“Liderar é ouvir, compreender e envolver as pessoas”

Ao longo da sua carreira, Diana Ribeiro aprendeu que a verdadeira liderança não se mede apenas pelos resultados, mas pela capacidade de inspirar, envolver e criar impacto duradouro.

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O seu percurso profissional tem sido marcado por uma evolução consistente nas áreas da Qualidade, Compliance e Auditoria. Olhando para trás, qual foi o momento que considera verdadeiramente decisivo para a construção da líder que é hoje?
Não houve um único momento. Fui crescendo como profissional e como líder em cada decisão difícil, em cada auditoria e em cada projeto no qual transformei requisitos complexos em soluções úteis para as pessoas e para o negócio. Ao longo de mais de 15 anos, trabalhei com organizações de setores tão distintos como o farmacêutico, o forense, a saúde e a área laboratorial em geral.

Apesar das diferenças, existia um propósito comum: aumentar a qualidade, melhorar processos, maximizar a produtividade e gerar confiança, sempre com as pessoas no centro. Essa diversidade ensinou-me que não existem soluções universais e que liderar é ouvir, compreender o contexto e envolver as pessoas.

Assumiu recentemente um novo desafio profissional. O que representou esta oportunidade, tanto a nível profissional como pessoal?
Representou o início de um novo ciclo e a coragem de voltar a aprender. Depois de muitos anos num contexto que conhecia profundamente, senti que era o momento de sair da zona de conforto e colocar a minha experiência à prova num ambiente tecnológico, internacional e exigente. Quero continuar a aproximar qualidade, tecnologia e negócio, criando sistemas que melhorem o desempenho e transformem a conformidade em valor real.

Esta mudança coincide com uma fase marcante: sou mãe há três anos. A maternidade tornou-me mais objetiva, mais consciente das minhas prioridades e ainda mais atenta às pessoas. Não reduziu a minha ambição; deu-lhe mais propósito.

Trabalha numa área onde o rigor, a tomada de decisão e a confiança são determinantes. Que competências considera essenciais para uma mulher afirmar a sua liderança nestes contextos altamente exigentes?
A competência técnica é indispensável, mas não chega. É preciso comunicar com clareza, saber ouvir, decidir com coragem e manter coerência entre o que se diz e o que se faz. Aprendi que não precisamos de pedir desculpa por sermos firmes, ambiciosas ou exigentes. A liderança não se afirma por falar mais alto, mas pela preparação, pela consistência e pelos resultados. Liderar é também criar condições para que outras pessoas cresçam.

Ainda persiste a ideia de que as áreas ligadas à qualidade, auditoria e compliance são mais técnicas do que humanas. De que forma procura demonstrar que a liderança nestes setores também passa pela capacidade de inspirar pessoas, criar cultura e gerar confiança?
Nenhum sistema de gestão funciona apenas porque está bem documentado. Podemos ter bons procedimentos e ferramentas, mas, se as pessoas não compreenderem o propósito, o sistema nunca fará parte da organização. Trabalhei com sistemas de gestão, LIMS, gestão documental, auditorias, CAPA, indicadores e digitalização de processos.

Em todos esses contextos, confirmei que a tecnologia só cria valor quando resolve problemas reais. A Qualidade não deve controlar pessoas nem acrescentar burocracia; deve ajudá-las a trabalhar melhor, prevenir erros, decidir com mais informação e confiar nos processos.

Ao longo da sua carreira, encontrou desafios ou preconceitos por ser mulher em funções de liderança? Como transformou esses momentos em oportunidades de crescimento e afirmação profissional?
Sim, sobretudo em contextos técnicos e comerciais, nos quais senti, por vezes, que a minha competência era testada de forma diferente. Essas situações ensinaram-me a preparar-me, a não diminuir a minha voz e a deixar que os resultados falassem por mim. Não gosto, porém, de romantizar esses obstáculos: as mulheres não deveriam ter de provar mais para verem o seu valor reconhecido. A participação em redes profissionais e iniciativas ligadas às mulheres na indústria reforçou a minha vontade de dar visibilidade ao talento feminino e abrir espaço para outras mulheres.

Num contexto em que as empresas enfrentam desafios constantes ao nível da inovação, sustentabilidade e conformidade, acredita que a liderança feminina traz uma perspetiva diferenciadora para a gestão e para a tomada de decisão? Porquê?
A diversidade melhora a qualidade das decisões, não porque todas as mulheres liderem da mesma forma, mas porque experiências diferentes trazem perguntas diferentes, desafiam pressupostos e ajudam a identificar pontos cegos. As melhores equipas são aquelas onde existe confiança para discordar, questionar e construir uma solução melhor. Para mim, liderar é transformar conhecimento técnico em impacto, mantendo as pessoas no centro.

Se pudesse deixar uma mensagem às jovens mulheres que ambicionam construir uma carreira de sucesso, qual seria o conselho que gostaria de lhes transmitir e que gostaria de ter ouvido no início do seu próprio percurso?
Não esperem sentir-se totalmente preparadas para avançar. Muitas oportunidades surgem antes de termos todas as certezas, e a confiança constrói-se depois do primeiro passo. Preparem-se, façam perguntas, criem redes e partilhem conhecimento. Não fiquem mais pequenas para caber nas expectativas dos outros. Escolham ambientes onde possam crescer sem perder quem são e, quando chegarem a posições de decisão, abram espaço para outras mulheres. Há espaço para todas, sem nos atropelarmos para crescer.