Houve algum momento em que percebeu que queria deixar de construir a visão de outros para concretizar a sua própria?
A decisão de criar o meu próprio projeto surgiu da vontade de abraçar o desconhecido, de uma experiência que vivi de perto com uma conhecida e do local onde trabalhava, estar a atravessar uma fase menos positiva. Tudo isto, acabou por funcionar como uma espécie de alavanca para tomar a decisão. Foi um salto para o desconhecido, com muitos desafios e algumas incertezas, mas também com a convicção de que queria criar um projeto com a minha identidade, os meus valores e a forma como acredito que o Direito deve ser exercido.
Acredita que ainda existem barreiras invisíveis à afirmação feminina nos negócios?
Claro, sem dúvida. Ainda existe muitas barreiras, ao facto de nós, mulheres, liderarmos negócios, especialmente em áreas tradicionalmente mais formais, como é o caso da área jurídica. Ao longo do meu percurso, aprendi a encarar essas barreiras não como obstáculos, mas como oportunidades para crescer. Cada desafio tornou-se uma oportunidade para me afirmar enquanto profissional e, acima de tudo, para reforçar a minha confiança nas minhas próprias capacidades. Acredito que podemos criar o nosso próprio caminho, liderar com autenticidade e demonstrar, através dos resultados, que competência, dedicação e capacidade de liderança não têm género.
Como é que a dimensão humana da sua atividade, ligada a pessoas que procuram recomeçar a vida em Portugal, influencia as decisões que toma?
Está muito presente em todas as decisões que tomo. Enquanto líder, essa realidade também me lembra diariamente da importância de construir uma equipa que partilhe os mesmos valores. Para mim, liderar é garantir que conseguimos crescer e inovar, sem perder a proximidade e a humanidade que estão na base do projeto. No fundo, saber que o nosso trabalho pode ajudar alguém é uma enorme responsabilidade, mas também uma das maiores motivações para continuar a crescer.

Qual foi o maior risco profissional que assumiu até hoje e que lição retirou dessa experiência?
Sem dúvida que o maior risco profissional que assumi até hoje foi decidir deixar a minha realidade profissional anterior e criar o meu próprio projeto. Foi uma decisão que implicou sair completamente da minha zona de conforto, sem saber exatamente onde este projeto me iria levar. Hoje, olhando para trás, percebo que foi também uma das melhores decisões que tomei. E é por isso que anuncio em primeira mão que o nosso escritório vai crescer de novo. Em setembro, iremos abrir um novo escritório em Vila das Aves, assente numa parceria com a empresa que trabalha connosco desde o nosso começo com as traduções dos documentos.
Que mensagem deixa às mulheres que sonham criar o seu próprio negócio, mas continuam à espera do “momento certo”?
Para não esperarem pelo momento certo, porque, na verdade, esse momento nunca vai chegar. Eu também tive medo, dúvidas e incertezas, mas aprendi que, muitas vezes, precisamos simplesmente de coragem e acreditarmos em nós, para dar o primeiro passo. O caminho faz-se caminhando, haverá dias difíceis, decisões complicadas e momentos em que vamos questionar as nossas escolhas, mas cada desafio também nos torna mais fortes e mais preparadas. Acreditem em vocês, tenham coragem para começar e não esperem pela aprovação de ninguém para construir aquilo em que acreditam. Porque, afinal, nós mulheres também podemos tudo: empreender, liderar, crescer e afirmar-nos profissionalmente. Basta acreditarmos em nós e termos coragem para dar o primeiro passo.











