Paula Alves – Fascinada pela Ciência, motivada pelo futuro

Paula Alves sempre foi fascinada pelas Ciências e o seu caminho pela área da Investigação revelou-se certeiro e apaixonante. Há 14 anos a liderar o iBET, reconhece que se sente realizada com o caminho percorrido, mas disposta a continuar a trabalhar e a fazer crescer a sua instituição.

0
502

Sempre quis seguir uma carreira ligada à Ciência e à Investigação?

Desde criança que sou fascinada pelas ciências naturais. Licenciei-me em Bioquímica na FCUL, um curso enriquecedor e orientado para a investigação, onde se complementavam os princípios e fundamentos com a discussão de avanços científicos acabados de publicar. Assim nasce o meu gosto pela investigação. Concluí a licenciatura numa fase de avanços significativos na engenharia genética e no desenvolvimento de medicamentos biológicos, o que me motivou a iniciar o doutoramento em Eng. Bioquímica no ITQB NOVA. Durante esse período,
trabalhei em laboratórios na Noruega, Alemanha e Reino Unido, onde desenvolvi competências em áreas que não existiam ainda em Portugal. Desde então, dedico-me à investigação e desenvolvimento (I&D) de bioprocessos para produção de biológicos (anticorpos e vacinas) e terapias genéticas e celulares. Em 2009, uma sabática no MIT despertou o meu espírito mais empreendedor. Sou uma cientista orientada para soluções, motivada por aplicar conhecimento para desenvolver produtos, tecnologias, processos e plataformas.

Há mais espaço para mulheres na Ciência hoje? A que se deve essa evolução?

As mulheres têm um papel undamental na Ciência, e em todos os setores a nível global. Portugal é um bom exemplo
de equilíbrio de género e valorização das suas cientistas; recomendo a visita à exposição Mulheres na Ciência no Pavilhão do Conhecimento que desvenda a inspiração destas mulheres e o seu contributo. O número de mulheres tem crescido nas diversas áreas de investigação, principalmente nas ciências biológicas e da saúde. Várias instituições I&D portuguesas e internacionais são hoje lideradas por mulheres. Esta evolução resulta de décadas de trabalho com políticas de igualdade, proteção da família e programas de incentivo. É reconhecido o potencial da diversidade de género para a inovação e produtividade em Ciência. No iBET, mais de 70% dos colaboradores são
mulheres, presentes em todos os níveis, incluindo cargos de direção e liderança.

Lidera o iBET há quase 14 anos. Como se define enquanto líder? Qual o impacto no crescimento do iBET?

Um líder deve inspirar, guiar e desenvolver pessoas para que se sintam parte de um objetivo comum. O iBET é uma instituição privada sem fins lucrativos de utilidade pública, dedicada à I&D em Biotecnologia e tem como missão colocar o seu conhecimento ao serviço das empresas, da economia e da clínica. Enquanto líder, ambiciono que todos os iBETianos vivam esta missão, sintam que o seu trabalho tem impacto e contribui para melhorar a saúde e bem-estar. A partilha da ambição, compromisso e procura pela excelência permitiu ao iBET, fundado em 1989, tornar-se uma referência global. Trabalhamos com parceiros da indústria farmacêutica e biotecnológica, e integramos consórcios com instituições de I&D, hospitais e universidades de renome. Orgulhamo-nos do investimento internacional que obtemos para a nossa I&D.

Que balanço faz do seu percurso?

Extremamente positivo e enriquecedor, foi um percurso exigente, de trabalho e aprendizagem constante. Abracei desafios e saí da zona de conforto para liderar e fazer crescer o iBET. Tive momentos de grande realização profissional, e outros mais difíceis, que capitalizei em aprendizagem. É um privilégio fazer este caminho com
pessoas excecionais: mentores, entre eles o fundador do iBET, alunos e colegas que partilham o mesmo propósito. Ver ex-alunos espalhados pelo mundo a trabalhar em Ciência na academia e indústria, é das maiores recompensas.
Contribuir para uma Ciência com impacto global é um enorme orgulho. Continuo motivada para, com todos os iBETianos, construir o futuro da nossa Instituição.