“Na Medicina Estética Facial, o menos pode ser mais”

A Medicina Estética Facial está em tudo ligada ao bem-estar físico e emocional das pessoas. Para Rui Fernandes, médico dentista e diretor clínico da Syrah Clinic, esta é uma área que pode fazer uma grande diferença no aspeto físico do paciente, melhorando pequenos detalhes, de forma natural.

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Rui Fernandes, médico dentista e diretor clínico

Fale-me um pouco sobre si, o seu percurso académico e profissional e o porquê de ter optado pela área da Medicina Estética Facial.

O meu nome é Rui Fernandes, sou médico dentista, licenciado pela Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Fernando Pessoa. Desde muito cedo, após a conclusão do meu mestrado, me vi, como tantos outros profissionais de saúde a olhar para fora de portas e abraçar um projeto internacional, em França, onde comecei a dar os meus primeiros passos na Medicina Dentária. Fui-me apercebendo cada vez mais da relação incomensurável que o sorriso tem com a harmonização e a estética facial como um todo. Em Paris, tive um grande professor, dermatologista, que me ensinou as técnicas e os conceitos mais importantes na Medicina Estética Facial. Sendo eu médico dentista, era-me perguntado várias vezes a minha opinião estética da relação sorriso/lábios com o resto da face. Foi-me ensinado que devemos, enquanto profissionais, olhar para a face do paciente como um todo e que a beleza é 100% subjetiva.

O que é a Medicina Estética Facial?

O objetivo da Medicina Estética Facial é realçar linhas e expressões que o paciente tem mas que, com a idade, foi perdendo, não querendo dizer com isto que a Medicina Estética é o elixir da juventude, mas pode fazer-nos sentir com um ar mais saudável, jovial e fresco. Em Medicina Estética, o médico pode ter um papel preponderante atenuando, ou mesmo eliminando, alguns defeitos físicos, como pequenas curvaturas do nariz, lábios assimétricos, a deficiência do queixo (que muitas vezes só é corrigida com cirurgia), melhorando enormemente a autoestima do paciente.

Considera que, em Portugal, existe ainda um estigma associado à Medicina Estética Facial?

Exerci muitos anos em Paris, e deparo-me todos os dias com a diferença cultural entre os pacientes franceses e os pacientes portugueses. Quero dizer com isto que, em Portugal, ainda vivemos muito o estigma que quem faz procedimentos médico-estéticos está a desvirtuar-se, a alterar feições naturais ou a procurar uma perfeição que é utópica, que não existe. Vivemos também numa cultura machista em que, na sua maioria, as mulheres fazem os tratamentos para se sentirem melhor, mas não contam aos respetivos cônjuges, ou não afirmam socialmente que o fazem. Podemos envelhecer, é um ato belo e importante da Natureza, mas podemos envelhecer bem, e a sentirmo-nos bem connosco.

Qual o público-alvo desta área?

O público-alvo da Medicina Estética são pessoas dos 25 aos 95 anos. Podemos tratar pessoas jovens, fazendo tratamentos preventivos, no que ao envelhecimento diz respeito. Costuma dizer-se que quanto mais cedo melhor e que mais vale prevenir do que remediar. Não querendo dizer com isto que uma pessoa mais velha não possa amenizar rugas de expressão e sentir se realmente mais jovem.

Existem alterações de expressão, após os tratamentos?

Existem “milhares” de tratamentos não invasivos e indolores, como o ácido hialurónico, o botox (que até é usado de forma terapêutica), bioestimuladores, fios tensores, enfim… tratamentos que, se bem executados, podem ter resultados muito bonitos e naturais. Na Syrah Clinic, e eu, como diretor clínico, defendemos uma abordagem holística e pouco invasiva no que toca à Medicina Estética Facial. As clínicas, e os médicos, vendem mililitros de ácido hialurónico e ampolas de botox. Todos nós precisamos de viver e de ganhar dinheiro, mas será que realmente o paciente necessita de ácido hialurónico? Ou de botox? Ou de fios tensores? Devemos, em primeira instância, perceber a expectativa do paciente e se esta é de facto real. Devemos fazer uma análise facial pormenorizada do paciente e se o tratamento que ele pretende se adequa realmente. Defendemos uma abordagem de que o menos é mais, e é preferível, na nossa opinião, um melhoramento gradual e progressivo do que a alteração de expressões e de feições naturais, injetando quantidade absurdas de produto.

Há cada vez mais médicos generalistas e médicos dentistas a exercerem nesta área. Devem fazê-lo?

Claro que sim. O médico ou o médico dentista, com a devida formação, podem e devem exercer nesta área tão gratificante. Para ter uma ideia, em Medicina Dentária temos anos comuns com Medicina, Anatomia, Fisiologia, Farmacologia… para além destas, durante seis anos focamos a nossa área de estudo e de prática clínica no pescoço e na face. Conheço poucos profissionais que tenham o conhecimento e a destreza manual de um médico dentista com seringas e agulhas. Numa prática clínica comum, o médico dentista realiza cirurgias num contexto diário, portanto, o médico dentista tem tantas ou mais valências que um médico generalista. Existem excelentes profissionais nos dois lados, o segredo está na formação, no interesse e na boa gestão de intercorrências que possam ocorrer. Sou contra a intrusão de pessoal não habilitado e não médico. Vemos muitas clínicas de estética e até salões de cabeleireiro a realizarem procedimentos médico-estéticos. E neste contexto, muitas vezes, os azares acontecem. A Estética deve trabalhar com a Medicina Estética, de mãos dadas, para obter o melhor resultado para o paciente. Dou formação/mentoria privada, tanto a médicos como a médicos dentistas, e concluo que, com a devida formação, o médico ou o médico dentista especializado estão mais do que capacitados para exercer nesta área médica.

Como lhe parece que este setor tem evoluído? Estamos na vanguarda da Medicina Estética?

Portugal está sem dúvida na vanguarda da Medicina Estética, com profissionais mais do que habilitados para exercerem nesta área e proporcionarem experiências magníficas aos pacientes. Nas redes sociais, vemos muitas fotos de antes e depois, vulgarizamos até os conceitos mais básicos de beleza. Será que todas as mulheres têm o mesmo tipo de lábio? Será que todos os pacientes devem ter maçãs do rosto projetadas e salientes? Vulgarizamos de uma forma iniqua o que a Medicina Estética pode fazer por cada um de nós. O sentido da Medicina Estética é, sem dúvida, a harmonia facial, o atenuar de linhas de envelhecimento e a prevenção do inevitável aparecimento deste. Envelhecer faz parte da vida e podemos envelhecer bem. Eu, como profissional nesta área, defendo que menos é mais.

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