Há 140 anos a proteger a propriedade intelectual

Manuel da Cunha Ferreira é a quinta geração da família Cunha Ferreira a trabalhar enquanto Agente Oficial de Propriedade Intelectual (AOPI). O A.G. da Cunha Ferreira nasceu no século XIX e, desde então, o compromisso para com os clientes sempre guiou esta empresa que protege a Propriedade Intelectual. Atravessou duas Grandes Guerras e, agora, uma pandemia, mas o serviço nunca parou e os clientes continuam a ver os seus pedidos respondidos. A adaptação é requisito obrigatório de uma empresa com 140 anos e Manuel da Cunha Ferreira explica como.

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Manuel da Cunha Ferreira, partner e AOPI

O que pode ser considerado “propriedade intelectual” e qual a importância de a proteger?

A Propriedade Intelectual pode ser definida como o conjunto de direitos provenientes de criações humanas e divide-se em dois grandes ramos: o primeiro, dos “Direitos de Autor e Direitos Conexos” e o segundo dos “Direitos de Propriedade Industrial”, relativos a marcas, patentes, desenhos ou modelos, entre outros. Ainda que não seja obrigatório o registo destes direitos, é extremamente aconselhável que seja realizado. Só assim terão ao seu dispor todos os expedientes legais disponíveis na prossecução e proteção dos seus direitos.Com efeito, e dando como exemplo os Direitos de Propriedade Industrial, o registo permitirá aos titulares desse exclusivo, protegerem-se contra uma utilização não autorizada das suas patentes, marcas e desenhos ou modelos, e ainda, de assegurarem que não existem criações idênticas ou semelhantes às suas. Assim, é nosso objetivo sensibilizar o mercado para a importância deste tipo de direitos enquanto ativo fundamental de uma empresa e, como tal, na necessidade do seu registo. Mais, tentamos salientar que o registo dos seus direitos é apenas o primeiro passo a tomar na defesa dos mesmos, uma vez que esta defesa deve ser constante e permanente.

Esta empresa atravessou duas guerras mundiais e nunca os seus colaboradores deixaram de cumprir as suas funções. Neste momento que atravessamos, quais as adaptações que foram feitas para garantir aos clientes o serviço de sempre?

Em primeiro lugar, fomos capazes de fazer uma transição muito rápida e eficaz para o regime de teletrabalho, garantindo que todos os colaboradores dispunham das mesmas ferramentas que tinham aquando do cumprimento das suas funções na sede da empresa. Fomos também capazes de garantir a manutenção de todos os colaboradores, todos eles com papéis essenciais para o bom funcionamento da nossa empresa. Mais, tornámos possível o contacto a qualquer hora, quer telefónico quer via email, entre os nossos clientes e os nossos Agentes Oficiais da Propriedade Industrial, o que acabou por tornar a nossa relação ainda mais próxima.

Como conseguiram continuar a servir os clientes, mesmo nas duas guerras mundiais que o mundo atravessou?

Comparando com a atual “guerra” que atravessamos, nesses contextos acrescia uma dificuldade, a grande limitação dos meios de comunicação. Assim, por exemplo, na Segunda Guerra Mundial, o A.G. da Cunha Ferreira decidiu garantir a manutenção de todos os direitos do clientes, mesmo não tendo instruções dos próprios. À posteriori, se possível, obtínhamos as devidas instruções e se o cliente não desejasse manter o seu direito, os custos eram assumidos pelo A.G. da Cunha Ferreira. O nosso grande objetivo foi sempre, e ainda se mantém, o de nunca colocar em risco os direitos dos nossos clientes, ainda que tal se traduzisse em prejuízo para a empresa.

Todos os vossos colaboradores estão em teletrabalho?

Sim, de momento todos os nossos colaboradores estão em regime de teletrabalho. Com os meios e ferramentas que existem atualmente, a transição correu sem problemas de maior. Foi um desafio diferente, mas soubemo-nos adaptar com relativa facilidade, até como tem sido hábito na longa história da nossa empresa.

Que balanço faz deste período de trabalho?

Tendo em conta as dificuldades inerentes ao período em que vivemos, tenho de fazer um balanço positivo. Foi uma situação diferente, com particularidades muito próprias, que acabou por nos permitir retirar ilações muito interessantes sobre o método de atuação que tínhamos. Serviu também para confirmar o que já sabíamos, que contamos com uma excelente equipa, cheia de colaboradores muito profissionais e dedicados, quer à empresa quer aos seus clientes.

Que diferença se sentiu no mercado?

Na sua generalidade, todos os negócios se ressentiram com o surgimento desta pandemia e o nosso não foi exceção. Para se ter uma noção, em março de 2020 registaram-se, aproximadamente, menos 25% de pedidos de registo de marca junto do Instituto Nacional da Propriedade Industrial do que no mês anterior. Como seria de esperar, as prioridades das pessoas e empresas estavam focadas noutros temas, mas agora, estando a vida das empresas e trabalhadores cada vez mais integrada neste “novo normal”, o mercado vai começando a reagir positivamente.

Enquanto bisneto do fundador da empresa e a 5ª geração de AOPI, como é que isso o faz sentir?

Em primeiro lugar, faz-me sentir orgulhoso. Não existirão, com certeza, muitas empresas que se possam orgulhar de ter uma história tão rica e longa como o A.G. da Cunha Ferreira, com muitos colaboradores a fazerem todo o seu percurso profissional sempre na mesma empresa, e mais, que possam ter várias gerações da mesma família a dar continuidade ao esforço e trabalho dedicado na vida desta empresa.

Como se desenha o futuro do A.G. Cunha Ferreira?

Numa era de globalização, onde o poder da Propriedade Intelectual, sejam marcas, patentes ou outro, se torna cada vez mais forte para o sucesso do negócio, a proteção da mesma é essencial. Isto aplica-se tanto a pequenas, como médias ou grandes empresas. A nossa expectativa é que a procura pela proteção da Propriedade Intelectual se intensifique e, por isso, a missão do A.G. da Cunha Ferreira é garantir que continuamos a responder às necessidades dos nossos clientes com a excelência e dedicação que os acostumámos. Temos, para isso, alicerces fortes, sustentados em 140 anos de know-how que nos permitiu desenvolver um conjunto de profissionais altamente especializados, orientados pela integridade, rigor e compromisso na prossecução dos seus deveres.

www.agcunhaferreira.pt

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