“O papel do contabilista tem vindo a reforçar-se”

Paula Duarte é contabilista certificada e sócia da JCB Contabilidade, uma empresa totalmente adaptada ao desenvolvimento tecnológico e com clientes nos vários setores de atividade. Relativamente a 2022, a expectativa é otimista, mas Paula Duarte relembra que podem surgir dificuldades.

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Como definiria a forma de trabalhar da JCB Contabilidade?

A JCB começou em 1997, ainda sob a forma de ENI. Em 12/2001 foi criada a sociedade por quotas. Em termos geográficos, a carteira de clientes situa-se maioritariamente nos concelhos de Barcelos, Braga, Esposende e Famalicão. Neste momento, temos cerca de 200 clientes entre médias, pequenas e microempresas (100) e empresários em nome individual (100). Além disso temos 10 IPSS (setor social) e seis Juntas de Freguesia.

O papel do contabilista tem vindo a reforçar-se e a ser mais valorizado pelos empresários/decisores. Passou a ser um consultor. A JCB Contabilidade 3.0, tem vindo a acompanhar essa mudança de paradigma e desde há alguns anos tem alargado os seus campos de atuação – nomeadamente, a fazer as simulações de resultados previsionais periodicamente, planeamento fiscal (não abusivo), a introduzir a digitalização e acesso a informação do cliente online, formação ao empresário/gestor ao nível da gestão e contabilidade, etc. Ao nível das IPSS, estamos a apostar na elaboração de um diagnóstico transversal (contabilidade, apoio técnico, legal) a toda a instituição, para aferir as áreas de atuação principais para a nossa intervenção. Neste momento temos vários projetos/marcas, sendo a principal a Contabilidade 3.0, a smartIPSS e a smartFreguesia, duas marcas/projetos que estão na fase de arranque e um novo projeto que surgiu para responder a uma necessidade emergente da pandemia – a oitava – agência criativa para o marketing digital.

Enquanto contabilista, quais diria serem os principais problemas existentes neste setor, que necessitam de alteração rápida?

O setor da Contabilidade debate-se com vários problemas: honorários baixos; elevado número de obrigações declarativas ao longo de todo o ano; redundância de várias obrigações declarativas a vários organismos estatais contendo a mesma informação; sistema fiscal português complexo.

Fiscalmente, como se caracterizam as IPSS e qual o papel do contabilista junto das mesmas?

As IPSS são entidades do setor não lucrativo com características específicas, quer a nível técnico, quer a nível de funcionamento. Um dos grandes problemas que, na minha opinião, transcende estas entidades são as Direções pouco profissionais/ especializadas, uma vez que, na generalidade, não são remuneradas e assim pouco apelativas a pessoas mais qualificadas. Assim, o contabilista assume também os papéis de consultor, formador e de apoio à Direção e Direção Técnica para a tomada de decisões. Ao nível da fiscalidade, estas entidades detêm benefícios fiscais, sendo importante o papel do contabilista para que as apoie de forma a maximizar estes benefícios.

Quais são os desafios que as IPSS enfrentam, em época de crise financeira?

A disponibilidade dos mecenas é menor em situação de crise financeira e as necessidades de apoio social aumentam, de forma mais acentuada. Outra questão que está diretamente associada a estas instituições são as suas receitas próprias (as mensalidades cobradas aos utentes), dado que as mesmas são cobradas conforme regras da Segurança Social, mediante os rendimentos do agregado familiar, logo menos rendimentos, menos receitas.

Como antecipa, enquanto contabilista, a forma como a economia nacional se comportará no próximo ano?

Estamos otimistas. O PRR trará grandes oportunidades para as empresas, IPSS’s e autarquias. Existem fatores de incerteza: a crise dos transportes, a falha das matérias-primas, a falta de mão de obra e a incerteza de um Governo estável, além da demora no controlo da pandemia e as novas variáveis do coronavírus. O setor exportador irá definir como se vai comportar a economia portuguesa.