“O desafio das marcas é passar da presença digital à relevância digital”

A Euro M é uma agência criativa de serviço integrado cujo papel principal é unir o físico ao digital, no que respeita às empresas e às marcas que as sustentam. Pedro Serra é o CEO desta agência criativa que tem como filosofia principal “evolution through thinkology”, com o objetivo concreto de evoluir cada vez mais através do pensamento criativo.

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Que serviços disponibiliza e quais aqueles que são, atualmente, particularmente procurados?

A Euro M é uma agência criativa 360 que une o físico ao digital. Com uma plataforma de pessoas multidisciplinar, abraçamos todas as vertentes da comunicação de marca. Desde design e publicidade, marketing digital e ativação de marcas. O mais frequente é chegarem-nos projetos globais, que precisem de conceitos, design de comunicação, ponto de venda, digital end-to-end e ativação on ou offline.

Como caracteriza o mercado português, no que respeita ao reconhecimento, por parte das empresas, da importância de uma boa estratégia e comunicação?

Reconheço, pelo que vou vendo e ouvindo, uma pressão crescente, nas marcas em geral, por uma aposta mais tática que estratégica. Devemos todos, principalmente os players do setor, lutar para que assim não seja, impedindo: a) desvalorização da importância do marketing na gestão das empresas e consequentemente desvalorização de toda a cadeia de valor, profissionais e empresas, b) substituição da lógica de criação de valor sustentável por formas
pontuais de atuação, c) comunicação sem propósito estratégico, o que acabará por desvalorizar as marcas e num fim último as empresas. Esta substituição do médio-longo prazo pelo curto tem o enorme risco de abater os diferenciais das marcas e promover a erosão do mercado de consumo. Acredito que ninguém beneficiará deste desfecho, nem as empresas, nem os profissionais, nem os consumidores, nem a economia e muito menos o mundo. Veja-se a forma brilhante como marcas afetivas e com poder efetivo defendem
a liberdade, lutando contra a guerra na Ucrânia.

Que avaliação faz da transição digital que ocorre nas empresas portuguesas? Quais são os desafios das marcas?

Não abordo a transição digital no seu todo, mas antes na perspetiva das marcas e dos seus contextos digitais. Neste capítulo acredito que temos vindo a percorrer um enorme caminho, porém ainda com muito por andar. E sim, parece-me que a generalidade das empresas reconhece, hoje, que é fundamental estar presente no digital. Há muito pouco tempo a discussão estava apenas centrada na presença digital, hoje isso é insuficiente para os
desafios de uma marca. O presente já nos obriga a trocar a mera presença digital pela relevância digital. As marcas não só devem passar a existir de forma relevante, como também tem obrigatoriamente que fazer sentido na vida das pessoas. Os grandes
desafios do digital são: atrair, envolver, servir, vender, exponenciar e reter. Entre todos os desafios, e são muitos, dou destaque: à importância de garantir que as “conversas” que abrimos, nos canais da marca, redes sociais à cabeça, não são chatas ou vazias, pouco credíveis ou desajustadas do target; à aposta em ativações digitais criativas, focadas em nano influenciadores, porquanto estes trabalham o envolvimento e a credibilidade, assim como em influenciadores maiores com objetivo de aumentar o alcance e trabalhar o endorsement da marca. Outro grande desafio é conceber o papel do digital a partir do mundo físico. Seja para construir opinião, terminar a venda, prestar serviço ou ganhar benefícios extra, o digital tem um enorme papel complementar com os pontos físicos de contacto da marca. Veja-se o caso de um cliente que a partir da loja acede a um conjunto de reviews sobre o produto que procura, ou simplesmente vê-o no telefone em ação, confirmando as características que procura. Ou, e para não ser sempre em ambiente de loja, que a partir de
um mupi entramos numa estória, com um enredo fabuloso, que a marca tem reservada para o consumidor, etc… Desenhar todo o processo de e-commerce da marca e correspondentes processos de marketing automation, referral ou predictive marketing é hoje um desafio muito mais estratégico, de conceito e desenho da experiência do consumidor que outra coisa qualquer. Marketing de performance é outra área extremamente relevante, cada vez com
mais peso para a angariação de tráfego, leads e vendas. Mas, uma vez mais, olhar para esta
dimensão, sem que esteja devidamente integrada numa atuação mais global e dentro do crivo criativo da campanha, os resultados ficarão muito aquém do seu potencial. E por fim, Ux/Ui é talvez o maior desafio atual das marcas no digital. Os consumidores apenas aceitam o que lhes interessa. Uma plataforma mal desenhada, pouco atrativa, sem conteúdo relevante e difícil de utilizar condenará a presença digital da marca ao fracasso.

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