KUKA: na vanguarda da robótica

A KUKA é uma empresa alemã centenária, líder em soluções inteligentes de robótica e automação. Sérgio Chora, engenheiro e country manager em Portugal, salienta a diversidade de soluções de robótica e a sua aplicabilidade, com destaque para o futuro e para as novidades da área.

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Sérgio Chora, country manager

O que levou à implementação da KUKA em Portugal? Quais as características deste mercado que se destacam?

A história da KUKA remonta a 1898, quando Johann Josef Keller e Jakob Knappich iniciaram uma planta de gás acetileno na cidade alemã de Augsburg. Desde então, a empresa é sinónimo de ideias e inovações “made in Germany”. A KUKA está presente na Península Ibérica desde 1974 e instalou-se em Portugal em 1996, sobretudo devido à AutoEuropa (VW-FORD) ter arrancado a produção dos seus carros, utilizando 100 por cento de robots KUKA. A empresa continuou durante vários anos a dedicar-se quase em exclusivo à AutoEuropa e apenas em meados da década de 2000 começou a trabalhar o restante mercado nacional. Desde então temos tido um crescimento sustentado na indústria em geral e, atualmente, já contamos com um parque de robots instalados superior a 1200 unidades, abrangendo de forma transversal todos os setores industriais em Portugal, desde alimentar, plásticos, metal, moldes…

A KUKA é líder mundial em soluções de robótica e automação. Em Portugal, como caracterizaria a aposta das indústrias nestas tecnologias de ponta?

Se olharmos para a indústria automóvel, sejam OEM’s ou fornecedores destes, em Portugal temos um nível de automação à base de robótica bastante aceitável para o que é a média global. Onde Portugal está mais atrás neste tipo de soluções é na indústria em geral, onde os dados da IFR (International Federation of Robotics) nos indicam que estamos não só abaixo da média da Europa, mas também ficamos aquém da média mundial do número de robots instalados por cada 10 mil trabalhadores. Nesse sentido, temos ainda um percurso importante a fazer, mas, por outro lado, dá um grande potencial de crescimento à KUKA enquanto fornecedora deste tipo de soluções.

A indústria 4.0 é o futuro (e o presente) de muitas empresas. Como se posiciona a KUKA face a esta questão?

A KUKA fornece ferramentas de trabalho do mais inovador que existe à escala global. Se um empresário se focar simplesmente na produção que vai ganhar, na superfície que vai ocupar, no custo da instalação, nos custos de mão de obra ou no financiamento do seu projeto, ele vai ignorar aspetos tão importantes como os custos da qualidade, melhoria nas condições de trabalho dos seus colaboradores e a própria satisfação ao se verem aptos a operar este tipo de instalações. Algo que também é muito importante é a melhoria na qualidade do produto entregue ao mercado, já que a automação exige a aplicação de melhorias nos processos a montante da aplicação robótica que, sem dúvida, será uma dor de cabeça em uma fase inicial, mas torna-o capaz de aumentar a qualidade do produto, bem como a produtividade.

O desenvolvimento e a inovação estão na base da vanguarda da tecnologia. Como aposta a KUKA na Inovação e Desenvolvimento?

A KUKA tem sido uma das empresas impulsionadoras da Indústria 4.0. Além da referência que o HQ da KUKA é a nível mundial, no que toca a inovação na área industrial, a KUKA Ibéria também conta com um laboratório de inovação, um TechCenter, nas suas instalações. A principal missão deste TechCenter é aproximar os clientes de aplicações reais, onde podem verificar a utilização do robot em aplicações semelhantes às da sua fábrica. Neste TechCenter podem ser testadas novas tecnologias associadas a robots e validar a sua facilidade de utilização.

Áreas como a Saúde ou o setor Automóvel necessitam de constantes inovações técnicas e tecnológicas, pois estão em constante evolução e são setores com padrões de qualidade e exigência muito elevados. Como responde a KUKA a estes pedidos?

Na área da Saúde, a KUKA destaca-se como a primeira grande marca de robots industriais a ter um robot com certificação para aplicações médicas, enquanto no setor automóvel a KUKA continua a cumprir as expectativas do setor através de um grande investimento em I&D, que se traduz em lançamentos regulares de equipamentos muito evoluídos tecnologicamente. O mercado busca soluções completas e a KUKA oferece robots para as mais variadas áreas de atividade – automóvel, componentes para automóveis, alimentação, farmácia, plásticos, moldes, saúde, entretenimento, construção, mineração, têxtil, metal…

Em 2013 criaram o primeiro robot sensitivo, para funcionar como colaborador direto dos colaboradores humanos. Quais as principais características deste tipo de robot e a que indústrias / serviços mais se adequa?

Os robots colaborativos são robots destinados à interação direta com humanos em espaços de trabalho compartilhados. Entre as principais características que definem um robot colaborativo destaca-se a capacidade de ser instalado em ambientes sem separações físicas de barreiras de segurança que limitem a colaboração com humanos. São também simples de utilizar, com um manuseamento “hand guided” e de construção leve e fácil de instalar. Na KUKA temos novos sistemas colaborativos de alta capacidade, compostos pelo binómio dos robots industriais com a adição de películas com sensores, que os tornam sistemas com um alto nível de colaboração homem-máquina segura “PLe / SIL3”, de acordo com a ISO / Padrões TS. 15066.

Que exemplos de produtos/equipamentos inovadores gostaria de salientar?

O novo KR Quantec, o KRIontec, o novo controlo KRC5 e vários modelos de AGV’s. Além disso, e ainda dentro das novidades do seu portefólio, destacam-se o novo KR SCARA e o KR Delta. Há ainda a plataforma digital My.KUKA.com.

Quais serão os próximos objetivos a alcançar?

O principal desafio é a flexibilidade e adaptação às mudanças e à personalização cada vez mais solicitada pelo mercado. O mercado, os hábitos de consumo, a sensibilidade ao meio ambiente, implicam constantes mudanças na robótica e, portanto, os processos de automação, para serem eficientes, devem levar isso em consideração. É importante começar a trabalhar já nos desafios que o conceito da Indústria 5.0 nos traz e termos o nosso foco nestes três elementos nucleares: sustentabilidade, resiliência e abordagem “human-centric”.

www.kuka.com

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