O Dia Mundial da Fisioterapia é uma oportunidade de reflexão sobre o papel da promoção da saúde. Continua a existir uma visão redutora da Fisioterapia como resposta apenas à lesão ou à dor? O que é necessário mudar?
Existe de facto uma visão redutora da Fisioterapia praticada no nosso país. Para além da resposta à lesão e à dor, a Fisioterapia atua em áreas ainda pouco exploradas como Oncologia, Reumatologia, Terapia Tecnológica Robotizada aplicada à marcha e à independência e Fisioterapia preventiva desportiva e laboral, entre outras. Para mudar esta perceção, é essencial refletir sobre a incapacidade de um Fisioterapeuta conseguir atender com qualidade quatro a cinco doentes por hora, como é feito em algumas Clínicas, nomeadamente as do SNS. Para reduzir listas de espera, o Governo decidiu instituir a Telefisioterapia, que é uma má solução quando utilizada de forma isolada. Não devemos confundir Fisioterapia com a simples prescrição de exercícios através de Inteligência Artificial.
Na minha opinião, o melhor método para garantir acesso a Fisioterapia de qualidade é permitir a utilização de credenciais do SNS em Clínicas de confiança terapêutica, e não em Fisioterapias tipo “linha de montagem”, recorrendo depois à Inteligência Artificial como complemento ao acompanhamento evolutivo do doente.
A Advantageffect leva serviços diferenciados a regiões onde o acesso a estes é mais limitado. De que forma a inovação em Fisioterapia pode reduzir as desigualdades no acesso à saúde?
Apostamos em Cuidados diferenciados porque aquilo que é de qualidade não deve estar reservado ao Litoral e aos grandes centros urbanos. Os Cuidados de Saúde Avançados devem estar disponíveis para todos. Enquanto Grupo de Saúde ligado à região Centro, este é o nosso contributo para a evolução da Saúde no interior.
“Apostamos em Cuidados diferenciados porque aquilo que é de qualidade não deve estar reservado ao Litoral e aos grandes centros urbanos. Os Cuidados de Saúde Avançados devem estar disponíveis para todos”
A prevenção é hoje um dos maiores desafios. Que papel deve a Fisioterapia desempenhar para evitar o agravamento de patologias, reduzir o recurso à medicação e melhorar a qualidade de vida da população a longo prazo?
A Fisioterapia deve assumir um papel mais forte na prevenção e no acompanhamento continuado. Tal como a Medicina intervém na prevenção da hipertensão, diabetes ou colesterol, também deveria existir acompanhamento fisioterapêutico continuado na sarcopenia, na paralisia cerebral ou após um AVC. Nas patologias crónicas, os cuidados não deveriam limitar-se a tratamentos pontuais duas ou três vezes por ano. Na Advantageffect realizamos acompanhamentos continuados. Os acordos com seguradoras facilitam o acesso e reduzem o encargo para o doente. Este modelo deveria ser estudado pelo serviço público para garantir cuidados de Saúde em tempo útil.
A Advantageffect encontra-se a desenvolver um novo projeto. O que pode revelar sobre este?
Sim, estamos a tentar desenvolver um novo modelo Clínico inspirado nos Cuidados de Saúde premium do Norte Europeu, assente num ambiente tranquilo e integrado na natureza. Pretendemos favorecer o bem-estar e a recuperação através de contextos naturais. Faz-nos sentido, por exemplo, que um doente caminhe dois quilómetros ao ar livre, acompanhado pelo Fisioterapeuta, em vez de realizar a mesma distância numa passadeira, num ambiente artificial. Existe evidência científica sobre o impacto da natureza na Reabilitação Física, na dor, no stress e na mobilidade.











