“O fator diferenciador do nosso trabalho deve ser a qualidade”

A Previsão presta serviços de Contabilidade e Consultoria há 40 anos. Sediada na ilha da Madeira, tem clientes nacionais e internacionais. Gregório Mourinho é, há 11 anos, o diretor-geral desta empresa que surgiu para oferecer confiança e valor aos clientes, algo que continuou intacto ao longo das suas décadas de existência.

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Gregório Mourinho, diretor-geral

“A Previsão foi constituída em 1981, por iniciativa de duas pessoas que trabalhavam numa outra empresa – António Correia de Jesus e Luigi Valle. Depois de criada a empresa, foram convidados mais dois sócios – Dionísio Pestana e Francisco Costa”, conta Gregório Mourinho. Esta estabilidade permitiu à empresa focar-se nos seus clientes e oferecer um serviço muito baseado na confiança: “Esse é o nosso valor central. Ainda hoje, aquilo que continua a preocupar-nos é conseguir oferecer aos clientes confiança e valor acrescentado nos serviços que prestamos”.

Gregório Mourinho relembra que “um gabinete de Contabilidade não se resume a cumprir obrigações fiscais”: “90 por cento do nosso trabalho está, de facto, ligado ao preenchimento de obrigações fiscais. O tempo de um contabilista é gasto, largamente, a preencher e enviar para instituições como a Autoridade Tributária e a Segurança Social formulários e obrigações com informação que já foi enviada, num outro momento anterior. Todavia, com os 10 por cento de tempo que sobra, podemos dedicar-nos ao cliente, ao seu negócio, e perceber o que podemos fazer pelo cliente e pelo negócio, no sentido de conhecer a área de atividade da empresa, a forma como esta se posiciona no mercado e quais as suas possibilidades de investimento ou se poderá beneficiar de um apoio ou incentivo, quer de âmbito nacional, quer europeu. Esse é o valor que podemos acrescentar, com a nossa análise”.

Com cerca de 600 clientes de contabilidade organizada e 400 clientes por quem a Previsão assume o preenchimento da declaração de IRS, a pandemia veio criar dificuldades, que foram sendo ultrapassadas de acordo com os padrões da empresa: “Quando chegou o momento do primeiro confinamento, avisei os colaboradores para não voltarem à empresa e passarem a trabalhar a partir de casa. Foi simples, pois já há muitos anos que trabalhamos em cloud, ligados remotamente. Para nós, a alteração para o teletrabalho foi muito simples”.

No entanto, este período trouxe outras dificuldades: “Quando se fala de digitalização, tem de se falar de transformação digital. A digitalização é muito mais do que apenas digitalizar papéis. A Autoridade Tributária desenvolveu uma ferramenta extraordinária – o e-fatura – que nos permite conhecer o conteúdo das faturas e sintetizar a informação. Em breve, chegará o QR Code nas faturas, que também nos dará acesso a todo o seu conteúdo, por isso acredito que as ferramentas de automatização de tarefas rotineiras estarão para chegar”. O contacto com os clientes foi uma constante neste período pandémico e Gregório Mourinho reconhece que a Previsão não ficou indiferente às dificuldades de alguns clientes: “Os nossos clientes foram sempre auxiliados e, em alguns casos, percebemos que seria necessário reduzir a avença ou mesmo não cobrar nada durante esse período pandémico. Não fomos indiferentes às dificuldades de muitos dos nossos clientes, considerando que muitas empresas são empresas familiares e o único recurso económico das famílias. Sabíamos que não tinham dinheiro”.

Todavia, Gregório Mourinho deixa um alerta aos colegas contabilistas: “Os clientes reconheceram muito a nossa importância e o nosso trabalho durante a pandemia, por isso é muito importante capitalizarmos bem este sentimento, nos próximos tempos. Até ao momento, os contabilistas não têm sabido valorizar-se. Não vendem rigor e profissionalismo, vendem capacidade de trabalho e é por isso que, até ao momento, ainda não somos uma classe reconhecida. Temos de saber valorizar o nosso trabalho. O fator diferenciador para um serviço de Contabilidade não pode ser o preço”.

No que respeita ao futuro, o diretor-geral da Previsão é perentório: “Nós não gostamos de mudanças repentinas, amadurecemos as ideias. Aquilo que desejo para o futuro é aquilo que tivemos no passado. A Previsão é uma empresa com 40 anos e não se chega a esta idade sem um percurso de sucesso. Pretendemos manter o valor da confiança, bem como os nossos maiores ativos – os clientes e os colaboradores. Temos crescido, sempre de forma sustentada, mas não é o nosso objetivo principal. Queremos, sim, manter a qualidade do serviço e a qualidade de vida dos nossos colaboradores”.

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