“Portugal evoluiu quando se trata de saúde mental, mas o estigma ainda persiste”

Dia 10 de outubro celebrou-se o Dia Mundial da Saúde Mental. Nestes momentos, a saúde mental é sempre destacada e surgem testemunhos da sua importância. No entanto, Portugal não é, ainda, um país conhecido por proteger a saúde mental da sua população. A psicóloga Eduarda Figueiras salienta, uma vez mais, a importância de cuidar do corpo como um todo, incluindo a saúde mental, para o bem-estar geral do indivíduo.

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Enquanto profissional da área, o que acredita que falta fazer para que Portugal proteja mais a saúde mental da população?

A OMS define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental, social …”, por isso, não podemos desvalorizar a nossa saúde mental! É fundamental para uma qualidade de vida satisfatória. Apesar dos avanços, Portugal continua a enfrentar desafios na promoção e proteção da saúde mental sendo necessário implementar
soluções eficazes. Uma delas passa por combater o estigma ainda existente, apesar de já haver uma melhoria relativamente ao mesmo. Muitas pessoas não procuram ajuda por medo do julgamento social ou por falta de compreensão. É fundamental existirem medidas para combater o estigma e promover um ambiente de aceitação e compreensão tal como existe com a saúde física.

Quais as áreas que devem, a seu ver, ser consideradas prioritárias no que respeita ao investimento na saúde mental?

É fundamental investir em áreas como a prevenção. Esta é essencial para evitar o agravamento dos sintomas, reduzir o sofrimento e promover o bem-estar. A prevenção pode ser reforçada, com programas nas escolas e na
comunidade para aumentar a literacia em saúde mental. Também é importante investir nos cuidados de saúde primários, reforçando o número de profissionais de saúde mental.

Que políticas públicas podem ser adotadas com vista a um reforço da saúde mental e a um aumento do acesso da população a estes cuidados?

Nos últimos anos Portugal tem vindo a implementar medidas públicas para reforçar a saúde mental, por exemplo, as linhas de apoio telefónico. Apesar destes avanços, persistem desafios como a escassez de profissionais de saúde
mental nos serviços de cuidados primários e o estigma associado às perturbações mentais. Nesse sentido, é importante implementar algumas medidas como o reforço do número de psicólogos e psiquiatras nos centros de saúde; programas que possam aumentar a literacia em saúde mental nas escolas e, por sua vez, alargados à comunidade para que haja abertura para falar de saúde mental. Também é importante não fazer distinção entre a
saúde física e mental, o que vai contribuir para uma redução do estigma.

Enquanto psicóloga, quais os principais problemas com que as pessoas se deparam, a nível de saúde mental?

Todos nós enfrentamos desafios emocionais. Os mais frequentes são a ansiedade, depressão, stress e questões relacionadas com a autoestima. Estas estão, muitas vezes, relacionadas com o trabalho, instabilidade financeira e relações interpessoais. Existem também dificuldades na regulação emocional de crianças, adolescentes e adultos, o que gera um sofrimento silencioso. Os psicólogos têm um papel importante na intervenção ao fornecer um espaço seguro para os seus clientes expressarem os seus sentimentos e preocupações, ajudando-os a identificar padrões de pensamentos negativos, ensinando estratégias adaptativas e trabalhando em conjunto para que a pessoa atinja o bem-estar.