“Ir ao dentista ainda não é uma prioridade”

Octávio Ribeiro é o diretor clínico da Corpus Dental, que se apresenta como um espaço dedicado à Medicina Dentária que dispõe, também, de outras especialidades médicas. Nesta entrevista, a importância da visita regular ao dentista e a garantia de segurança em todos os procedimentos clínicos estão em evidência.

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Octávio Ribeiro, médico dentista e diretor clínico

Qual a importância desta complementaridade entre especialidades?

A Medicina Dentária tem um leque de atuação mais abrangente do que se julga. A primeira palavra que nos vem à cabeça é “dentes”. E tenho a certeza que era o grande foco de atuação, desta subárea da Medicina, até fins dos anos 80 do séc. XX. No início da década de 90, começou-se a dar importância às estruturas anexas dos dentes (gengiva, osso, músculos, articulação…) e atualmente ninguém descarta a importância da área, na prevenção de doenças cardiológicas, gastrointestinais, Psiquiatria, Psicologia e Nutrição. Um sorriso bonito e funcional, aliado a bons hábitos físicos e alimentares, ainda não é prioridade na sociedade portuguesa, mas estamos por cá para alertar para esse facto.

Que especialidades ligadas à saúde oral tem na clínica?

É impossível um médico dentista conseguir dominar todas as áreas ligadas à Medicina Dentária. Assim, é necessário construir uma equipa que consiga abranger todas as áreas da saúde oral. O nosso diretor clínico para a Medicina Dentária (Dr. Octávio Ribeiro) é o responsável pela reabilitação oral dos nossos pacientes. A reabilitação oral inclui áreas como a prótese fixa e removível, Oclusão, Implantologia e Periodontologia (doenças das gengivas e tecidos moles). A Dr.ª Vanessa Almeida atua na área de Dentisteria (restauração dos dentes), Endodontia (tratamento de canal) e Implantologia. A Prof.ª Dr.ª Ana Paula Botto é ortodontista (aparelho dos dentes) e a Dr.ª Carla Lourenço, para além de ortodontista, implantologista e periodontologista, também atua em Odontopediatria.

Qual a importância de um bom acompanhamento da saúde oral?

A Medicina Dentária tem três áreas gerais de atuação: a prevenção, o tratamento da dor e a reabilitação estética/funcional. A prevenção ajuda a manter a nossa cavidade oral equilibrada, tanto ao nível das peças dentárias (ausência de cáries), como ao nível dos tecidos moles (ausência de inflamação das gengivas, por exemplo). A prevenção permite atuar precocemente na patologia, garantindo tratamentos mais rápidos, eficazes e mais baratos. O aumento da higiene oral aliado a uma modificação da dieta (mais frutas e eliminação dos açúcares) são os pontos mais focados nesse acompanhamento.

Qual a periodicidade indicada para as visitas ao dentista?

A periodicidade anual para as visitas ao dentista depende de fatores fisiológicos próprios de cada indivíduo. Mas é consensual a vinda de seis em seis meses. O médico dentista faz uma análise, nessas consultas, aos tecidos duros, tecidos moles, musculatura e articulação temporomandibular.

41% da população assume que não vai ao dentista há mais de um ano. Que consequências isso pode trazer?

O pior cenário que pode acontecer é a não deteção de cancro oral e ausência de tratamento. O cenário mais previsível é a deterioração das peças dentárias, ao ponto de ter de as extrair ou de termos de executar tratamentos conservadores, mais invasivos, como a Endodontia (desvitalização, tratamento de canal). A “não ida ao dentista” acarreta custos ao nível psicológico, fisiológico e económico.

Como vê o facto de a Medicina Dentária ainda não fazer parte do SNS?

É um erro que se está a perpetuar no tempo. O SNS já há muito tempo que devia atuar, ao nível da prevenção, nos centros de saúde, e das urgências, por dor ou trauma, a nível hospitalar. As restantes subespecialidades também deviam existir, para garantir que a população mais carenciada tenha acesso aos tratamentos que necessita.

Tendo em conta as medidas de segurança impostas pela DGS, que garantias de segurança oferece na sua clínica?

As clínicas de Medicina Dentária estão habituadas a controlar a infeção cruzada nos ambientes clínicos. Todas estão equipadas com um ou mais autoclaves (garantem a esterilização dos materiais) e possuem protocolos de desinfeção e esterilização há muito tempo definidos e com garantias absolutas de eficácia. Qual é a novidade? O controlo da qualidade do ar. Até agora tinha sido “negligenciado”. As clínicas tiveram de adquirir equipamentos que possam garantir essa esterilização do ar (raio de dois metros do equipamento) ou a desinfeção do mesmo no consultório de atuação clínica. A outra prioridade é garantir a não contaminação dos profissionais de saúde. Para isso, instituiu-se a obrigatoriedade do uso de óculos, melhorou-se a capacidade de filtração das máscaras de proteção e optou-se por adicionar mais equipamentos que impeçam a propagação de material contaminado na própria clínica.

Que análise faz do mercado pré e pós-pandemia?

Não existe alteração do mercado da “Medicina Dentária” pré e pós-pandemia. As pessoas chegaram facilmente à conclusão que as clínicas dentárias são muito seguras e que os próprios profissionais esforçam-se para garantir essa segurança. A grande modificação no cenário pós-pandémico é ao nível do vestuário dos profissionais de saúde. Essa alteração do equipamento aumentou consideravelmente a segurança pessoal.

www.corpusdental.pt

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