“O que diferencia a liderança feminina é a ligação às relações humanas”

Sílvia Fernandes, CEO da Flam & Luce byClassy, é uma mulher empreendedora, que escolheu abrir um negócio na área da decoração de interiores, especializado na iluminação. O caminho que trilhou, à frente do seu tempo, contribuiu para mudar algumas mentalidades. Acredita que, atualmente, a mulher é valorizada no que se refere ao seu posicionamento no mercado de trabalho.

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Há quase 15 anos que criou e continua a desenvolver a Flam & Luce byClassy. A área da iluminação e dos candeeiros sempre foi algo que a atraiu?

Entrei no mundo da decoração, e mais precisamente na indústria do vidro, no âmbito de um estágio curricular no decorrer da minha formação académica. Foi seguindo as várias oportunidades que a vida nos vai apresentando que
me fui especializando no setor da iluminação decorativa. A iluminação decorativa tem um encanto particular, porque junta criatividade com utilidade. É uma peça decorativa que desempenha uma função essencial num espaço,
transformando totalmente o ambiente onde se insere dependendo do estilo escolhido.

Desenvolver uma liderança numa área onde os homens ainda têm uma presença mais premente tem sido desafiante? Quais os aspetos que destaca, ao longo da sua evolução enquanto líder, que demonstram que as mulheres estão mais presentes no mercado laboral?

Comecei numa altura em que a mulher empreendedora não era bem recebida, em Portugal. Quero acreditar que dei algum contributo na evolução das mentalidades, juntamente com o impulso dado por todas as mulheres que também iniciaram esse percurso na mesma altura que eu. Hoje, é raro sentir o estigma da misoginia, e diria que,
de uma forma geral, a mulher é valorizada. A mulher empreendedora combina as qualidades de um líder
masculino, no que diz respeito à ambição e determinação, com as qualidades tendencialmente femininas
de mais sensibilidade e inteligência emocional. De uma forma geral, a abordagem feminina diferenciadora na liderança parece-me diretamente ligada às relações humanas.


Acredita que a liderança feminina pode, de alguma forma, alterar a forma como as empresas se posicionam no mercado? Na área da decoração, isso nota-se?

O mundo da decoração pede uma certa abertura e sensibilidade a tudo o que acontece ao seu redor. Por exemplo, o desenvolvimento das coleções só acontece se for prestada atenção a todas as conversas com clientes, equipas, e todo o universo de pessoas que se cruzam connosco. Parece-me que a mulher tem essa capacidade inata de absorver uma quantidade gigante de informação vinda de vários sítios ao mesmo tempo, para a transformar em algo produtivo para o desenvolvimento do seu negócio.

Como define o conceito e o propósito da Flam & Luce? O que caracteriza as peças que desenvolvem e escolhem para as vossas coleções?

Quando olho para as coleções dos últimos 10 anos, posso facilmente dizer o seguinte: os modelos têm de ser diferentes de tudo o que já foi feito até agora. Devem suscitar um efeito de surpresa nos nossos clientes, serem inovadores, elegantes, provocadores e funcionais.

Como antecipa a evolução do mercado, neste setor, e como se prepara a Flam & Luce, sob o seu comando, para enfrentar o futuro?

O mundo sofreu alterações drásticas nos últimos anos. Os mercados evoluíram e parece-me que a chave reside na capacidade de adaptação, a todos os níveis. A flexibilidade de uma empresa é proporcional ao seu crescimento.