“Portugal tem de simplificar o investimento estrangeiro”

A Finpartner é uma empresa posicionada a nível nacional e internacional, nas áreas da Contabilidade e Consultoria. Com a maioria da sua carteira de clientes concentrada em empresas de capital estrangeiro, a Finpartner considera que será possível às empresas ultrapassarem a crise causada pela pandemia, no entanto a administradora, Daniela Esteves, aponta questões burocráticas como um dos principais problemas que Portugal precisa de resolver se quiser aumentar o investimento internacional.

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Daniela Esteves (ao centro), administradora

No ano em que celebram 15 anos, e sendo este um ano em que estamos a sair da pandemia, que lições tira da forma como se podem posicionar no mercado?

Foi sem dúvida um ano muito desafiante, devido à pandemia Covid-19. Apesar disso, conseguimos manter a nossa trajetória crescente no que toca à consolidação da nossa atividade e à expansão para alguns serviços secundários. Tivemos de fazer várias adaptações extremamente rápidas, como foi o caso do teletrabalho e a criação de meios de comunicação adicionais com os nossos clientes, pois, para nós, era importantíssimo que o trabalho de equipa, que é um dos nossos principais eixos, se mantivesse e se reforçasse e que a proximidade que incentivamos junto dos nossos clientes não fosse afetada. O teletrabalho foi uma viragem de paradigma para nós, e sem dúvida uma das lições que retirámos deste ano. A Contabilidade é uma área que, tradicionalmente, envolve muita documentação física, mas com a passagem para a modalidade de trabalho à distância foi necessário aderirmos à desmaterialização documental. A proximidade com o cliente diria que foi outra das lições mais importantes que retirámos. Antes da pandemia não havia o hábito de fazer reuniões digitais, e com esta nova realidade acabou por ser algo interessante, pois assim que começámos a adotar estas novas ferramentas de comunicação de forma frequente, sentimos que tínhamos mais contacto com os nossos clientes do que antes da pandemia.

A Consultoria é, cada vez mais, uma parte fundamental do desenvolvimento das empresas. Quais as dificuldades mais comuns que encontram quando iniciam um trabalho deste género?

A dificuldade mais comum com que nos deparamos é o excesso de burocracia, o que às vezes acaba por ser determinante quando o cliente quer decidir se investe ou não em Portugal. Para além disso, também notamos que, por vezes, certos organismos do Estado têm uma comunicação deficitária entre eles e mesmo entre os organismos e os potenciais investidores. Estes problemas constituem entraves ao nosso trabalho, pois torna-se difícil fazer um planeamento exato de quais os procedimentos a seguir, quanto tempo será consumido e custos inerentes a determinados investimentos e projetos. Em 2020, Portugal colocava-se no 10º lugar das economias mais atrativas para o investimento direto estrangeiro, todavia considero que é premente a necessidade de melhorar e simplificar procedimentos, para que não seja um entrave na hora de decidir investir ou não em Portugal.

Em 2020, Portugal colocava-se no 10º lugar das economias mais atrativas para o investimento direto estrangeiro, todavia considero que é premente a necessidade de melhorar e simplificar procedimentos para que não seja um entrave na hora de decidir investir ou não em Portugal

Como veem os empresários nacionais este serviço? Ele já é encarado com a importância devida?

A nível nacional, creio que começa a haver mais consciência por parte dos empresários de que o serviço de Consultoria, como complemento ao serviço de Contabilidade, é uma peça fundamental no desenvolvimento e manutenção do negócio. Ainda assim, sentimos alguma resistência e a catalogação fácil de que o trabalho de um contabilista se resume a contabilizar documentos e/ou entregar declarações fiscais. Mas creio que essa mentalidade começa a ser alterada, acredito igualmente que essa mudança tenha que ser impulsionada pelos profissionais da nossa área.

Como pode a Finpartner ajudar as empresas suas clientes a desenvolverem o seu negócio e a crescerem?

Acreditamos que podemos ajudar ativamente, através dos nossos serviços de qualidade que, aliados às nossas equipas de profissionais, proporcionam um serviço “costume made” aos nossos clientes. Nós trabalhamos divididos por equipas, havendo equipas responsáveis pelos serviços de Contabilidade & Consultoria, Representação Fiscal, IRS e Processamento Salarial. Os elementos de cada equipa tendem a estar focados nos temas pelos quais estão responsáveis, procurando uma atualização constante de forma a poderem proporcionar soluções adequadas à realidade de cada cliente. É desta forma que acreditamos que podemos fazer a diferença junto dos nossos clientes, contribuindo de forma ativa para o crescimento e desenvolvimento dos seus negócios.

Enquanto empresa ligada à Contabilidade e Consultoria, que análise faz da capacidade das empresas se “reerguerem” e a retoma económica ter lugar?

As empresas com que trabalhamos, na sua maioria, têm capital estrangeiro privado, com um baixo grau de endividamento, pelo que nos parece possível a retoma das mesmas, já que a dependência de capital alheio é reduzida ou mesmo nula. Os clientes coletivos nacionais com quem trabalhamos, apesar da redução da atividade derivada da pandemia, estão agora a conseguir recuperar paulatinamente a sua atividade, principalmente desde o levantamento das restrições de circulação. Claro está que o sucesso deles também estará muito condicionado por fatores externos, nomeadamente, caso a pandemia volte a agravar-se e se o confinamento voltar a ser novamente uma realidade. Acredito que o papel do Estado também será decisivo para que a Economia, como um todo, possa prosperar.

Relativamente ao próximo ano, que análise faz da possibilidade de ser um ano de retoma?

Relativamente ao próximo ano, tenho sentimentos contraditórios. Por um lado, encaro com algum ceticismo que tenhamos um bom arranque no próximo ano, com a instabilidade política com que nos deparamos atualmente e que terá repercussões na vida das empresas e dos particulares e que terá necessariamente impacto na atração de investimento estrangeiro. Por outro lado, se a pandemia se mantiver controlada e não forem decretados mais confinamentos internos e/ou externos acredito que a trajetória possa começar a ser ascendente, aliando a isto medidas de atração e manutenção do investimento e de algum alívio fiscal.

No que respeita à Finpartner, quais são os objetivos, a médio prazo, que possa partilhar?

Relativamente aos nossos objetivos, passam por continuar a consolidação das nossas áreas-chave, continuando a certificação de qualidade das mesmas. Isto aliado à continuação do investimento que temos realizado na área tecnológica, de forma a nos permitir agilizar tarefas e tornar-nos mais eficientes. Uma das áreas tecnológicas que gostaríamos de estudar e explorar a sua aplicação à nossa atividade é a tecnologia blockchain, que apesar de estar muitas vezes ligada às criptomoedas, tem outras utilidades que poderão aportar mais-valias ao nosso trabalho. Gostávamos igualmente de apostar na transição verde, melhorando o nosso arquivo digital e eliminar ao máximo o uso de papel. Para além de tudo isto, a internacionalização da marca continua a ser um dos nossos maiores objetivos, pelo que continuaremos a trilhar esse caminho.

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