PRODESI: desenhado para apoiar o desenvolvimento económico e social de Angola

A PahlConsulting foi criada em 2018, por Cristina Ferreira, juntamente com outros dois sócios, no seio do Grupo Pahldata, e centra a sua atuação na consultadoria de gestão e acompanhamento de projetos – públicos e privados – bem como na implementação de ideias que aportem mais-valias aos seus clientes. Nesta entrevista, a Managing Partner destacou o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), o projeto governamental de diversificação e dinamização da economia de Angola.

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Cristina Ferreira, Managing Partner

Como caracteriza o vosso posicionamento no mercado?

A PahlConsulting é uma empresa de consultadoria de gestão, que se posiciona enquanto parceira dos seus clientes e cujo principal objetivo é ajudá-los a desenvolver a sua estratégia de gestão, nomeadamente, os projetos estruturantes que devem implementar para serem competitivos. Além disso, temos também capacidade de implementação dessas ideias, na medida em que conseguimos aportar soluções que ajudamos clientes a operacionalizá-las.

Como é que a PahlConsulting, com apenas três anos de existência, iniciou o seu processo de internacionalização, em particular para Angola?

A PahlConsulting focou-se no segmento dos projetos multilaterais, que são projetos de ajuda ao desenvolvimento, financiados pelo Banco Mundial, pela União Europeia, pelo Banco Africano de Desenvolvimento, pelas Nações Unidas ou outras instituições multilaterais. Ao abrigo destes financiamentos, já desenvolvemos projetos em Cabo Verde e estamos atualmente a desenvolver projetos em Angola. Destes, destaco a assessoria da PahlConsulting ao Ministério da Economia e do Planeamento de Angola, na implementação do PRODESI, que é o programa de diversificação da economia angolana, através do aumento da produção, aumento das exportações e diminuição das importações. Os setores nos quais o Governo angolano aposta, estrategicamente, são o primário e o secundário, mais concretamente a agricultura, a pesca, o têxtil/vestuário/calçado, os recursos geológicos e o turismo.

Em que se traduz este programa governamental?

O Governo angolano tem vindo a desenvolver um conjunto de medidas de convergência, do ponto de vista legislativo, de forma a criar um ambiente de negócios favorável ao investimento privado. Para isso, publicou uma nova Lei do Investimento Privado, desenvolveu legislação para resolução dos problemas de insolvência das empresas, desenvolveu legislação específica no âmbito da prestação de garantias mobiliárias e está a procurar desenvolver a Bolsa de Valores e o mercado de capitais – tudo isto no que diz respeito ao ambiente de negócios. O objetivo passa por criar confiança nos investidores privados, confiança que se reflete, posteriormente, no Índice “Doing Business”, publicado pelo Banco Mundial e onde Angola se encontra entre os últimos posicionados. Uma outra questão importante e que este programa também visa trabalhar é o acesso ao crédito pelos investidores privados. Em Angola, por definição, os Bancos têm pouca apetência para financiar o setor privado. Isso deve-se ao facto de os empresários terem algumas dificuldades em apresentar um plano de negócios consistente e estruturado e também dada a dificuldade de efetivar os processos de insolvência, o que também acaba por prejudicar as entidades bancárias. Além disso, há que considerar o risco inerente ao facto de um Banco financiar um projeto privado. Todos estes fatores têm de ser trabalhados – é necessário capacitar os empresários para fazerem planos de negócio robustos, os Bancos para analisar pedidos de financiamento, baseados nos planos de negócio bem delineados por parte dos empresários – e o PRODESI foi desenhado para responder a estes desafios.

Qual o papel da Pahl Consulting na concretização deste programa?

O PRODESI é um programa bastante vasto e com várias iniciativas, relacionadas com cada um dos setores de atividade em que Angola aposta para o seu desenvolvimento económico futuro. O nosso papel é de program management – assessoramos o Ministério da Economia e Planeamento angolano na gestão do programa, desenvolvemos estudos – cinco, mais exatamente – sobre o potencial de desenvolvimento de cada uma destas áreas, identificámos as falhas existentes nas cadeias de valor de cada um dos setores prioritários, para identificar as oportunidades de investimento disponíveis. Outra parte do nosso trabalho é monitorizar as iniciativas que os vários setores levam a cabo, no sentido de promover um melhor ambiente de negócios, bem como um posicionamento internacional positivo, no que respeita ao ranking da competitividade. Finalmente, criámos também uma lista de indicadores, os quais monitorizamos, para garantir que o programa está, efetivamente, a ser bem concretizado, nomeadamente aspetos relacionados com a criação de emprego, o crédito que está a ser concedido à economia, quais os setores mais apoiados… Estes dados serão depois transformados em informação que será transmitida aos decisores políticos.

Que balanço podemos fazer deste programa?

Em termos absolutos, tem sido feita muita coisa para transformar Angola num país mais apetecível ao investimento privado. Naquilo que é o domínio interno, o PRODESI já financiou mais de 700 projetos, que têm impacto na vida das pessoas.

Esse impacto já chegou aos empresários portugueses, ao ponto de despoletar um interesse particular em investir em Angola?

Acredito que não e creio que este assunto tem de começar a ser mais falado em Portugal. Em Portugal, ainda se julga que Angola não é um país amigo do investimento privado e que é muito difícil expatriar capitais – não vou desmentir esta última questão, mas isto está a mudar. E precisamente porque está a mudar, os empresários e investidores que se posicionarem na linha da frente do investimento em Angola poderão usufruir de grandes oportunidades de negócios, pois elas existem. Angola precisa muito do investimento direto estrangeiro, porque apesar de tudo, o caminho do investimento interno é mais difícil: faltam recursos humanos qualificados, matéria-prima, financiamento barato…por isso o investimento direto estrangeiro é o caminho mais rápido para criar postos de trabalho e para alavancar, no imediato, a economia, e reduzir a sua dependência do petróleo. Angola e Portugal têm uma história em comum e isso pode representar uma boa oportunidade de investimento para as empresas nacionais, bem como uma ajuda importante para a economia angolana.

O que está a ser feito, internacionalmente, para divulgar esta procura por investimento estrangeiro?

Angola tem privilegiado muito mais a comunicação interna do que a externa, sobretudo considerando a pandemia, que surgiu pouco tempo depois do início do PRODESI começar a der efetivamente implementado. Por essa razão, era de facto importante que os diplomatas portugueses e angolanos criassem canais de comunicação para divulgar este programa que quer melhorar o investimento e o ambiente de negócios, considerando que as feiras e as missões empresariais ainda não se estão a realizar.

Como continuará a ser implementado o PRODESI?

O PRODESI é um programa governamental e Angola terá eleições no próximo ano. Se o novo Governo for uma continuidade daquele que existe atualmente, o programa continuará seguramente ativo… Parece-me que este programa é fundamental para a economia angolana, as reformas que estão a ser feitas são necessárias, sobretudo considerando que a economia está muito dependente do petróleo. Urge, por isso, diversificar a economia e assegurar que Angola produz riqueza em outros setores, uma vez que tem condições para tal.

https://www.pahlconsulting.pt/

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