“O bom desempenho das mulheres contribuiu para quebrar muitos estigmas”

A engenheira Margarida Pina Bôto integrou a AA&PM depois de um processo de redescoberta da sua capacidade enquanto trabalhadora independente. Após ter trabalhado mais de uma década numa consultora, sentiu a necessidade de se atualizar a nível profissional e de iniciar trabalho por conta própria. Pouco tempo depois, a empresa com a qual colaborava – AA&PM – convidou-a a integrar a empresa e, hoje, reconhece ser uma profissional mais segura e resiliente.

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Com a experiência que já tem na sua área de atuação, o que fez iniciar esta empresa? Que mais-valia existe em ter uma empresa própria para disponibilizar os seus serviços?

A AA&PM já existia quando a integrei. Na altura, colaborava como prestadora de serviços e fui convidada a tornar-me sócia-gerente. Aceitei o desafio! Com o aumento da carteira de clientes e a diversificação dos serviços, a integração revelou-se uma mais-valia para ambas as partes e para os clientes, que passaram a beneficiar de uma oferta mais ampla.

Numa área onde os homens ainda estão em maioria – apesar de existirem cada vez mais mulheres formadas em engenharia, como lidou, ao longo da sua carreira, com alguma diferença de tratamento que possa ter existido por parte dos pares e dos clientes?

Após concluir o curso, senti discriminação em certos recrutamentos. No trabalho, em contexto industrial e maioritariamente masculino, nunca notei diferenças. Creio que o bom desempenho e responsabilidade demonstrada contribuíram para quebrar estigmas.

Que análise faz à sua área de trabalho, atualmente, considerando a presença feminina? Esta tem-se tornado mais evidente?

Nos últimos anos verifica-se um aumento do número de mulheres a exercer funções como técnicas superiores de segurança, consultoras e coordenadoras de SST, áreas que anteriormente eram tipicamente masculinas. Este aumento deve-se à competência, responsabilidade, empenho e empatia entre os trabalhadores.

Quais os principais desafios que encontrou ao longo do seu caminho até atingir a liderança? Como os superou?

O meu percurso profissional não iniciou como empreendedora. Após sair da faculdade, efetuei muitas candidaturas, mas poucas resultaram em entrevistas. Passei por diferentes experiências e decidi diferenciar-me com a frequência de uma Pós-Graduação em SHST. Assim integrei uma consultora por 11 anos, onde adquiri experiência em vários
setores industriais. Com a reestruturação da empresa, vi-me forçada a recomeçar. No entanto não era do zero,
tinha bons conhecimentos e contactos. Com um computador, redes sociais e formalidades legais iniciei atividade
como trabalhadora independente.
A pandemia trouxe uma diminuição de trabalho, no entanto optei por investir em mim: estudar, rever materiais e preparar o futuro. Mais tarde surgiu o convite para integrar a AA&PM.

A empresa está quase a completar uma década de existência. Que análise faz ao seu posicionamento, enquanto líder e profissional, ao longo deste tempo? Algo mudou em si, neste período?

Tornei-me mais estratégica, com maior visão e foco no que resulta no terreno e no que o cliente precisa. Por todos os obstáculos que superei, hoje sou mais segura e resiliente.

Quais as linhas-mestras que orientaram o seu caminho até aqui e que pretende manter ao longo do seu trajeto profissional e de liderança?

O segredo do meu trajeto está em nunca desistir. Por muitos obstáculos que surjam temos que derrubá-los e transformá-los em energia para encontrar alternativas. Ser responsável é essencial, assumir os erros e corrigi-los,
cumprir prazos e ser transparente. Assim ganhamos credibilidade, respeito e confiança. Ser proativa na procura de cursos, estar a par da legislação em vigor e ainda às necessidades dos clientes.