Se pudesse voltar ao primeiro dia em que entrou na empresa, o que diria à profissional que era nessa altura?
Iniciei este percurso como Técnica Superior de Segurança e Saúde no Trabalho, sem experiência, e rapidamente percebi que, embora a experiência seja importante, são a atitude, a curiosidade e a vontade de aprender que impulsionam verdadeiramente o crescimento. Nesse primeiro dia, diria à profissional para confiar nas suas capacidades e encarar cada desafio como uma oportunidade de aprendizagem e crescimento. Na altura, dificilmente imaginaria que, um dia, integraria o Comité Diretivo da Quirónprevención Portugal.
Mais do que os cargos que fui assumindo, o que mais me orgulha é o percurso construído com trabalho, resiliência, consistência, interajuda e vontade de melhorar. O crescimento não aconteceu apenas pelos desafios superados, mas pela forma como cada um deles me transformou. Foram as aprendizagens, as pessoas com quem tive o privilégio de trabalhar e a vontade constante de fazer diferente que moldaram a profissional que sou hoje.
Ao longo do seu percurso, houve momentos em que teve de escolher entre permanecer na sua zona de conforto ou aceitar desafios para os quais ainda não se sentia totalmente preparada. Qual dessas decisões acabou por redefinir a sua carreira?
Percebi que o crescimento acontece quando aceitamos novos desafios, mesmo antes de nos sentirmos totalmente preparados. Cada etapa, exigiu uma mudança de mentalidade e uma nova forma de olhar para o meu papel dentro da organização. Quando assumi a gestão de equipas, compreendi que liderar não é ter todas as respostas, mas criar as condições para que as pessoas cresçam e alcancem o seu melhor, tendo como foco a solução. Mais tarde, como Diretora da Zona Norte, desenvolvi uma visão mais estratégica, focada no impacto das decisões no negócio e nas pessoas. A integração no Comité Diretivo representou uma nova transformação, deixou de ser apenas gerir uma área para contribuir para a definição do rumo da Quirónprevención Portugal, conciliando visão estratégica, responsabilidade e compromisso com a missão da empresa.
Hoje, reconheço que não foi uma decisão isolada que redefiniu a minha carreira, mas a escolha consciente de continuar a evoluir e abraçar a mudança. Cada desafio trouxe novas aprendizagens e mostrou-me que a verdadeira evolução acontece quando deixamos de questionar se estamos preparados e passamos a confiar na nossa capacidade de aprender, adaptar-nos e crescer. A maior lição é que a evolução profissional não acontece quando alcançamos um novo cargo, mas quando nos tornamos uma nova versão de nós próprios.
“Hoje reconheço que não foi uma decisão isolada que redefiniu a minha carreira, mas a escolha consciente de continuar a evoluir e abraçar a mudança.”
Qual foi a mudança de mentalidade mais importante que teve de fazer para passar de executora a elemento do Comité Diretivo?
A maior mudança foi deixar de olhar apenas para a execução e passar a pensar estrategicamente. Hoje, procuro soluções para o desenvolvimento do negócio, compreendendo o impacto das decisões nas pessoas e no futuro da organização. Integrar o Comité Diretivo exige uma visão mais abrangente, capacidade de antecipação e responsabilidade na tomada de decisão. Acredito que os cargos reconhecem um percurso, mas não definem um líder. O que verdadeiramente transforma uma pessoa é a capacidade de continuar a aprender, inspirar confiança e colocar o propósito coletivo acima do reconhecimento individual.
Numa empresa cuja missão passa por cuidar das pessoas e das organizações, como se lidera o crescimento do negócio sem perder de vista a dimensão humana?
Acredito que não existe crescimento consistente sem colocar as pessoas no centro das decisões. Quando as equipas se sentem valorizadas, ouvidas e apoiadas, os resultados surgem naturalmente. Ao longo do meu percurso, acompanhei situações em que a proximidade, a empatia e a capacidade de ouvir fizeram toda a diferença, tanto para colaboradores como para clientes. Numa empresa cujo lema é: “O nosso trabalho é cuidar do seu”, cuidar não pode ser apenas aquilo que oferecemos aos nossos clientes.
Hoje, levo essa convicção para todas as decisões do Comité Diretivo. Liderar é encontrar o equilíbrio entre ambição e empatia, entre objetivos e pessoas, porque uma empresa cresce verdadeiramente quando as pessoas crescem com ela.
Há quem acredite que a progressão na carreira depende sobretudo do talento e quem defenda que depende das oportunidades. Olhando para o seu percurso, que peso atribui a cada um destes fatores e qual foi o terceiro elemento, menos evidente, que fez realmente a diferença?
O talento é importante e as oportunidades são fundamentais, mas nenhum destes fatores produz resultados sem compromisso e consistência. No meu percurso, o que verdadeiramente fez a diferença foi a resiliência, a capacidade de acreditar, a vontade constante de aprender e a disponibilidade para assumir responsabilidades, sabendo que, mesmo quando algo não corre como esperado, é sempre possível encontrar soluções. As oportunidades surgem, mas é a forma como escolhemos aproveitá-las que determina o nosso crescimento.
Quando olhar para este percurso daqui a dez anos, que legado espera deixar dentro da empresa?
Os resultados são importantes porque refletem o sucesso da organização, mas acredito que o verdadeiro legado está nas pessoas. Gostaria de ser lembrada como alguém que contribuiu para o crescimento da Quirónprevención Portugal. Gostaria que se lembrassem de alguém que sempre acreditou no projeto, que sempre procurou soluções, que desafiou e se desafiou, que ouviu, que inspirou confiança e que esteve presente nos momentos mais exigentes.
Ao longo deste percurso, aprendi que os cargos são passageiros, os projetos terminam e os resultados, por muito importantes que sejam, acabam por dar lugar a novos desafios. O que permanece são as relações que construímos, a confiança que conquistamos e o impacto que deixamos na vida das pessoas. É esse o legado que espero deixar na Quirónprevención Portugal: uma cultura onde a exigência caminhe lado a lado com a empatia, onde o crescimento da empresa aconteça porque as pessoas também crescem e onde cada colaborador sinta que o seu contributo faz realmente a diferença.
Gostava de olhar para trás e sentir que a empresa está melhor do que a encontrei, não apenas pelos resultados alcançados, mas porque contribuí para que as pessoas acreditassem mais em si próprias, trabalhassem com propósito e percebessem que o sucesso nunca é uma conquista, mas uma construção coletiva.











