Sílvia Lopes trabalha em Recursos Humanos, enquanto diretora, desde 2017, mas já anteriormente desempenhava funções na área. A sua experiência leva-a a acreditar que as diferenças que existem entre diferentes empresas,
no que se refere à forma como os colaboradores são vistos e tratados, se devem à liderança existente: “Ligo essas diferenças diretamente ao líder, porque é quem estabelece as diretrizes e o papel que cada colaborador pode ter, em particular as mulheres”. E explica: “Tenho exemplos pessoais: quando eu estava na Moneris, onde cheguei ao fim de pouco tempo de ter sido mãe – ainda amamentava e estava desempregada quando encontrei um trabalho como administrativa nessa empresa. Abriram-me as portas e apostaram em mim, permitiram-me crescer, estudar e, quando saí, já liderava um departamento de cobranças, depois de ter terminado uma pós-graduação. Saí apenas porque uma situação pessoal me obrigou a regressar a Braga e eu também não me tinha adaptado a Lisboa. Por outro lado, estive, enquanto diretora de RH, em empresas cujas diretrizes de contratação eram claras: numa delas, o candidato era ótimo para a posição, mas foi-me dito que só o contratariam caso ele cortasse a barba. O candidato recusou a ideia e abandonou o processo de contratação. Noutro caso, era política da empresa não contratar ninguém com mais de 40 anos para as lojas, e, caso alguma mulher engravidasse, o contrato não seria renovado. Também já passei por casos em que tinha de arranjar forma de perguntar aos candidatos se tinham filhos, ou estavam a pensar ter, se existia rede de apoio para as crianças, mas sempre de forma indireta. Todas estas situações são criadas pelos líderes. Numa, temos líderes que apoiam, incentivam e querem ver os colaboradores crescer. Nos restantes casos, as diretrizes da empresa podem levar-nos, inclusivamente, a fazer coisas que vão contra os nossos valores pessoais, o que não é positivo nem para nós, nem para o ambiente laboral”. Admite que é possível mudar as mentalidades de quem lidera, mas não acontece em todos os casos.
Foi somente quando foi dar uma formação sobre inteligência emocional, a convite de uma amiga, que Sílvia Lopes percebeu qual o seu verdadeiro caminho profissional: “Estava desempregada na época, em resultado de um
término contratual que cessou por vontade de ambas as partes, mas que me levou a um esgotamento nervoso. Quando entrei naquele chão de fábrica e comecei a falar para um público de 30 mulheres sobre inteligência emocional, vi lágrimas e emoção em muitas delas”. Sílvia percebeu que estava diante de mulheres que tinham entrado naquela fábrica, algumas delas, aos 14 anos, e nunca tinham conhecido outra realidade profissional: “Algumas estavam já na idade da reforma, ganhavam pouco mais de 800 euros e viviam para conseguirem ter uma vida básica. Dedicaram-se à casa, aos filhos, aos maridos e nunca pensaram nelas.
Sílvia Lopes estudou educação Social no Instituto Politécnico de Bragança. A formação é algo que continua a levar a cabo, anualmente, para garantir que consegue entregar o melhor serviço possível a quem a procura. Mulher de causas, participou em inúmeros projetos de formação e tem mais de 30 500 seguidores no LinkedIn. Com mais de 10 anos de experiência em Recursos Humanos, esta profissional é especialista em Mentoria e Transição de carreira e Coach na mesma área.
Quando perguntei ‘quando é que vocês têm um tempo para vocês?’, só uma pessoa me respondeu, dizendo que ia tomar café com uma amiga uma vez por semana. Percebi ali que não adiantava falar de definição de objetivos, de juntar dinheiro… porque a profissão pagava as necessidades básicas e só. Mas vi ali olhares de quem não queria aquilo para a sua vida. No final da formação, muitas vieram abraçar-me e eu percebi o que tinha de fazer – tinha de partilhar o meu conhecimento com aquelas pessoas. E aprender com elas. Foi daí, e das minhas experiências de trabalho anteriores, que nasceu a SYNTAGMA – INVEST CARREIRA”.
“A Syntagma surge para despertar consciências e poder partilhar conhecimento com
pessoas que passam desafios idênticos aos meus”.
A SYNTAGMA – INVEST CARREIRA nasceu com o propósito de ajudar profissionais e empresas, através do coaching, mentoria, formação e consultoria, a encontrarem o seu caminho profissional ou a redefinirem a sua estratégia / posicionamento profissional.
Com um background de formação em coaching, Sílvia Lopes reconhece que o que procura é sempre fazer as coisas com propósito, fazendo uso dos seus 20 anos de profissão, metade dos quais em Recursos Humanos, passados a ajudar pessoas, autarquias e empresas a descobrir o talento certo para o sítio certo: “Pessoas certas em lugares errados morrem aos poucos, são atores, cumprem a tarefa e vão embora. Depois há os outros: aquele que sabem que não querem aquilo para a vida, mas não sabem como nem por onde começar. A Syntagma surge para despertar consciências e poder partilhar conhecimento com pessoas que passam desafios idênticos aos meus”.
Sílvia Lopes encara o seu projeto como a sua missão de vida e tem uma opinião vincada sobre o que é necessário fazer, politicamente, para alterar o estado do mercado de trabalho: “Tudo começa na educação, desde cedo. Já
iniciámos o processo, com o fim do “rosa para as meninas e azul para os meninos”, mas ainda falta ir mais longe, e passar a mensagem de que homem e mulher se ajudam mutuamente, que não há tarefas verdadeiramente atribuídas e que o respeito deve ser de todos para todos. As políticas da paridade estão a fazer o seu trabalho, mas é crucial que a ACT cumpra o seu papel de fiscalizadora, pois muitas vezes as pessoas fazem uso dos seus direitos consagrados na legislação trabalhista, mas depois sofrem represálias no local de trabalho, sem que ninguém o impeça. Quanto às mulheres, aprendam a dizer não, a colocar limites e a lutar pelos seus sonhos. E peçam ajuda! Todos, em algum momento, precisamos de ajuda para crescer!”.










