“No arrendamento não habitacional existem fenómenos interessantes”

A Reis & Figueiredo nasceu como empresa dedicada à promoção imobiliária, sobretudo na região de Coimbra, mas evoluiu para a criação de outras empresas – Reis & Figueiredo Capitalis e Serra & Nina Construções – o que levou à criação do Grupo Reis & Figueiredo. Atualmente, dedica-se à gestão de património de arrendamento comercial e habitacional para profissionais deslocados e a pandemia aumentou esta procura, como explica Marta Figueiredo, administradora do Grupo.

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Marta Figueiredo, administradora

Como é que a criação do Grupo Reis & Figueiredo alterou a posição do mesmo no mercado?

Somos um Grupo familiar, fundado há mais de 25 anos. O projeto original passava por adquirir imóveis em construção – adquirir em bloco para colocá-los no mercado com melhores condições de venda. No entanto, os meus pais não se identificaram com a oferta existente à data, optando então por adquirir terrenos e fazer projetos de raiz com características muito diferenciadas. Não tinham know-how nesta área, mas tinham elevados níveis de exigência, desde o cuidado nos projetos de Arquitetura à qualidade dos acabamentos, com materiais nobres e atemporais. No início dos anos 90, apresentaram apartamentos com pedras naturais, cozinhas com eletrodomésticos encastrados, lareiras com recuperadores de calor, sendo pioneiros na utilização de estores elétricos e loiças sanitárias suspensas. O reconhecimento no mercado deu um forte impulso para a nossa expansão, para Coimbra, Aveiro, Vilamoura e Lisboa. Após 2008, com a crise no mercado imobiliário, vendas estagnadas e ativos desvalorizados, encontrámos no arrendamento uma alternativa para rentabilizar os imóveis que não conseguimos vender. A partir daí, direcionámos os nossos ativos para o arrendamento habitacional e comercial, rentabilizámos o que tínhamos e adquirimos projetos para esse fim.

Relativamente às zonas de expansão, tendo em conta que agora o interior do país também está muito em voga, este território não representa uma aposta interessante para a Reis & Figueiredo?

Temos alguns ativos na zona centro do país (quintas com ruínas para recuperação e herdades para exploração agrícola ou florestal) – existe um mercado específico para a reabilitação das ruínas ou casas abandonadas, essencialmente procura estrangeira, escolhem o interior do país para viver a sua reforma. Esta procura tem um forte impacto na dinâmica daquelas zonas. Outros fenómenos são os jovens agricultores com projetos inovadores e o êxodo de algumas famílias para o interior, impulsionadas pelo aumento dos preços no mercado imobiliário das grandes cidades. A pandemia e o teletrabalho vieram acelerar esta dinâmica.

Como avalia o mercado imobiliário relativamente às novas tendências causadas pela pandemia?

Os critérios de escolha, no que toca à versatilidade dos imóveis, nivelaram muito por cima. Há quem procure um T2 para viver sozinho, pois prevê passar mais tempo em casa. O nosso país continua a reunir condições de excelência para captar residentes estrangeiros. Quem chega procura arrendar casas já equipadas e mobiladas, mas com serviços agregados (limpeza, lavandaria), estão dispostos a pagar por comodidades extra. Isto não se aplica só aos jovens, mas também aos seniores, cada vez mais autónomos e urbanos, nascendo um “novo” conceito de arrendamento que agrega serviços à habitação. Creio que existem sempre muitas oportunidades e a pandemia veio apenas abalar as nossas estruturas deixando-nos mais despertos. Mas é no arrendamento não habitacional que identifico os fenómenos mais interessantes. O aumento do comércio eletrónico irá transferir gradualmente a procura de lojas físicas no centro da cidade para armazéns nas periferias, de forma a armazenar stocks e agilizar a logística da distribuição. Os espaços amplos, de maiores dimensões, com acessos fáceis aos centros urbanos irão valorizar. Restaurantes “virtuais”, agora dinamizados por plataformas como o UberEats, Glovo, entre outras aplicações, necessitam de um espaço físico para as suas cozinhas, surgindo deste modo a hipótese de partilha das mesmas entre diferentes “Chefes” ou “Marcas”, como forma de otimizarem os seus custos. Eliminam o sunk-cost de montar uma cozinha e pagam apenas o acesso à utilização. Será certamente um investimento interessante para quem providenciar este tipo de espaços e uma mais-valia na ótica do restaurante. Uma solução deste género torna o mercado da restauração mais dinâmico, reduzindo o risco de quem quer iniciar um projeto nesta área, tão afetada pela pandemia. No que toca aos espaços para escritórios, haverá uma reorganização dos mesmos, mais orgânicos e informais, pois o teletrabalho é muito exigente do ponto de vista emocional e da organização familiar, pelo que acredito que haverá um regresso progressivo aos espaços físicos, onde retomaremos a componente social e de networking.

Existem muitos prédios alocados ao alojamento local mas a pandemia impediu a continuidade do negócio. É possível a Reis e Figueiredo adquirir um imóvel desses e rentabilizá-lo de outra forma?

Dependendo das características do imóvel, podemos redirecionar o apartamento para o conceito de arrendamento que criámos. Os nossos apartamentos estão todos equipados e mobilados com eficiência (cozinhas totalmente equipadas, roupeiros, espaços de arrumação – que tradicionalmente não existem no AL). São ideais para profissionais deslocados, temos contratos de arrendamento muito flexíveis no que toca a prazos. Reconhecemos a imprevisibilidade do mercado de trabalho: hoje um profissional que está em Lisboa, amanhã precisa de estar no Porto e nós facilitamos essa dinâmica. Neste conceito, em Coimbra, temos um edifício com 24 apartamentos T0’s (rendas mensais entre 475 e 500 euros) e em 2020 adquirimos um edifício em Lisboa, no Braço de Prata, Marvila – MyFlat Prata Living, com oito apartamentos de tipologia T2 (rendas mensais entre 800 e 1000 euros). A flexibilidade nos contratos de arrendamento e a relação qualidade-preço são a chave da nossa oferta.

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