar um bom planeamento futuro?

O papel do contabilista certificado é absolutamente fundamental. Grande parte das empresas portuguesas tem uma dimensão reduzida, muitas vezes familiar, e com estruturas pouco definidas, especialmente nas áreas que não sejam as da sua atividade principal. Nessa
medida, o papel do “CC” acaba por ser decisivo, não só na monitorização da atividade, no sentido da tomada de decisões em tempo oportuno, como também na identificação de oportunidades de poupança ou de obtenção de apoio financeiro, por exemplo.

Como perspetiva o ano de 2022, no que se refere ao panorama económico nacional?

Esperamos que seja no ano de 2022 que todos retomemos a nossa vida “normal”. Essa retoma espera-se que possa, finalmente, ser igualmente sentida pelas empresas portuguesas, em alguns setores significativamente abalados pela diminuição da atividade, designadamente os setores ligados ao turismo, especialmente o alojamento e restauração, que vinha a ser, nos
últimos anos pré-pandémicos, o grande motor da economia portuguesa. Com a reeleição do atual Governo, prevê-se que Portugal tenha um crescimento mais sustentado, pois é expetável que não existam grandes mudanças a nível de políticas económicas e sociais existentes à data. O país anseia por estabilidade social e económico-financeira.

Relativamente à Prime Century, que planos existem para este ano? É possível um crescimento?

O período de pandemia em Portugal acabou por ser bastante trabalhoso para as empresas da
nossa área. Também por isso, acabaram por ser anos de consolidação e crescimento da nossa
atividade e, no fim, tivemos mesmo necessidade de aumentar a nossa equipa de trabalho.
Esperamos que o ano de 2022 consolide ainda mais essa evolução, e tendo em conta as
perspetivas de negócios que existem, e ainda os negócios que já se confirmaram, é expectável um crescimento da nossa atividade entre os 5 e os 10% para este ano. A Prime Century tem sido bafejada pela sorte pois desde a equipa, aos clientes, passando pelos fornecedores e todos os parceiros que, direta ou indiretamente, têm cruzado o nosso percurso, tudo nos tem permitido de forma lenta, mas sustentada, um crescimento
constante.

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