Mercado imobiliário: a oportunidade da crise

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Vasco Pereira Coutinho, general manager

O ano de 2020 foi uma surpresa para todos com uma grande quantidade de novos desafios a surgirem a todos os níveis, tanto profissionais como pessoais.

A primeira mudança, comum à maioria das áreas de negócio, foi o teletrabalho, que acreditamos que se irá manter daqui para a frente. Esta tendência já estava em andamento e foi por isso de fácil adaptação para nós na Lince Real Estate, recorrendo a plataformas já anteriormente utilizadas, que nos permitiram manter toda a produtividade, ainda que remotamente.

O Mercado Imobiliário arrancou com um 1º trimestre positivo, coerente com a vaga de crescimento sentida em 2019 e nos anos anteriores, mas a grande onda de insegurança instalou-se em Março, tendo o mercado parado de forma total a partir desse período. A grande falta de informação, aliada à restrição de visitas às casas, gerou uma grande onda de desconfiança por parte dos compradores, levando a uma paragem completa dos negócios em curso.

O trabalho de uma agência imobiliária envolve muita proximidade e presença física, sendo as visitas presenciais às casas uma parte muito importante do fecho de qualquer negócio. Acreditamos que o negócio imobiliário se prende muito com a relação interpessoal, a empatia, a proximidade e o acompanhamento, pelo que a restrição de visitas físicas às casas começou por ser o maior e mais assustador desafio nos primeiros meses da pandemia.

O distanciamento físico, seja entre membros da nossa equipa ou com os nossos clientes, foi a fase mais difícil de adaptação. Na Lince Real Estate somos muito felizes em grupo e junto das pessoas, e tudo isso mudou de um dia para o outro. A proximidade da equipa e a interação entre todos, permite-nos ser rápidos a descobrir o que os clientes procuram, sendo uma mais-valia fundamental na concretização de negócios imobiliários.

Mas como em qualquer crise, as oportunidades aparecem sempre. É preciso saber aproveitá-las.

A importância do digital fez-se sentir de forma abrupta, e o virtual e as plataformas online vieram para ficar. Adaptámo-nos rapidamente, começámos algumas novas formas de promoção das casas e iniciámos as visitas virtuais, visitas estas que ganharam muita credibilidade junto de clientes internacionais. Começaram a acontecer propostas e negociações com visitas por videochamada, coisa que anteriormente seria bastante improvável. Foi necessário encontrar a segurança que os compradores e os vendedores precisavam, e as visitas virtuais ajudaram muito neste processo.

O balanço acaba por parecer bastante positivo. Passado o pânico inicial da pandemia, com o mercado totalmente parado entre Março e Maio, as pessoas começaram a reagir e os negócios voltaram a acontecer, tendo sido o mês de Maio muito forte, com a concretização de negócios pendentes e em negociação pré-quarentena. Houve posteriormente um novo abrandamento nos meses de Verão, seguido de uma retoma muito grande nos últimos meses do ano, para surpresa de todos.

Acreditamos que Portugal continua a ser um país muito atrativo para investimento estrangeiro, o que se verificou com a manutenção da procura por imóveis em Portugal e com o aparecimento de muitos investidores oportunísticos.

Para o próximo ano, existe uma grande especulação sobre a descida de preços dos imóveis, com o fim das moratórias e o consequente aumento da oferta disponível, no entanto não é ainda uma certeza. Com o aparecimento de uma nova vacina contra o vírus, já em fase de administração nalguns países, o turismo poderá retomar e contrariar esta aparente tendência. O papel do Governo e respetivos incentivos ao investimento serão decisivos para a retoma da economia, pois sem estas medidas o mercado pode cair por completo e gerar uma grande dificuldade para muita gente.

É preciso recuperar a segurança e continuar com os projetos de vida e compra/venda de casa, vendo com positivismo todas as oportunidades que uma crise pode trazer.

www.lincerealestate.com

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