Escalar: o grande desafio para a comunidade de startups em Portugal

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É inegável o valor que as startups em Portugal, e que todo o ecossistema de empresas tecnológicas, já aportou à nossa economia. Desde que, há pouco mais de seis anos, começaram a ser lançadas políticas públicas ativas para promover e atrair o talento tecnológico para Portugal, os resultados são evidentes. Mais de 2100 startups, mais de mil e quinhentos milhões de euros investidos em startups portuguesas em 2021 – triplicando o recorde já atingido em 2020 -, sete unicórnios (empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares) fundados por empreendedores portugueses.

Hoje, o valor dos unicórnios fundados por portugueses totaliza 37 mil milhões de euros – uma valorização que equivale a 34% do valor das empresas cotadas no PSI20. O ecossistema português de startups é ainda jovem,
mas cresce a um ritmo constante, representando cerca de 1,1% do PIB do país.

Mas não só de startups vive este ecossistema. Na verdade, só as tecnológicas e centros de desenvolvimento tecnológico instalados em Portugal, criaram mais de 100 mil novos empregos, desde 2016, e mais de 27 mil empregos só em 2022. A exportação de serviços de informática atingiu os 3,3 mil milhões de euros, em 2021, o que corresponde a 12% do valor total da exportação de serviços.

Em 2021, Portugal foi o país que mais cresceu no número de pedidos de registo de patentes na Europa – e dentro das empresas que mais contribuíram para este movimento estiveram a Feedzai (17 patentes) e a Sword Health (12 patentes), ambos unicórnios fundados por talento português.

São evidências que o potencial existe na nossa economia mas o que é certo é que outros países já identificaram o ecossistema empreendedor como uma mais valia para o desenvolvimento das suas economias. Pode ver-se o caso do Governo Espanhol que já legislou o uma “Lei de Promoção do Ecossistema de Startups” ou do Governo Alemão, que assumiu na sua estratégia para o Empreendedorismo que “o sector das startups deve ser o driver do crescimento da economia do país”.

Temos assim que nos concentrar nesta prioridade e lançar novas medidas e investimentos que venham resolver os desafios que enfrentamos.

Os benefícios são muitos e evidentes. Na verdade, só quem não quer é que não os vê. Perante estes números, é claro que esta é uma aposta ganha. Temos hoje em Portugal a geração mais qualificada de sempre e seria um desperdício não lhe dar as ferramentas necessárias para que possam criar empresas com componente de inovação. 2022 foi já um ano de conquistas: estão a ser implementadas as primeiras iniciativas da Nova Lei
de Startups com o novo enquadramento legal de Startup, que vai permitir avaliar melhor as necessidades e as iniciativas dirigidas às startup e o novo regime fiscal para as stock options; foram lançados os Vouchers para Startups – Novos Produtos Verdes e Digitais – um instrumento de financiamento no montante total de 90 milhões de euros, que vão ser aplicados em três mil startups e a comunidade empreendedora portuguesa continua vibrante, com a Web Summit a bater recordes de assistência (mais de 70 mil participantes).

Mas ainda há muito por fazer – é preciso continuar a investir nestas empresas, e principalmente, no nosso talento. Eis três vetores que considero fundamentais:

-Implementar as restantes medidas da Nova Lei de Startups – é fundamental continuar a acompanhar a
evolução do ecossistema com medidas legislativas, de fomento e de investimento que acelerem os processos de atração de talento, criação e desenvolvimento de novas empresas tecnológicas em Portugal;

-Capacitar e investir nas incubadoras – sem dar às incubadoras as ferramentas de que necessitam para melhorarem o apoio às suas startups, não veremos fundadores mais apoiados na nossa comunidade. Por isso, é importante dar recursos que permitam a estes agentes crescer em talento e em capacidade de resposta às startups que queremos atrair para a nossa comunidade;


-Reforçar e melhorar mecanismos de atração de talento e investimento – eliminar a burocracia dos processos para startups, tão desalinhados com as necessidades de celeridade que empresas da sua natureza apresentam, assim como criar as regras fiscais que permitam gerar mais confiança do lado dos investidores internacionais, não obrigando assim as nossas startups a deslocalizar as suas sedes para outros países.

Temos todas as ferramentas para conseguir dar os passos que podem fazer a verdadeira diferença no nosso ecossistema e, por consequência, na nossa economia. 2023 é o ano para os acelerar!

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