“O ensino profissional integra todos os alunos”

O CECOA – Centro de Formação Profissional para o Comércio e Afins – destina-se a formar jovens, ativos empregados e a desenvolver formação à medida das empresas, para responder à necessidade de recursos humanos do mercado. Sílvia Coelho, diretora interina do CECOA, salientou em entrevista a nova oferta formativa e o evento SkillsPortugal Digital 2021.

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Sílvia Coelho, diretora interina

O CECOA é um centro de formação profissional para jovens, ativos empregados e que desenvolve também formação à medida das empresas. Neste período de confinamento, em que as aulas se desenvolvem à distância, como foi possível continuar a lecionar?

Nos Centros de Formação falamos de sessões em vez de aulas e não funcionamos por anos letivos. Estamos mais em paralelo com os calendários laborais do que com os escolares. Assim, tivemos de adaptar as nossas ações de formação ao contexto de distância. Em vez de termos salas de formação presenciais, passámos a ter salas de formação virtuais ou digitais. No fundo, foi “saltar” da sala do CECOA para a sala lá de casa ou da empresa. Ficámos em distanciamento físico, mas não em distanciamento social nem pedagógico. As sessões de formação, na sua maioria, passaram a ser realizadas online, live e síncronas.

Tendo em particular consideração o ensino profissional para jovens, qual a importância desta área para o CECOA?

Esta é uma das áreas mais importantes, não sendo a mais expressiva em termos quantitativos. Quanto melhor se formarem os jovens, melhor a sua integração no mercado de trabalho. Quanto mais qualificados forem os Recursos Humanos das empresas e das indústrias, mais competitivas são no mercado global. É uma dinâmica interdependente, mas vencedora.

Estão presentes em Lisboa, no Porto e em Coimbra. Quais os cursos que disponibilizam e como é a integração destes jovens no mercado de trabalho? A taxa de empregabilidade é alta?

Como Centro para o Comércio e os Serviços, o CECOA tem cursos de Aprendizagem (nível 4), para quem quer obter o 12º ano e uma profissão, e cursos de Especialização Tecnológica (nível 5) para quem já tem o 12º ano e quer uma especialização profissional. Os jovens podem frequentar cursos de Técnico/a Comercial, Técnico/a de Vitrinismo, Técnico/a de Contabilidade, Técnico/a Administrativo, Técnico/a de Marketing, entre outros. Podem ainda fazer cursos de especialização tecnológica em Técnico/a Especialista em Comércio Internacional. No entanto, muito em breve, teremos inovações. Diria que 80 por cento dos nossos jovens empregam-se depois de concluírem a formação.

Os cursos profissionais estão particularmente interligados com as necessidades do mercado de trabalho. Como avalia a importância destes cursos para as empresas e as indústrias?

São de extraordinária importância. As empresas e as indústrias necessitam de recursos humanos qualificados, com o saber fazer. Os jovens formados pelo ensino profissional, quando chegam ao mercado de trabalho, já levam meio caminho andado no que concerne ao desempenho profissional. Por outro lado, os setores de atividade e os seus representantes são quem define não só os perfis profissionais necessários ao mercado de trabalho, como também os conhecimentos e as competências que lhes estão associados. Esta interligação entre o mundo da formação profissional e os setores de atividade permite que os referenciais de formação sejam definidos por quem entende do assunto.

Atualmente, estes cursos profissionais já se apresentam como verdadeiras alternativas ao ensino científico-humanístico ou ainda persiste a ideia de que quem escolhe esta via de ensino são aqueles alunos desinteressados num ensino teórico?

Lamentavelmente, ainda persiste essa ideia. Não é por acaso que o nível de qualificação de quem obtém o 12º ano através de um curso profissional é superior (nível 4) ao de quem obtém o 12º ano pela via de ensino (nível 3). Para além da equivalência escolar, obtém-se, em simultâneo, uma qualificação profissional. Um jovem que saia do ensino profissional já tem ferramentas para integrar o mercado de trabalho. O mesmo não acontece com quem sai do ensino regular. Para além disso, o ensino profissional permite a integração de todos os alunos e o ensino regular só permite a de alguns, os que se identificam com o ensino teórico e conceptual.

Ainda é necessário incentivar os jovens que seguem pela via do ensino profissional a prosseguirem os estudos e candidatarem-se à universidade?

Os jovens que frequentam os cursos profissionais sabem que podem e devem prosseguir os estudos. Estes jovens não me preocupam. Os que me preocupam são os que ainda não definiram um caminho. Não estudam, não frequentam formação e não trabalham. Esses sim, precisam de uma atenção reforçada para que possam definir um percurso que seja gratificante e produtivo.

Que projetos gostaria de salientar?

Saliento a nova oferta formativa, para jovens, que estará disponível em breve. Teremos cursos de nível 5, que dão créditos em determinadas licenciaturas. Para além do curso de Técnico/a Especialista em Comércio Internacional, contamos vir a ter o curso de Técnico/a Especialista em Contabilidade e Fiscalidade e o de Técnico/a Especialista em Cibersegurança. Este ano vai haver um grande concurso no que diz respeito à formação profissional em Portugal, a SkillsPortugal Digital 2021. Deste concurso de profissões, de âmbito nacional, sairão os nossos representantes para os concursos internacionais, o europeu e o mundial. No fundo, são as olimpíadas da Formação Profissional onde Portugal arrecada muitas medalhas. O CECOA também conta participar.

Que análise faz do ano letivo e do regresso às aulas?

Os nossos formandos continuaram a formação em regime online. Apenas teremos de voltar ao regime presencial. No meio das perdas causadas pela pandemia, existem sempre ganhos. Conseguimos encontrar novas estratégias, metodologias e práticas.

www.cecoa.pt

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