“O mercado vai reajustar-se”

Rui Barrote e Paulo Pereira são sócios e responsáveis pelas agências imobiliárias Arcada Expo e Arcada Castilho. Em tempos de pandemia, relatam as dificuldades do setor e as alterações necessárias para continuar a comercializar imóveis, muitas vezes mantendo contacto com os clientes exclusivamente à distância.

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No que respeita à Arcada Expo e Arcada Castilho, quando surgiram no mercado? Como se posicionam no mercado, no que respeita à forma de lidar com os clientes?

Paulo Pereira (P.P.): A Arcada Expo surgiu em janeiro de 2020, aquando da mudança de escritório sito na Avenida João Crisóstomo, como estratégia de expansão e colocação em mercados Prime das nossas marcas. Foi algo pensado de forma a abranger as localizações que mais pretendíamos, para atingir os objetivos a que nos propusemos. A Arcada Saldanha (como inicialmente nos apelidámos) já existia desde maio de 2018, onde nos focámos principalmente no mercado estrangeiro, pelas características inerentes à nossa condição. Desde cedo os mercados da China e da Turquia foram trabalhados, com consultores “in house” oriundos desses países, com sucesso, pois os clientes ficam muito agradados com a facilidade de comunicação e credibilidade associada ao facto de poderem contar com conterrâneos seus na procura da sua nova habitação ou investimento, apoiados por uma equipa experiente e conhecedora do processo de investimento, seja ele de ARI (Golden Visa) ou de Residência Não Habitual (RNH). No seguimento desta estratégia, e na procura por um segundo espaço, surgiu a oportunidade na Rua Castilho, onde abrimos em junho de 2020 onde, apesar das dificuldades criadas pela pandemia Covid-19, conseguimos atingir o objetivo planeado.

Que características do mercado imobiliário da região onde estão inseridos gostaria de salientar?

P.P.: As freguesias do Parque das Nações e de Santo António, localizações “Prime” em Lisboa, são caracterizadas pelo facto de serem centros financeiros. A primeira localização é uma zona ribeirinha e moderna e a segunda uma localização muito central da Lisboa que todos gostamos, cosmopolita, movida e com a arquitetura tradicional que os investidores estrangeiros tanto gostam. Aliam qualidade de vida, tanto no setor residencial como no laboral, o que agrada à vastíssima maioria das pessoas, sendo assim duas localizações com uma pressão de procura muito elevada. As zonas verdes, o planeamento urbano, o rio e a facilidade de transportes públicos assim como os acessos a vias rápidas são fatores diferenciadores que fazem com que ambas as localizações sejam das mais desejadas e mais caras a nível nacional.

Como lidaram com a questão do confinamento e do teletrabalho, sobretudo tendo em conta que a área de atividade é uma área muito presencial e de relacionamento humano próximo entre consultor e cliente?

P.P.: É uma situação difícil pois, embora consigamos concluir negócios à distância, é um valor residual do volume de negócios que as visitas presenciais proporcionam. O mercado em geral teve de se readaptar à procura mais reduzida por parte dos estrangeiros, tanto pelas dificuldades criadas em viajar como pela incerteza gerada relativamente às alterações no Programa Golden Visa. A procura nacional também reduziu, pois existe um sentimento de que o mercado irá reajustar-se. O relacionamento com os clientes tem-se feito graças ao investimento na formação das nossas equipas, à tecnologia, profissionalismo e tenacidade por parte dos nossos consultores em manter o contacto com todos os seus clientes.

Que análise faz da redução da presença de estrangeiros no país? O mercado imobiliário da capital ressentiu-se?

Rui Barrote (R.B.): Os efeitos nefastos da pandemia fizeram-se notar em Portugal, pois tornou mais difícil a vinda de estrangeiros ao país, tanto que a quantidade de transações baixou neste segmento. Apesar das dificuldades, realizámos bastantes negócios à distância. Surgiram novos mercados, como os Estados Unidos, que estão muito ativos na procura de habitação em Portugal. O mercado de Lisboa ressentiu-se em volume, mas não em preços de venda, dado que os preços se mantiveram estáveis. No mercado de arrendamento houve uma queda significativa (15-20 por cento, dependendo das zonas), sobretudo nos pequenos imóveis, dado o grande volume de oferta desviado do mercado de alojamento local para o de arrendamento tradicional.

Se tivesse de destacar algumas questões que necessitam de ser alteradas no mercado imobiliário, quais destacaria?

R.B.: Teremos de mencionar a estabilização de regras/leis, nomeadamente fiscais. A constante alteração das regras/leis gera incerteza a todos os investidores nacionais ou estrangeiros. A incerteza no Programa Golden Visa, por exemplo, leva a comportamentos erráticos e, em algumas situações, na opção por outros países com regras mais claras e estáveis, como Espanha e Grécia. Gostaríamos também de ver a resolução eficaz e célere do problema do licenciamento urbano, que desmotiva qualquer potencial investidor com prazos pouco aceitáveis para aprovação de projetos.

Que comportamento terá o mercado imobiliário em 2021?

R.B.: Ainda que em 2020 os preços se tenham mantido estáveis (de forma global), a tendência que se perspetiva é um arrefecimento em 2021, uma suspensão temporária do mercado, até se resolver o problema da vacinação da população em geral. No entanto deverá haver um aumento da oferta superior ao movimento da procura, seja pela destruição inerente de postos de trabalho e consequências adversas, como pela dificuldade que existe em comercializar à distância, promovendo um movimento de descida de preços. Deverá manter-se a procura por moradias e apartamentos de maiores dimensões, com espaços exteriores, onde as pessoas têm mais espaço interior e exterior, bem como o recurso mais acentuado ao teletrabalho, que liberta a obrigação permanente de sair de casa. Esta terceira vaga chegou com força, atrasando a recuperação de diversos setores, onde o nosso também se insere, mas sairemos mais fortes, mais profissionais e com mais ferramentas de forma a ajudar os nossos clientes.

arcadaexpo@arcada.com.pt | arcadacastilho@arcada.com.pt

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