Como é que um hobbie acabou por resultar na criação da marca Kuutungas? O que significa o nome Kuutungas?
Vivi em Angola desde criança, tendo tido contacto com os panos africanos, que na altura chamávamos «panos do Congo». Desde cedo achei interessante utilizá-los para roupa e/ou acessórios, dadas as suas características, como
por exemplo o tipo de tecido – o algodão -, os motivos e as cores. Acabou por se tornar um hobbie a execução de peças com panos africanos. A dada altura, surge a pergunta: porque não vender? Numa época em que já há negócios na Internet, julguei que o caminho a seguir poderia ser esse. O nome surge naturalmente: kutunga quer dizer costura/costurar.
O facto de a sua paixão por África a ter levado a criar este negócio permitiu-lhe também crescer, enquanto pessoa e empreendedora?
O facto de ter desenvolvido este negócio resultou da criação e execução de artigos com pano africano me ter ajudado a mitigar a saudade pela terra onde cresci, fui feliz e ter de abandonar, mas deixado lá a raiz. Aprendi
também que não basta a vida profissional, é necessário dar asas aos nossos projetos pessoais, desenvolvê-los, apoiar estruturas e continuar o contacto com pessoas que entendem o nosso sentir e nos podem compreender,
apoiar e fazer a ligação com o que mais amámos e continuamos a amar.

Que características acredita serem essenciais para o desenvolvimento deste tipo de projetos, relacionados com o aspeto cultural de uma região?
Para desenvolver projetos relacionados com a cultura de uma região penso ser essencial ter um profundo conhecimento dessa região, dessa cultura. Viver lá, não é ir visitar, estar completamente integrado, isto quer dizer seguir o costume, a alimentação, o ritual, a festa, sentir os cheiros, agarrar a mão do vizinho.

Que produtos são best sellers da marca Kuutungas?
Bolsas e Vestuário.
Enquanto empreendedora, como tem sido este caminho de desenvolver este projeto e divulgá-lo? Que dificuldades tem sentido, particularmente?
Para desenvolver o projeto, embora estivesse de posse das ideias, foi necessário a ajuda de especialistas, desde logo para a criação do site. Para a divulgação foi mais complicado, porque a ideia de que basta colocar umas fotos dos produtos na internet, nas redes sociais, na prática não é bem assim. Há que procurar ajuda profissional e foi o que fiz. Não senti qualquer dificuldade pelo facto de ser mulher.
Que conselhos pode deixar a quem quer iniciar o seu negócio – ainda que resulte de uma paixão particular ou de um hobbie?
Diria antes de mais nada que depois de saber exatamente o que se pretende, dever-se-á ter o cuidado de fazer os registos legais de marcas e/ou logos para evitar abusos futuros. Pedir a ajuda de especialistas que possam contribuir
na execução de sites, lojas online e também a divulgação do produto. É igualmente muito importante informar-se de toda a legislação em vigor. Diria também que se deverá “equipar” com muita paciência, resiliência e vontade de
seguir em frente porque encontramos sempre “pedras no caminho”, mas quem faz com paixão irá conseguir ultrapassar essas pedras.










