Antes de criar a Bonabebe, Cátia Neves trabalhava na área da puericultura e incomodava-a ver famílias a receberem recomendações demasiado comerciais, muitas vezes sem fundamento científico, enquanto os profissionais enfrentavam horários exigentes e pouco compatíveis com a vida pessoal. Foi desse desconforto que nasceu o projeto. “Nunca quis simplesmente criar um negócio. Queria responder a uma necessidade real das famílias, oferecendo-lhes informação rigorosa e baseada no conhecimento”, explica.
Desde o início, definiu dois pilares essenciais: conhecimento e ausência de julgamento. “A parentalidade é um período de grande vulnerabilidade. As famílias chegam muitas vezes cansadas, inseguras e sobrecarregadas. O nosso papel nunca é acrescentar culpa ou julgamento. É ouvir, compreender e ajudar a encontrar a solução que melhor se adapta à realidade de cada uma”.
Assim, a Bonabebe surgiu como resposta a uma visão muito concreta: fazer diferente, com mais verdade, rigor e humanidade porque acredita que a segurança infantil começa sempre no conhecimento.
Empreender sem pensar em desistir
Ao longo da trajetória, desistir nunca foi uma opção. Perante cada dificuldade, a pergunta nunca foi se deveria parar, mas o que ainda precisava de aprender. “Nunca pensei desistir da Bonabebe, da mesma forma que nunca pensei desistir dos meus filhos. Vejo o empreendedorismo de uma forma muito semelhante à maternidade: há momentos difíceis, mas a questão não é desistir; é perceber o que preciso de aprender e de fazer de forma diferente”, revela.
Essa visão revelou-se decisiva durante a pandemia, quando a empresa transformou o atendimento presencial em vídeos, reviews e aconselhamento à distância que ainda hoje mantem chegando a dar aconselhamento desde Portugal, Brasil e até ao Japão. Mais tarde, a perda do website obrigou a equipa a trabalhar durante mais de um ano com uma solução provisória. Em ambos os momentos, prevaleceu a capacidade de adaptação. “Sempre que surgiu um problema, procurei perguntar-me o que me estava a escapar, onde precisava de ajuda e o que ainda tinha de aprender. A curiosidade acabou sempre por ser mais forte do que o medo”. É essa perseverança que, para si, define o verdadeiro empreendedorismo: a capacidade de responder aos obstáculos com criatividade e humildade.

Liderar também é aprender
Ser mãe alterou profundamente a forma como Cátia Neves lidera a empresa. Mais do que lhe dar respostas, a maternidade permitiu-lhe compreender a pressão constante a que muitas mulheres estão sujeitas. “Ser mãe fez-me perceber a enorme pressão que muitas mulheres vivem diariamente. Existe uma expectativa permanente de perfeição e uma tendência constante para julgar todas as decisões relacionadas com os filhos”.
Foi por isso que quis construir na Bonabebe um espaço diferente, onde nenhuma mãe se sentia culpada pelas suas escolhas. “O nosso objetivo é que nenhuma mulher saia da Bonabebe a sentir-se uma má mãe apenas porque tomou uma decisão diferente daquela que alguém considera ideal”, destaca. Na prática, isso traduz-se numa escuta atenta, aconselhamento adaptado e recusa absoluta de julgamento.
Além disso, acredita que a liderança não se mede pelo domínio de todas as respostas, mas pela capacidade de continuar a aprender. “Nunca achei que um líder tivesse de saber tudo. Pelo contrário. Liderar também é estudar continuamente, fazer perguntas, reconhecer quando não sabemos e ter humildade para continuar a aprender”. Uma filosofia que se reflete na cultura da empresa, onde o rigor técnico caminha sempre ao lado da empatia.
Uma marca portuguesa feita de proximidade
Num mercado altamente competitivo, a Bonabebe encontrou na autenticidade o seu principal fator diferenciador. Além da seleção criteriosa de produtos, a loja foi concebida para proporcionar uma verdadeira experiência às famílias, desde um Beetle onde as crianças podem brincar até uma árvore onde os pais deixam fotografias. “Somos conhecidos pela forma como recebemos as famílias. Quer entrem de roupa de praia, quer venham diretamente do trabalho, queremos que sintam que estão em casa”.
Essa proximidade traduz-se na fidelização de muitas famílias, que regressam para o segundo ou terceiro filho e, muitas vezes, mantêm a relação mesmo quando já não necessitam de adquirir produtos. “É impossível escolher apenas uma história, porque o propósito da Bonabebe não se revela num único momento. Revela-se em centenas de pequenos momentos que, juntos, nos lembram diariamente porque fazemos aquilo que fazemos”, resume. Entre esses momentos estão mães que entram na loja exaustas e saem mais confiantes por se sentirem finalmente ouvidas. “Se conseguirmos que uma família saia da Bonabebe mais tranquila e mais confiante do que entrou, mesmo que não compre nada, sentimos que já cumprimos uma parte importante da nossa missão”, assegura.
O sucesso mede-se pelas pessoas
Quando olha para o percurso da Bonabebe, Cátia Neves revela que o maior motivo de orgulho é a equipa e a cultura que conseguiu construir. “O maior sucesso da Bonabebe é perceber que os nossos valores já não dependem de mim. Vivem em cada pessoa da equipa e em cada família que entra na nossa loja. Isso dá-me a certeza de que estamos a construir algo que perdurará muito para além de uma pessoa”.
Nos próximos anos, a empresa prepara o lançamento de uma nova plataforma digital, a expansão da loja e do armazém e a integração de novas marcas. Ainda assim, o propósito mantém-se inalterado. “Não acredito que exista uma fórmula pré-definida para o sucesso no empreendedorismo, da mesma forma que não existe uma fórmula para ser mãe. O que me ajudou foi estudar, ouvir, errar, corrigir e nunca deixar de aprender”, conclui.
É essa cultura, assente no conhecimento, respeito e empatia, que faz da Bonabebe muito mais do que uma empresa. Um projeto com alma, cuja missão se resume numa ideia simples, mas poderosa: proteger crianças através do conhecimento e cuidar das famílias através da confiança.











