Um laboratório onde a excelência é criada por mulheres

Manuela Carreira gere o seu laboratório de próteses dentárias há mais de 20 anos, com uma equipa de trabalho maioritariamente feminina. Ao longo dos anos, a evolução da mulher no mercado de trabalho tem sido constante e sólida, apesar de ainda faltar um longo caminho para que a aposta nas mulheres seja equilibrada. A experiência desta profissional e empreendedora fica patente aquando da forma como leva a cabo a gestão do seu laboratório.

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Ainda não são muitas as mulheres responsáveis por laboratórios de próteses dentárias no país. O que a fez apostar nesta área?

Eu sempre quis estar ligada à área da Saúde. A prótese dentária surgiu por um acaso feliz no meu percurso – depois de terminar o curso, comecei a trabalhar num laboratório e tive também oportunidade de lecionar, enquanto professora assistente convidada, na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa. Percebi muito cedo que o que me realizava era o contacto com as pessoas, poder colaborar com os médicos e com as clínicas, estudar
os casos em conjunto e propor as melhores soluções para cada situação. A liderança do laboratório acabou por ser uma consequência natural desse desejo de estar mais próxima das pessoas e dos processos de decisão e não apenas como técnica.

Ao longo da sua carreira, notou a evolução da mulher no trabalho em laboratório, em cargos de liderança?

Na minha experiência, esta realidade deve-se a vários fatores. É verdade que, nas fases das carreiras em que
se exige mais dedicação e se pode ascender a cargos de maior responsabilidade, muitas mulheres ponderam
também a sua vida pessoal e a vontade de serem mães. A conciliação entre estes dois desafios nem sempre é fácil.
Infelizmente, ainda há muitas empresas que, perante esta dualidade, optam por soluções mais simples, acabando
por não dar tantas oportunidades às mulheres. No meu caso, no que respeita ao facto de ter o meu próprio negócio, nunca achei que ser mulher fosse impeditivo, mas na realidade exigiu uma disponibilidade extra, porque é preciso um grande apoio familiar – e neste caso, era só eu e o meu marido. Este esforço adicional dá às mulheres, a meu ver, uma capacidade de conciliação e de adaptação que acaba por ser uma mais-valia.

O Oclusalab tem uma equipa maioritariamente constituída por mulheres. Em que é que isto representa uma mais-valia?

Por um lado, noto uma sensibilidade especial para o detalhe e para a escuta ativa das necessidades do paciente, o que nos permite adaptar cada solução de forma personalizada. Por outro lado, do ponto de vista técnico, acredito que, enquanto mulheres, desenvolvemos desde cedo uma atenção muito própria à estética, ao conforto e à adaptação funcional do trabalho. É quase natural para nós valorizar a harmonia, o equilíbrio e a beleza, e isso está presente no nosso trabalho diário, sobretudo na componente estética da reabilitação oral.
Além disso, destaco a entreajuda e a resiliência que caracterizam a equipa. São aspetos fundamentais para garantir uma experiência positiva para quem nos escolhe, porque o dentista sente-se ouvido, compreendido e acompanhado ao longo de todo o processo.

Também acompanham a evolução da técnica e da tecnologia para que o laboratório tenha sempre as novidades de vanguarda?

Sim, considero isso determinante. No nosso laboratório, combinamos tecnologia de topo impressão 3D, sistemas CAD/CAM, integração digital com as clínicas com o conhecimento e experiência da equipa, atentos ao detalhe. Mais
do que máquinas e materiais, garantimos disponibilidade para esclarecer dúvidas, antecipar desafios e estar presentes sempre que é preciso. O caminho não é fácil, exige resiliência, capacidade de adaptação e uma enorme paixão pelo que fazemos. Mas é possível.