O que a levou a avançar para um atelier em nome próprio?
Decidi abrir o meu próprio atelier porque acredito que a arquitetura deve ser vivida como um serviço totalmente orientado para o bem-estar do cliente, conforme diz Siza Vieira: “A arquitetura é, antes de mais, um serviço. É um serviço orientado para o bem-estar.” Este lema está presente em todas as decisões do meu percurso. Tendo autonomia, criei um espaço onde posso valorizar o acompanhamento individualizado e conjugar criatividade com funcionalidade, oferecendo uma arquitetura que respeita a identidade e as necessidades de cada pessoa.
Enquanto arquiteta, como caracteriza o seu trabalho?
O meu trabalho é pautado pela busca da solução mais funcional e criativa para cada desafio, cruzando rigor técnico, sensibilidade espacial e proximidade com o cliente. Dou ênfase ao processo de escuta e diálogo, projetando ambientes que promovem o conforto físico e emocional, sempre com sustentabilidade e inovação como parte do projeto. Procuro que cada espaço seja verdadeiramente vivido, respondendo às dinâmicas do quotidiano e adaptando-se ao futuro.
A atratividade e a beleza devem andar de mãos dadas com a forma e a função dos elementos, a seu ver?
Para mim, atratividade e beleza são inseparáveis da função. A beleza nasce do diálogo entre a forma e a função; não existe em separado. Um espaço belo é aquele que, além de agradar aos sentidos, faz sentido para quem o utiliza. A arquitetura que desenvolvo resulta do equilíbrio entre a estética e a funcionalidade, provocando emoções e elevando a experiência do dia a dia.
O trabalho de um arquiteto vai para lá da realização de um projeto infraestrutural de um edifício. Que outros serviços também disponibiliza a quem a procura?
Disponibilizo o acompanhamento integral desde a conceção à obra, incluindo consultoria em licenciamento, reabilitação, gestão de projetos e coordenação técnica. Também desenvolvo estudos de viabilidade, apoio em escolha de materiais, reorganização e decoração de interiores e planeamento sustentável de espaços exteriores, garantindo que a arquitetura transforma vidas tanto no quotidiano privado quanto no ambiente profissional.
“O design é o motor que
impulsiona a arquitetura
para soluções inteligentes
e personalizadas”.
“Design para a Força” é o tema de 2025, que assinala o Dia Mundial da Arquitetura. Que importância tem o design nas construções?
O design é o motor que impulsiona a arquitetura para soluções inteligentes e personalizadas. Ao pensar em “Design para a Força”, vejo o design como o meio de tornar os espaços mais resilientes, adaptáveis e inclusivos. Cada edifício
deve ser desenhado para resistir aos desafios do tempo e responder às necessidades de quem o habita, contribuindo para a robustez física, social e emocional das comunidades.
Acredita que a Arquitetura pode realmente impactar a vida das pessoas, quer a nível pessoal, quer profissionalmente, nos seus espaços empresariais?
A arquitetura tem um poder transformador na vida das pessoas. Um ambiente pensado para o conforto, funcionalidade e bem-estar contribui diretamente para a saúde, produtividade e felicidade de quem o utiliza.
Nos espaços empresariais, a organização, luz e ergonomia influenciam o desempenho e as relações, criando ambientes que promovem a criatividade e a colaboração.
Tendo em conta todos os desafios com que a Arquitetura tem de contar atualmente – sustentabilidade, design, utilidade, aproveitamento de espaço – quais os projetos que já realizou que melhor respondem a estas necessidades? Tem em conta os materiais a utilizar, quando desenha um projeto?
Nos meus projetos, dou especial atenção ao aproveitamento racional de espaço e à escolha de materiais sustentáveis e duráveis. Recentemente, desenvolvi várias soluções de reabilitação de edifícios e casas eficientes, integrando vegetação autóctone e privilegiando a eficiência energética. A seleção criteriosa dos materiais visa garantir longevidade, conforto térmico e impacto ambiental reduzido, sempre com atenção ao orçamento do cliente.
A Arquitetura será ainda mais, no futuro, uma peça importante no desenvolvimento de espaços urbanos inteligentes e humanizados? Como se posiciona o Ana Gonçalves Atelier rumo ao futuro?
Vejo o futuro da arquitetura como uma oportunidade para criar cidades mais inteligentes, inclusivas e acolhedoras.
O meu atelier aposta na investigação contínua, na formação em novas tecnologias e design sustentável, sempre mantendo o foco nas reais necessidades das pessoas. Estou aberta a parcerias interdisciplinares e aposto em soluções flexíveis, inovadoras e humanizadas, para responder aos desafios urbanos e garantir que o bem-estar seja sempre prioritário, hoje e amanhã.










