Mais do que transportar, criar soluções

Num setor em permanente transformação, a Manuport Logistics aposta na especialização, na tecnologia e, sobretudo, nas pessoas para responder aos desafios de uma Supply Chain cada vez mais complexa.

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Num setor onde a eficiência é frequentemente medida por indicadores operacionais, de que forma define verdadeiramente a excelência em logística e transportes e quais considera serem os fatores que distinguem uma empresa de referência?
Na minha opinião, o “chapéu” logística e transportes abrange muitas etapas, muitos profissionais de variadas formações e carreiras, que fazem parte de um ecossistema global, o “Supply Chain”. Nos últimos 25 anos a liderar equipas em multinacionais, sempre ouvi falar dos conceitos de “one stop shop”, verticalização, etc., hoje, creio que a especialização, para além de nos diferenciar da concorrência, é a capacidade de reunir profissionais que prestem um serviço ao cliente de excelência, é para isso que trabalhamos, é por isso que nos distinguimos. Uma das nossas motivações: “One Contact. Zero Bullshit” visa aumentar o sentido de pertença, fiabilidade, transparência, flexibilidade e especialização, quer em mercadorias, quer nos diversos trades em que operamos. Paralelamente com uma criteriosa seleção de fornecedores, que apoiamos e suportamos e com quem criamos verdadeiras parcerias, é onde queremos fazer a diferença.

Quais são as tecnologias que terão maior impacto nos próximos anos e como podem contribuir para aumentar a eficiência sem perder a componente humana do serviço?
Nesta atividade, o maior impacto virá sempre da intervenção humana, a tecnologia já é fundamental para retirar complexidade a algumas operações, efetuar análises de dados que nos permitam avaliar e decidir melhor, efetuar uma série de tarefas automatizadas e “pesadas”, que permitem libertar as pessoas para a flexibilização, que falava há pouco, por exemplo, para o relacionamento com o cliente. Obviamente que hoje temos ferramentas IT, com recurso a IA, que nos permitem poupar tempo para outras tarefas. Temos hoje uma ferramenta que acompanha os nossos embarques, a nível marítimo, e atualiza automaticamente as datas previstas de chegada, quer no nosso sistema, quer em informação ao cliente. Tudo isto sem qualquer intervenção nossa. Já tivemos pessoas só a fazer esse seguimento. Isto permitiu-nos direcionar recursos para novos projetos. O poder da gestão estratégica aumenta através da informação gerada pelo negócio, devidamente tratada e analisada. O que conseguimos medir, seguramente gerimos melhor, logo, com mais tecnologia e cada vez mais com maior capacidade, obrigatoriamente teremos de aumentar a nossa eficiência nos processos e rentabilidades, mas sem nunca perder a componente humana, que é quem consegue personalizar o serviço ao cliente, que será cada vez melhor e mais eficiente, potenciado pela digitalização.

Como se constrói uma operação logística resiliente num contexto de incerteza permanente?
É realmente difícil, mas na MPL, com 35 escritórios espalhados pelo mundo, com a capacidade acrescida da nossa empresa “Mãe” Euroports, com terminais e armazéns, num ambiente de decisão local, variadas alternativas multimodais e acima de tudo, com uma equipa experiente, rigorosa, focada e resiliente, que sabe escutar e analisar bem as necessidades dos nossos clientes, os possíveis constrangimentos para podermos oferecer alternativas viáveis. Ainda há pouco fomos colocados à prova a esse nível, com o fecho de Ormuz e a quantidade de carga que estava no mar, cujos armadores invocaram o termo da viagem numa qualquer parte do globo e tivemos de repensar e reposicionar todas as cargas. Não ficou nenhuma por chegar ao seu destino!

Que iniciativas considera essenciais para conciliar competitividade, redução da pegada ambiental e criação de valor para os clientes?
É um novo paradigma que no nosso atual tecido empresarial, talvez não seja fácil de adaptar em pleno. Na MPL, é algo que já faz parte da nossa cultura. Temos relatório ESG, onde todos os escritórios são chamados a contribuir, a fazer correções e são suportados na mudança de mentalidades e custos operacionais dessas mudanças. Recentemente fomos reconhecidos através do rating/medal Ecovadis Top
Platinium, um dos mais importantes neste campo. É um equilíbrio e uma preocupação constantes. Manter a competitividade, reduzindo a pegada ambiental.

A Manuport Logistics integra uma rede internacional, mantendo simultaneamente uma forte proximidade ao mercado local. De que forma este equilíbrio entre dimensão global e conhecimento local representa uma vantagem competitiva para as empresas portuguesas?
As respostas anteriores, respondem por si só, a esta questão. Somos um grupo suficientemente grande para termos dimensão para negociações globais e efetuar alguma economia de escala, mas porque temos lideranças locais fortes e equipas muito profissionais e experientes, com grande know-how local, dá-nos uma vantagem competitiva reconhecida pelos nossos clientes. Temos um CEO que protagoniza uma liderança focada, forte e de grande proximidade, por isso conseguimos rapidamente agilizar soluções globais para os nossos clientes. Mover sinergias no sentido do serviço e satisfação do cliente.

Se tivesse de identificar uma mudança estrutural que irá transformar o setor da logística e dos transportes na próxima década, qual seria e que competências deverão os líderes desenvolver para antecipar essa nova realidade?
A IA e a automação assumirão as tarefas rotineiras dos transportes e logística, e a MPL não será diferente, nos últimos dois anos, o grupo investiu mais de 30 milhões só neste domínio, mas nunca funcionaremos apenas com IA ou dados. O discernimento, a criatividade e as ligações das nossas pessoas serão mais importantes do que nunca, especialmente em momentos de disrupção no mercado. Os líderes precisam de compreensão digital, fortes habilidades interpessoais e capacidade de agir com rapidez e flexibilidade.