Moçambique, Portugal e a presidência da União Europeia

0
1057
Rui Moreira de Carvalho, presidente da Direção da CCPM

O projeto da construção da União Europeia (UE) assenta na esperança de paz alicerçado em Valores. A 4.ª Presidência portuguesa do Conselho da UE, de janeiro a junho de 2021, é uma oportunidade que importa saber otimizar e utilizar.

Observa-se o ressurgimento de conflitos que pareciam enterrados. Muitos destes lamentáveis eventos fazem recordar o princípio de Anna Karenina, de Tolstoi: os Estados bem-sucedidos são todos iguais, mas todos os Estados fracassam à sua própria maneira.

A instabilidade é endémica do processo de desenvolvimento que tem por consequência novos produtos, processos e mercados. Novos paradigmas tecnológicos, associados à pandemia que a todos acossa, anunciam tumultos nos mercados de emprego e distúrbios nas sociedades. Culturas seculares de trabalho em troca de sustento, abrigo e reconhecimento podem sofrer forte revés pela ascensão de uma miríade de questões ainda mal identificadas e valorizadas.

São dilemas que temos de tratar. Importa combinar análises informadas daquilo que nos é importante: tarefas a desempenhar tanto pelos nossos cérebros como pelos nossos corações.

A estes desafios, a Câmara de Comércio Portugal Moçambique (CCPM) responde com intervenções nas dimensões de Dignificação, Valorização e Qualificação como o Observatório do Estudante Moçambicano em Portugal, o Quadro de Honra, o Prémio Literatura Óbidos, o Prémio Maria das Neves Rebelo de Sousa (reconhece individualidades ou organizações que se tenham distinguido na área da Responsabilidade Social em Moçambique) e o Prémio Joaquim Chissano (distingue individualidades que, tendo estudado em instituições de ensino superior em Portugal, tenham desenvolvido atividades relevantes em Moçambique).

Identificar pessoas e obras que sirvam de referência é um instrumento indutor de Valores.

Maria das Neves Rebelo de Sousa, uma das primeiras Assistentes Sociais de Portugal, ao longo da sua vida contribuiu para causas de natureza humanitária e social, particularmente em Moçambique, de 1967 a 1970, deixando na memória de muitas entidades e populações a indelével marca da sua personalidade e sentido de dádiva ao próximo.

Pedro Rebelo de Sousa, Presidente do Conselho Geral da CCPM

Joaquim Alberto Chissano foi presidente de Moçambique de 1986 a 2005. Em 1951, foi o primeiro estudante negro a matricular-se no Liceu Salazar (atual Escola Secundária Josina Machel), onde fez os seus estudos secundários. Em 1960, partiu para Portugal  para estudar  Medicina, mas abandonou este país em 1961 devido à perseguição política. Juntou-se à FRELIMO em 1963, na sequência da sua associação com a causa nacionalista. É Doutor Honoris Causa pela  Universidade do Minho  e pela Universidade de Coimbra.

Mas é na vertente empresarial que está o nosso principal ariete. Nesse sentido, protocolos com diversos associados promovem sinergias com as empresas e a sociedade civil.

Temos imensas perguntas sem resposta, tentando vislumbrar o futuro, não muito distante, com um misto de assombro infantil e de preocupações de adultos. Queremos saber o significado destas alterações para os nossos empregos e para o nosso propósito de vida.

Um dos motivos pelos quais é difícil prever qual será o final da nossa história prende-se com o facto de ela não envolver apenas tecnologias. Também é uma crónica sobre seres humanos, pessoas com livre-arbítrio que lhes permite fazer as suas escolhas e moldar os seus destinos.

A Presidência portuguesa da UE deve ser valorizada e otimizada a favor do futuro. Os seus resultados advêm das nossas opções. Para todo o efeito, somos o resultado das nossas escolhas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here