O poder de comunicar com intenção

Uma liderança eficaz não depende apenas do que se diz, mas do efeito que se pretende criar. Carlos Casquinha revela como comunicar com intenção, credibilidade e inteligência emocional.

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O que distingue uma comunicação eficaz de uma comunicação estratégica e persuasiva, e qual é a sua importância na liderança?
A comunicação estratégica distingue-se pela intencionalidade de atingir um determinado objetivo. Toda a comunicação produz um efeito no recetor, mas, no caso da comunicação estratégica, esse efeito é previamente definido e claro. Trata-se, por isso, de uma comunicação intencional e propositada, orientada para provocar um determinado efeito no recetor. Esta forma de comunicação é fundamental para quem lidera, uma vez que um líder tem como missão motivar os seus colaboradores e criar neles a vontade de alcançar o “seu” objetivo.

No contexto empresarial, onde termina a persuasão e começa a manipulação? Que princípios devem orientar uma comunicação persuasiva e responsável?
Ambas utilizam as mesmas “armas”. A diferença está na intenção. Se as “armas” fossem diferentes, a manipulação era facilmente detetada. Distingo-as pela intenção: quando temos em conta o bem-estar do outro, estamos a persuadir. Quando não temos, estamos a manipular. Ser eticamente responsável exige ser honesto, claro, íntegro, empático e compreensivo.

O que torna um líder credível aos olhos de uma equipa e que erros de comunicação podem destruir rapidamente essa confiança?
O exemplo, a capacidade de resolução de problemas, a gestão e o suporte emocional são os pilares da credibilidade.  A confiança pode ser destruída quando algum destes princípios falha. E, por vezes, falham por falta de clareza ou incoerência entre palavras e ações.

Em contextos de pressão e crise, que ensinamentos podem ser aplicados à liderança empresarial, sobretudo na comunicação?
A comunicação e a confiança treinam-se antes dos momentos de pressão ou de crise. Sob pressão, a resposta automática é a que está mais treinada. No Exército dizemos “treino duro, combate fácil” porque o mais importante é o treino de todas as capacidades, ou seja, os Hard e os Soft Skills.

Paralelamente, as nossas emoções vão influenciar o julgamento, por isso, desenvolver a inteligência emocional e treinar a regulação emocional tornam-se fundamentais para uma maior capacidade de decisão sob pressão.

Comunicamos mais, mas comunicamos melhor? Que competências são hoje essenciais a quem queira ser um melhor comunicador e, por isso, um melhor líder?
A comunicação está mais democratizada. Há 50 anos, apenas os órgãos de comunicação social chegavam a milhares de pessoas. Atualmente, qualquer pessoa pode fazê-lo. A competição pela atenção mediática fez com que estejamos a comunicar mais e melhor, mas o melhor não significa que estejamos a conseguir atingir os nossos objetivos.

Então, para sermos melhores comunicadores e líderes, precisamos de comunicar estrategicamente de modo a atingirmos os objetivos propostos, de forma persuasiva, e desenvolver capacidades de inteligência e regulação emocional.