Prevenção e confiança na saúde oral infantil

Dr.ª Diana Freitas defende uma aboragem integrativa na saúde oral pediátrica, onde a prevenção, a educação e o envolvimento familiar são essenciais para combater problemas como a cárie dentária e promover o bem-estar global da criança desde os primeiros anos de vida.

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Que momentos foram determinantes para a sua especialização em odontopediatria e para a forma como encara a saúde oral infantil?
Desde cedo senti o carinho das crianças. Percebi que a experiência no consultório pode marcar a relação da criança com a saúde oral. O medo, a ansiedade e experiências negativas reforçaram em mim a vontade de fazer diferente. Ver o crescimento, os hábitos e a educação precoce foi decisivo. Hoje encaro a saúde oral como parte do bem-estar global e vice-versa. Por isso, cada consulta é uma oportunidade para educar, prevenir e criar uma relação positiva e de confiança.

No IKIMED – Instituto de Medicina Integrativa do Baixo Vouga, esta visão integral e preventiva permite-me olhar para a criança como um todo, com atenção a fatores como alimentação, sono, comportamento e contexto familiar, com um atendimento humanizado. Esta visão holística e menos reducionista tem sido essencial para promover uma saúde oral mais equilibrada e sustentável.

O que a motivou a escolher esta área e quais são os maiores desafios e recompensas?
A escolha surgiu de forma natural, pelo carinho que sempre senti pelos mais pequenos, e consolidou-se ao perceber o impacto real que podemos ter na vida de uma criança. Sempre me motivou intervir cedo, não só para tratar, mas sobretudo para prevenir e educar. Ao trabalhar com crianças, também influenciamos pais e cuidadores, promovendo hábitos duradouros. O que mais me encanta é a união entre ciência e relação humana.

Cada criança é única e exige criatividade, adaptação e amor. O maior desafio é gerir o medo e a ansiedade, envolver as famílias e reforçar a literacia. A maior recompensa é ver uma criança entrar no consultório com confiança e entusiasmo, e perceber que contribuímos para uma relação saudável com a saúde, é algo muito marcante e emocionante.

Quais são os problemas mais frequentes nas crianças em Portugal e que fatores contribuem?
Um dos problemas mais frequentes continua a ser a doença cárie, muito comum na infância. Apesar de haver melhorias, a prevenção continua insuficiente. Observo também gengivite, má oclusão, apinhamento dentário, hábitos orais nocivos prolongados como alterações dos maxilares, que podem afetar o desenvolvimento craniofacional, sucção não nutritiva, bruxismo, onicofagia, respiração oral, entre outros.

A alimentação é crucial: açúcar e ultraprocessados aumentam o risco, tal como petiscar ao longo do dia, que mantém o meio oral ácido. A falta de literacia é outro obstáculo, porque leva a higiene inadequada e à ideia errada de que se deve ir ao médico dentista quando há dor.

Que orientações deixaria aos pais e que mensagem gostaria de partilhar no Dia Mundial da Saúde Oral?
A prevenção deve começar antes até do nascimento, na pré-conceção com a mudança de hábitos, promoção da saúde e educação dos próprios pais. A primeira consulta deve ocorrer com o primeiro dente ou até ao primeiro ano. É essencial a escovagem supervisionada, uma rotina consistente, orientações nutricionais, acompanhamento regular e os pais como modelo. Importa criar uma cultura de saúde na família. A saúde oral começa nos pequenos gestos e tem impacto para toda a vida. A maioria das doenças orais são preveníveis.

Começar cedo faz toda a diferença, na experiência e no ganho de hábitos saudáveis. Pequenas mudanças, grandes resultados. Investir na saúde oral das crianças é investir na sua qualidade de vida, autoestima e bem-estar geral. É dar-lhes ferramentas para crescerem mais saudáveis e conscientes. Cuidado na criança como um todo, hoje e no futuro.