“A IoT veio revolucionar a área da tecnologia”

A NOVAGEO Solutions foi fundada em 1992 e, desde então, pauta a sua atividade de fornecimento de serviços de software por uma forte componente tecnológica. O engenheiro Manuel Arcângelo, o diretor-geral, em entrevista à Valor Magazine, destacou as áreas de trabalho da NOVAGEO Solutions e a forma como este setor evoluiu.

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De 1992 até ao presente, que análise faz da evolução da tecnologia presente nas empresas, particularmente as nacionais?


São três décadas de evolução tecnológica, o que é imenso para qualquer ramo de atividade, mas ainda mais para os sistemas de informação geográfica. Por exemplo, para a criação de modelos de terreno passámos da utilização de equipamentos dedicados e pesados, como as estações de fotogrametria analógicas, para equipamentos totalmente autónomos, alojados algures na web, que processam milhares de fotografias numa fração do tempo e com um erro muito inferior. Outro aspeto da evolução tecnológica são as nossas aplicações móveis, com as quais qualquer cidadão pode contribuir voluntariamente com informação geográfica para a melhoria da sua comunidade. Mas, mais importante do que a tecnologia, houve uma
enorme evolução na padronização dos modelos de dados; hoje temos em vigor a Diretiva INSPIRE, uma iniciativa da UE que visa facilitar a partilha de informação entre os vários Estados-membros, recorrendo a um modelo único de representação de informação espacial. Este modelo abrange as mais variadas áreas, desde o Ambiente à Saúde, passando pelo cadastro de equipamentos ou pelas redes de saneamento, num total de 34 temas, e a
Novageo orgulha-se de estar na vanguarda da implementação de sistemas
nativos INSPIRE.

Em que áreas se podem aplicar os vossos softwares?

Mais do que fornecer software, a Novageo presta serviços diversificados que, obviamente, incluem a disponibilização de software na modalidade de Software as a Service (SaaS) para a área de cadastro nos seus mais variados temas, ou aplicações móveis para smartphone, as quais agilizam a comunicação dentro de comunidades (municípios, associações, sindicatos,
clubes, federações, ordens profissionais, freguesias, etc), ao mesmo tempo que fomentam a disponibilização voluntária de informação geográfica. Mas os nossos serviços também contemplam atividades mais ligadas à terra, como sejam a realização de voos com drone para criação de modelos de terreno, ou a realização de controlo de qualidade na produção cartográfica. Para a área de cadastro os nossos clientes típicos são os municípios e as
comunidades intermunicipais, mas também temos algumas empresas na área de gestão de infraestruturas (estradas ou ferrovias), e exploração de recursos (agrícolas ou minerais).

Que soluções tecnológicas apresentam, em cada uma das vossas áreas de atuação, que importa destacar?

Prestamos serviços para várias áreas, desde o cadastro e gestão de infraestruturas, até à proteção civil, passando ainda pela agricultura de precisão. A nossa coqueluche é o niuGIS, uma ferramenta multifinalitária, totalmente disponível na web, que permite a gestão de toda a informação geográfica de uma instituição. Com esta ferramenta podemos gerir a informação de todas as parcelas de qualquer cadastro, seja ele de prédios urbanos ou rústicos, seja de equipamentos escolares, sociais, ou de saúde, seja de redes de utilidade pública, ou de redes viárias. Como complemento temos a facilidade de integrar qualquer workflow, desenhado à medida de cada serviço na cadeia de valor do cliente, tornando-o extremamente fácil
de gerir. Conseguimos assim saber sempre em que estado estão as várias atividades a
desempenhar por cada interveniente. Outra solução tecnológica é a criação de modelos
digitais de terreno, que começa sempre com a captação de imagem aérea através da realização de voos com drone. Podemos assim otimizar os recursos humanos necessários, entregando um trabalho mais rápido e de melhor qualidade do que os levantamentos tradicionais. Ultimamente temos vindo a desenvolver outras tecnologias, focando as áreas da mobilidade, de business intelligence, da Internet das Coisas e também da informação geográfica voluntária. A utilização de smartphones, com toda a sua ubiquidade e os
seus sensores, é uma forte aliada da geografia e do conhecimento da terra (a nossa povoação) e da Terra (o nosso planeta no global).


A Diretiva INSPIRE é uma diretiva europeia que foi transposta para a legislação nacional e permite dotar todos os Estados-membros de uma infraestrutura de dados espaciais comum. Qual a importância desta Diretiva e como se posiciona a NOVAGEO Solutions para concretizar a mesma?

Esta é umas das pedras basilares na nossa prestação de serviços. Numa época em que todos
tomamos consciência de que as alterações climáticas são reais, temos ainda dificuldade em
comparar dados entre municípios vizinhos, quanto mais entre dois países. É aqui que a
Diretiva INSPIRE entra, permitindo-nos olhar de forma comparativa para os dados de todas as
regiões e países da Europa como se fossem uma única fonte de dados. A Novageo, ao longo dos últimos anos, transformou as suas ferramentas para que tenham por base o modelo de dados do INSPIRE e, ao mesmo tempo, possam incorporar todas as boas práticas desta diretiva, mesmo quando são implementados temas não previstos.


Cada vez mais, e tendo em consideração a pandemia e as restrições aplicadas à liberdade de circulação dos indivíduos, as soluções de mobilidade são importantes. A NOVAGEO Solutions sentiu o impacto da necessidade deste tipo de software nas empresas, aquando do período de confinamento?

Esta pandemia teve um impacto inesperado na nossa oferta. Tornou-se óbvio que para ser mais eficaz, a mobilidade era crucial para o apoio que as instituições que estão mais perto dos cidadãos, neste caso as juntas de freguesia, prestam. Nesta situação não tivemos dúvidas, e colocámos gratuitamente a nossa plataforma de gestão de comunidades ao serviço das juntas de freguesia que assim o entenderam. Sentimos esse apelo de responsabilidade social e não podíamos deixar de responder.

Quais serão as áreas que terão maior evolução, no futuro, associada, precisamente, a uma maior aposta na tecnologia?

A massificação da disponibilização de dados recolhidos por satélite na área da deteção remota, nomeadamente para as áreas de agricultura e ambiente, mas também para o planeamento urbano, é algo a que estamos particularmente atentos. Os satélites europeus disponibilizam imagens gratuitas, com uma excelente resolução, e que nos permitem alargar a nossa oferta de serviços de conhecimento da terra (a nível global e local). Também não temos dúvidas que a Internet das Coisas é uma área que está a revolucionar este
mundo das tecnologias. Cada equipamento que temos em casa tem um computador incorporado, que sente o mundo à sua volta, e comunica aquilo que sente. Só precisamos de saber “escutar” esses equipamentos.

Como irá a NOVAGEO Solutions posicionar-se para o futuro, no que respeita ao investimento em novas áreas e à criação de novas soluções tecnológicas, que respondam a desafios novos?

A nossa oferta irá tornar-se, ao mesmo tempo, mais especializada e mais generalista; deixe-me explicar melhor: mais especializada, porque acreditamos que detemos um capital de
conhecimento suficiente para oferecer soluções verticais, muito específicas para determinados
setores, como é o caso da gestão de equipamentos sociais cuja competência está a
passar do governo central para as autarquias. Hoje em dia já temos uma solução descentralizada, que não requer investimento inicial, pronta para fazer toda essa gestão em qualquer autarquia do país; e mais generalista porque, ao termos a Diretiva INSPIRE embutida de raiz na nossa tecnologia, temos uma maior capacidade de modelar qualquer tema da gestão, com a certeza de que estamos a seguir as boas práticas europeias (as quais, diga-se de passagem, estamos já a implementar noutros continentes – América e África – onde temos clientes).

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